“Crystal Lake”: uma série tão boa que mete medo? — Sugestões

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Mais uma série de coisas para verem, para lerem, coisas para descobrirem. Aqui estamos com as sugestões da semana. Bruno Vera Amaral, vamos começar por ti. Tens aqui uma série de coisas. Não sei se queres começar pelo humor, pelo terror.
Sim, vamos começar pelo humor.
Sim.
"Sort of".
Sim.
Que é um documentário na Netflix sobre o Norm Macdonald. Norm Macdonald é um daqueles fenômenos, eu já falei aqui desses fenômenos, que para nós europeus são um pouco estranhos. São tipos conhecidos nos Estados Unidos pela participação no programa Saturday Night Live. E agora é feito um documentário. Ele morreu aqui há uns anos, há poucos anos, com câncer. E o Norm Macdonald era também humorista de stand up, mas era conhecido, sobretudo, pela participação que teve no Saturday Night Live durante quatro anos, onde tinha ali um segmento que era das notícias falsas, e que o tornou muito popular naquela altura. Depois caiu mais ou menos na irrelevância. Tentou uma carreira no cinema, que correu muito mal. Eles falam tudo isso neste documentário, que está na Netflix e é realizado pelo Judd Apatow, que é o guru das comédias do início dos anos 2000.
Desculpa, o Judd Apatow é uma espécie de scholar. Está fazendo documentários desses.
Desses, e sobre os humoristas dessa geração. E percebe-se, através deste documentário, que há um respeito, um carinho pelo trabalho do Norm Macdonald. Talvez alguma admiração também é expressa, mas eu não sei propriamente se ele terá sido muito influente ou se também entra aqui um pouco de apreciação, da avaliação pessoal dele enquanto pessoa.
Foi o Judd Apatow que fez aquele do George Carlin também, acho eu.
Sim.
Fez o do Mel Gibson também, ou esteve envolvido. Eu acho que sim, também.
Do Mel Gibson? Não.
Mel Brooks.
Mel Brooks. Ficaram confusos. Vou ver.
E o que é que há aqui de curioso no Norm Macdonald? É um daqueles casos que eles referem no documentário, de humoristas que conseguiram ter-
É um dos realizadores, sim
...ter uma grande visibilidade com o Saturday Night Live, mas depois erraram, aquilo não funcionou depois. Apesar de ter feito mais algumas coisas, mas não se impôs ou praticamente desapareceu, apesar de todo esse reconhecimento dos seus pares. E acaba por ser uma boa história nesse sentido. Não porque tenha tido uma carreira extraordinária, não porque fosse um humorista excepcional ou revolucionário, sei lá, até como o próprio Eddie Murphy, que também já falamos aqui de documentários sobre o Eddie Murphy ou Richard Pryor, ou outros que foram muito influentes. Não parece ser o caso.
Até porque esses passaram para o cinema com muito protagonismo.
Sim, nestes dois casos, até com bastante sucesso. Mas não estás a falar, no caso do Norm Macdonald, de facto, de um humorista que fosse revolucionário. E podes perguntar então: por que um documentário? Eu acho que aqui há esse lado pessoal, tem que ver com a personalidade dele, que seria cativante.
Porque é uma boa personagem.
Era. Para quem o conhecia e de quem ele era mais próximo. Porque tu chegas ao fim do documentário e dizes: "Bem, mas ele não fez, de facto, nada assim verdadeiramente extraordinário." E nem por isso o documentário deixa de ser bom. Não também extraordinário, mas um bom documentário, que para nós, uma vez mais, nós europeus, será um pouco mais estranho, porque alguém que teve um grande sucesso no Saturday Night Live, mas depois não fez mais nada pelo qual seja reconhecido, para os europeus ainda é mais estranho. Para os americanos, ainda tem aquele prazer de: "Epa, o que é que foi a vida dele depois daquele auge, daquele período de grande visibilidade?" Para nós não tem, mas eu acho que acaba até por ser um bom documentário, embora a personalidade e a figura do Norm Macdonald seja pouco conhecida e reconhecida na Europa. Segunda sugestão.
Agora que é de não ter medo?
Agora é terror. Está na HBO. Eu não sei há quanto tempo está.
Há uma semana e pouco.
Há pouco. Mas estão todos os episódios, não?
Amigo, isso depois tem a ver com as distribuições lá deles.
Porque aqui não é HBO.
Aquilo que eu comecei a ver, da vossa amiga.
Da Linda Cardellini. Pois.
Vamos falar da Linda Cardellini, que eu acho que é importante.
Também começaste a ver, Maria?
É, mas aquilo tem coisas muito assustadoras.
Não, eu acho que não é assustadora, é sanguinário. Eu só vi um episódio.
Eu comecei a ver agora o terceiro episódio, portanto, ainda não posso dizer.
O primeiro é ótimo.
O primeiro é muito bom.
É muito bom.
O segundo não é tão bom como o primeiro, mas o primeiro é, de facto, muito bom, porque eu acho que respeita mais ou menos o estilo.
E o estilo é o quê? Diz lá às pessoas. Estamos a falar de quê?
Ainda não falamos. Essa série chama-se "Crystal Lake".
Exato.
E que no fundo é a história das origens do "Sexta-Feira 13".
Do Jason Voorhees.
Do Jason Voorhees e da sua mamãe.
Para quem não se lembra, era um tipo No cinema se fartava de matar gente e matar mal com más cobras.
E era muito simples.
Usava uma máscara.
E há aqui uma coisa que pode parecer que uma série de oito episódios como esta não se adapta muito bem ao estilo de filme, porque aquilo era um slasher, que é o filme que aparece um gajo e mata a gente.
É a rasgar.
Não interessa muito. Depois há ali uma explicação um bocadinho psicanalítica.
Nós não queremos explicações.
Mas aquilo essencialmente é pôr gente, miúdos, jovens a ter sexo em cabanas e acampamentos e a serem assassinados.
E serem esventrados.
Das maneiras mais criativas possível.
Se isso não é divertido.
Pronto, e depois tens uma série de oito horas, cada episódio tem praticamente uma hora e tu dizes: "Então, como é que isto se casa, esse desenvolvimento das personagens se casa com um filme que pedia tudo menos desenvolvimento das personagens, que era essencialmente gente a matar-se?" Isso pode ser um problema. E eu já estive a ler algumas críticas e dizem: "Se calhar há aqui uma tentativa de espremer isto um bocadinho mais."
Espremer além. Pois é, a arte de espremer.
Pronto. Quem é que interessa aqui saber demasiado sobre o drama familiar do Jason Voorhees e da mãe?
E eu se continuar assim, vou querer saber.
Eu gostei, porque acho que o primeiro episódio não entra muito por aí. O segundo já, pronto.
O primeiro episódio, e fica aqui o aviso, é um banho de sangue.
É um banho de sangue e levanta alguma questão. Afinal, quem é que serão estas pessoas?
Pois é.
Olha, devo dizer que gostei, eu sou um fã de filmes de terror.
És um fã da Linda Cardellini? Está tudo certo.
Ainda não falámos da Linda Cardellini devidamente.
Pois é.
Eu já disse da outra vez, a Linda Cardellini só com 10 minutos que ela tem de participação no Brokeback Mountain, entrou na cabeça de toda uma geração de cinéfilos. Não sei se se recordam, mas ela fazia da mulher que tinha uma breve relação com a personagem do Heath Ledger, depois dele se divorciar. Só que o Heath Ledger estava a pensar no cowboy dele, estava ocupado com outras coisas e não ligou à Linda Cardellini. E acho que todos nós, na altura, os heterossexuais, pensamos: "Epá, quer dizer..."
Heterossexuais e não só, meu amigo.
Não, estou a dizer naquele contexto em particular daquele filme. Olharam e disseram: "Epá, mas olha ali a Linda Cardellini, o Heath Ledger."
Pronto.
E entretanto, eu sei que o Pedro depois acompanhou a carreira dela, mas eu nunca mais a tinha visto fazer praticamente nada, até aparecer agora.
Ela apareceu no ER, no Freaks and Geeks. Apareceu uns tempos. Freaks and Geeks foi antes.
Eu não vi nada disso.
Series de agência, sim.
Eu não vi nada disso.
Aparece no Mad Men também.
Eu não vi nada disso, como vocês já sabem, também já vos falei sobre esses casos.
Aparece no Mad Men? Não me lembro.
E agora, de repente, aparece.
A vizinha amante do Don Draper. Tinha umas conversas com o Don Draper, o que é que tu achas?
É protagonista de várias séries.
Até eu se tivesse entrado nisso. E ela é a Vilma do Scooby-Doo, não é?
Ah, é? Mas o Scooby-Doo é anterior ao Brokeback Mountain.
Pois, isso não sei, mas aquele filme com a Cardellini.
Sim, com o Matthew Lillard. O gajo do Scream. Isso é anterior ao Brokeback Mountain.
Até eu se tivesse entrado no Mad Men, certamente teria tido conversas com o Don Draper.
Para mim a Linda Cardellini era e vai continuar a ser aquela personagem do Brokeback Mountain, sobretudo quando ela põe o pé em cima da mesa. Enfim, não vamos por aí. Por último, vocês sabem que eu recentemente estive a Paris, capital.
Qual foi a melhor coisa que comeste?
A melhor coisa que comi foi umas coquillettes au jambon.
Tu vais querer dizer com uma bastonada.
Eu fui com o meu filho.
Afastaste.
Tentei fugir um pouco a esses locais.
Fizeste bem.
Que eu não duvido que sejam interessantíssimos do ponto de vista.
Foste ao Louvre?
Fui ao Louvre, claro.
Marcaste na app ou entraste?
Claro que marquei antecipadamente. Meu amigo.
Tudo se marca.
Tudo se marca, é verdade.
Tudo, o passeio de barco também marcado.
O Bruno tem aprendido coisas contigo, homem previdente e avisado.
E eu até fiz ali o roteiro para dizer: "Olha, daqui para aqui tens que apanhar esta linha" e tal, e coisa, tudo certinho, que é para perder o menos tempo.
Então, mas diz lá, foste para isso.
Fui lá, olha, e entrei numa livraria de uma senhora muito pouco simpática.
Livrairie.
Numa livrairie. E comprei este livro que se chama "Le Feu follet", o Fogo Fátuo. Por acaso não sei se está traduzido em Portugal, do Pierre Drieu La Rochelle, ou como diz o meu pai, um grande fascista. E é verdade, este senhor teve ali ligações com aquela geração dos surrealistas, do Aragon, essa gente toda.
Essa gentalha.
De esquerda, muito de esquerda. A dada altura.
Traduzido, provavelmente já não encontras, foi publicado em julho de 2016 pela Sistema Solar.
Não, então ainda deve ser possível.
Os alfarrabistas.
Até te babas.
Foste à Shakespeare and Company.
Não fui à Shakespeare and Company por uma série de coisas, mas fui a esta livraria, também estava muito bem apetrechada, apesar da senhora não ser muito simpática. E então o Pierre Drieu La Rochelle torna-se ali a partir de 1930 e qualquer coisa, um grande fascista. Um grande admirador do Hitler, do Mussolini e também do Stalin. Atenção, ele por acaso não é.
Não brinca.
Ele ia a todas. Ele gostava de tudo que fosse gente assim um bocado sanguinária e autoritária, ele gostava. E depois com o regime de Vichy, já depois da ocupação alemã da França, foi colaborador Apesar de ter protegido os seus antigos amigos escritores e intelectuais, mas foi colaborador. Quando a guerra chega ao seu final, e não com o resultado que ele teria esperado, ele viu-se ali numa situação um bocado difícil e então resolveu tirar a própria vida. Tirar a própria vida, que tem que ver com este romance, este "Fogo Fátuo", "Le Feux Follet", que acompanha uma personagem que é um viciado em drogas, porque ele tem este lado. Ele depois acaba por ser um fascista, mas é também um decadentista, pelo menos ao nível literário, e acompanha a história de um tipo francês, jovem de 30 anos, que é casado com uma americana, que agora está a viver de novo em França. Sempre dependeu das mulheres, e no caso em particular da mulher para o sustentar e para sustentar o vício das drogas. E acompanhamos o trajeto final desta personagem, do Alain, em tentativas de se desintoxicar, mas que não resultam muito bem. É um livro e um autor que hoje em dia serão pouco conhecidos. Eu sugiro vivamente, recomendo vivamente, e também recomendo vivamente que quem não quiser ler o livro, possa ver o filme de Louis Malle, que é de 1960 e pouco, que para alguns críticos é o melhor filme do Louis Malle. Tenho algumas dúvidas que seja, mas pronto, fica aí a opinião dos críticos.
Fica a nota.
Fica esta nota e esta sugestão francesa.
Muito bem, Maria Ramos Silva.
Trago dois livros e um filme. Vou começar pelos livros. Primeiro, "O Grande Livro do Vinho". É mesmo robusto, é um tamanho quase de coffee table. Não tanto, mas um pouco. Uma edição da Manuscrito, Rodolfo Tristão, que é um conhecido sommelier português, trabalhou para o grupo Avillez, com o Sá Pessoa, mas também com outros chefs. Não é, de facto, um livrinho de bolso para andar sempre que vamos para um jantar ou com amigos e queremos fazer um brilharete. É mais para estar em casa e para consultar ou para oferecer. O Natal está aí também não muito longe. Portanto, pode dar para uma boa sugestão. E, de facto, para quem se interessa pelo tema, é uma coisa muito gráfica, informação muito "news to use", como se costuma dizer, muito simples, uma espécie de Bíblia de consulta com uma organização por regiões, castas, pairings, os erros comuns, as cores do vinho. É interessante para quem se interessa. Depois, o terceiro livro do Douglas Stuart, foi publicado originalmente em maio, chegou há não muito tempo a edição portuguesa, "John Filho de John". Eu já não me recordo, eu creio que não cheguei a ler o "Shuggie Bain", não é o vencedor do Booker, mas parece-me que há aqui temas recorrentes.
É uma bela história, deite já.
Pois, e há aqui temas recorrentes. Este livro também gostei, estou a gostar bastante. No fundo, vai aqui a uma série de coisas que são particulares para o autor, a questão da homossexualidade, do armário, um contexto também aqui muito anos 90, o regresso a casa, família calvinista. Mas ele conta isto, de facto, muito bem. Eu acho que mesmo para quem não sente grande afinidade com o tema, acho que lhe deve dar uma oportunidade, porque é bastante justo. Depois, um filme que estreou na quinta-feira e que é das maiores, não há outros termos, maiores maradices.
É uma fritaria.
A maior fritaria que eu vi nos últimos tempos.
Mas tem a Léa Seydoux.
Pronto, então eu vou fazer uma pequena sinopse imaginando que o nosso personagem é Pedro Buchamento. Pedro Buchamento sai à noite.
Como aliás costuma fazer.
Como aliás faz frequentemente. Imagina tu, Pedro, que dás por ti num encontro casual com uma pessoa que é Léa Seydoux.
Pois é.
Vais-te embora.
A vida aí complica-se.
Voltas para casa e depois no dia a seguir percebes que tu estás dentro do corpo de Léa Seydoux.
Pois é.
Pronto, é precisamente isso.
Já lhe tiraste toda a vontade de ver o filme.
Não, a partir daqui é sempre a piorar. É um filme que se chama "A Desconhecida", do Artur Harari. Na verdade, ficou também mais conhecido pelo premiado e belíssimo "Anatomia de uma Queda".
Que é um dos argumentistas.
É, foi escrito em parceria com o Justine Triet. Mas a verdade é que este filme é tão estranho que nós ficamos ali naquele limbo entre: "Será que eu, de facto, devia ir fazer outra coisa ou sair da sala, ou vou até ao final e tentar ver o desfecho?"
Eu gosto desses filmes.
Não, mas eu gostei. Eu recomendo sempre.
Não estreou um filme qualquer de um jovem americano que entra dentro de uma baleia? Estreou agora ou vai estrear.
Não sei.
Sim, foi engolido por uma baleia. Vi a apresentação quando fui ver o "Digger".
Pronto, é provável. É ali um thriller, mas é uma coisa altamente psicológica, dentro do fantástico. Não sei, é muito esquisito mesmo, mas recomendo.
"A Queda da Baleia".
Tendo a oportunidade que façam esse visionamento, porque é sempre um teste também curioso.
Sim, "Whale Fall".
Esse também promete.
Estive para ir ver isso em França.
Muito bem.
Com a canalha.
É a minha vez, não é? Vou ser muito rápido.
Não há mails, portanto.
Não. Um livro.
Não há mensagens para o Pedro?
Não, estou muito curioso. Chama-se "Os Doces Mais Antigos de Portugal" e é de um senhor chamado João Pedro Gomes.
Eu vi uma entrevista que gostei, que ele rebenta com o mito das freiras.
Ele é investigador de história da alimentação.
Eu gosto mesmo muito disso.
Também eu! "Os Doces Mais Antigos de Portugal".
Ele rebenta com as freiras.
Ele rebenta com as freiras.
Tome nota destas duas.
Ainda ontem entrevistei aqui o Dom América Aguiar.
Pois é Está aqui, o título diz ao que vai. Tem história, tem receitas. Tem tudo. João Pedro Gomes, os dois mais amigos de Portugal, edição da Penguin. Isto parece-me muito bem. E lembrar que no dia 29 chega à Filmin um filme que eu ainda não vi e que vou ver, que é "Adolescência, Sexo e Morte no Acampamento Miasma".
Isto não é com a Linda Cardellini, não é?
Não.
Poderia ser.
Mas é com a Hanna Heinbinder e com a Gillian Anderson, duas pessoas que eu muito prezo.
Não me digas que é o filme com o Ben Affleck.
Ainda não vi.
É pavoroso.
Está em primeiro lugar nos filmes da Netflix.
E eu pensei, mais uma vez: será que é uma daquelas coisas em que a Netflix aumenta um bocadinho o nível?
Não.
Tanto que o tipo foi despedido.
É que aquilo baixa o nível. Eu até gosto de alguns filmes, o "Gone Baby Gone", eu adorei esse filme do Ben Affleck, e de repente dá a ideia que é uma coisa em que tu gastaste o dinheiro todo a contratar bons atores e não tens onde aplicar esse dinheiro para mais nada. Para mais nada, nem para argumentista, nem nada.
Esse filme do Ben Affleck usou a empresa de inteligência artificial do Ben Affleck. Sabem que o Ben Affleck fundou uma empresa de IA. Apoderou-se de uma empresa de IA.
IA Affleck.
E que a Netflix comprou. Portanto, o Ben Affleck fez uma dinheirama brutal.
No fim a Alex ri.
Usou muita IA neste filme, que este que é de facto inqualificável. Mas não diz onde.
Sobretudo a cena final.
Este filme esteve no cinema, não sei se ainda está em alguma sala. Também mistura a cultura slasher, também vai um bocadinho a isso. Humor, acho que tem sangue. Vem o Halloween para quem gosta, fechem-se às escuras. Vejam o Crystal Lake e o Campo Miasma de seguida e bebam um copo.
Esta coisa com os acampamentos, o pessoal deve ter ficado traumatizado.
Eu acho que é um cenário ótimo.
Claro.
Está mesmo a pedi-las.
Se fosse o Ben Affleck dizia acampada, porque ele depois fala em espanhol neste filme.
Sim.
Muito bem.
Viste o filme do Ben Affleck?
Vi, é miserável.
Vamos fechar isto com as sugestões.
Com chave de ouro.
Pedro Silvestre, o que é que tens para nós? Eu fiquei muito interessado, porque o teu briefing, eficaz e sintético, como sempre diz, dois filmes sobre alpinismo. Eu estou muito interessado nisso.
Na Apple.
Eu sou uma das grandes vergonhas, auto humilhações da minha vida. É a minha pouca coragem física.
Somos mais assim do que tu pensas.
No meu caso, eu penso sobre isso. Infelizmente, penso sobre isso com alguma frequência. Eu sou o tipo que pensa: "Vou comprar uma bicicleta" e depois pensa: "Mas depois posso ser atropelado".
Claro.
Não é assim tão caricato, mas é quase.
Certo.
Tenho um enorme fascínio por filmes de mergulho, debaixo do mar. Não filmes da tanga, recriações, documentários, investigações. Gostei muito de um que está sobre aquela senhora italiana.
Italiana, sim. De mergulhar sem oxigénio.
Da pleura?
Sim, é ótimo. Gosto imenso desses filmes. E também a subir montanhas, a escalar montanhas. Quando digo montanhas não é a chamada caminhada.
Agora vais falar daquele do K2.
Sim, vou falar desse do K2, "Expedição ao K2", que está na Apple.
É bom?
É francamente bom. É um documentário que conta a história da ascensão ao K2 no inverno, nunca tinha sido conseguida, logo ali em pleno Covid, a seguir ao Covid, naqueles tempos, não foi há muitos anos. E acompanhamos várias equipas, vai este com aquele, não sei o quê, e depois de repente aparecem outros. Como sabemos, este montanhismo tem muita gente, muitos curiosos a ir agora, a fila para subir ao Everest.
E depois às vezes corre mal.
Isso. Não vou desvendar muito mais, mas vale a pena ver. Nós começamos com um escalador.
Alpinista.
Alpinista parece assim meio alpinista social. Não temos bem palavra. Um mountaineer.
Montanheiro.
Um climber.
Um climber. Não, social climber.
Diz quem sabe que o K2, que é a segunda montanha mais alta do mundo, é mais difícil de escalar do que o Everest.
Mas isto agora no inverno, com as alterações climáticas também já não é o que era. Isto agora é praticamente primavera.
Acho que ali aos 8 mil, aquilo é 8 mil metros, não é?
Começas a ter pouco oxigénio.
Vemos ele a despedir-se dos filhos, da mulher. E vamos acabar. Essa história vai-se cumprindo.
Acho isso tudo uma péssima ideia, estar a subir essas coisas.
Eu tenho às vezes momentos em que penso: "Toma juízo, é evidente, isto pode correr mal nas montanhas".
Pois.
Na Apple também está um filme sobre Tenzing, que é o Sherpa que acompanhou Hillary na primeira ascensão ao Everest em 1953. É com o Tom Hiddleston e o William Defoe, que fazem os papéis ocidentais. Infelizmente, não memorizei o nome do ator que faz o papel do Tenzing. Gendun Phuntsho, não sei ler. O filme é filmado mesmo em montanhas, embora na Nova Zelândia, não é green screen ou cenas da tanga, inteligência artificial do Ben Affleck, não, é mesmo verdade. E é um bocadinho aqueles filmes à antiga, como eram os filmes inspirados nas obras do Júlio Verne, não sei se te lembras. Era tudo muito linear e corria sempre tudo bem. Mas eles faziam fogo com um cogumelo.
Fazia um fogo com cogumelo e com um pauzinho. Está também na Apple, "Tenzing", e o outro documentário chama-se "Expedição ao K2". Finalmente, tenho uma reedição de um dos livros, eu ia dizer da minha vida, mas isto vai soar mal, que é o "Psicopata Americano", do Bret Easton Ellis.
Eu acho que não.
Para um homem não tem coragem física.
Senhoras e senhores, Pedro Moisés.
Foi reeditado agora pela Asa. Tem uma capa dura, tem uma nova revisão. Perguntei à editora pessoa, à Carmen, perguntei por e-mail se tinha sido uma nova tradução.
Ó Carmen, diz lá.
Acessos.
Olha cá.
Privilégios. Não foi uma nova tradução, mas foi uma nova revisão em cima da tradução. É um livro muito curioso, que talvez tenha sido prejudicado pelo filme. Não sei o que o Bruno acha. É um livro que tem cenas muito violentas, mas é um livro também muitíssimo divertido e interessante.
Mas o filme também é.
Sim, mas o filme falta-lhe coisas que estão no livro. Porque o filme foi censurado de propósito, não é?
Sim, eu ainda há pouco tempo revi o filme e achei francamente divertido. Acho que capta bem.
Mas também pode ser pelo ciclo que tu estás a viver.
Porque o livro tem uma grande carga satírica.
Sim, e gráfica também.
Gráfica, mas até por ser tão explícito, isso em si mesmo é satírico. Chega a um tal exagero que quase se torna barroco. Eu acho que isso é, claro, propositado.
Sim, e ele torna-se, à altura, um personagem de culto. Completamente, quase como um herói.
Sim, é o yuppie, é o rico, tem muitas marcas, tem muita análise musical com a qual eu me identifico completamente.
E tudo isso está no livro.
Tem capítulos ótimos.
Eu acho que está muito bem captado o espírito do livro, está bem captado no filme.
Eu acho que fica atrás.
Sim.
Se forem oferecer a algum familiar, tenham a certeza que esse familiar tem mais de 18 anos.
Não é melhor, se calhar, oferecer aquele dos vinhos da Maria?
Talvez.
Não ler, é beber.
Tenham a certeza que tem, não digo 18 anos, mas tem 17. Não ofereçam isto a um garoto de 14.
Tenha cuidado com a maturidade.
"Psicopata Americano", da Asa, em reedição, do Bret Easton Ellis.
Mas não gosto nada do Bret Easton Ellis, devo dizer.
Da pessoa?
Não, do escritor.
Pois é.
Não, da pessoa até simpatizo.
Sabes lá tu.
Não, agora é sério, ele dá ótimas entrevistas.
Não gostas dos livros do estilo?
Não gosto dos livros.
Bret, atina-te.
Fica já a saber.
Gostas do Jay McKennan, então?
Não gosto muito dessa malta.
Ele não gosta de ninguém.
Não, mas do Bret Easton Ellis não desgosto particularmente.
"Sugestões em Tracks" estão sempre disponíveis em podcast. Sigam-nos, não percam nenhuma destas doses. Nós voltamos na quinta-feira. Até lá.
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