CNN TürkFon soruşturmasında Geçgel kardeşlerden 5 milyar lira ödemeESPN DeportesEN VIVO: Yelich y Contreras le madrugan a Martínez y RaysESPNCEO O'Neil given $6.3M before LIV bankruptcy protection filingPunchIlenikhena scores in back-to-back Al-Ittihad gamesInquirerFewer Filipinos trust the news. Can PH media win them back?South China Morning PostHong Kong private secondary sector expands as local universities’ reputation growsCollider‘Percy Jackson' Officially Returns in 4 WeeksZDF heuteEntdecken Sie das ZDF-NachrichtenstudioUOLPrincípio de incêndio em churrascaria mobiliza bombeiros em Jandaia do SulThe Straits Times‘No worker should face this alone’: Close to 240 migrant workers owed 2 months’ pay, NTUC, MOM assistingGIGAZINEアヒル型ロボット「Microduck」の予約注文数が2万台を突破、NVIDIAのジェンスン・フアンCEOとの戯れで爆売れVarietyKen Atchity, ‘The Meg’ Producer and Literary Agent, Dies at 82
The Daily Newsstand · Free, Always
Saturday, October 24, 2026

Evangélicos e católicos lutam pelo voto no Brasil

Translate

O megaevento e a megaprodução da Igreja Batista Atitude, onde se fala sobre literacia financeira e se apela ao voto

São quase 20h00. Num grande edifício que parece um centro comercial, os fiéis começam a chegar. Dois placards LED dão as “boas-vindas”. Há pessoas que formam uma fila para carimbarem um passaporte, isto é, um pequeno livro que serve para registarem a presença na Jornada dos Sonhos — uma série de doze eventos que a igreja tem organizado às quartas-feiras. A entrada é, no entanto, totalmente livre. Há pipocas à venda. Há saquinhos com oferendas para quem quiser levar. Antes de entrar na sala, há jovens com um cartaz com código QR em que se lê: “É novo aqui?”

Antes de se chegar a este espaço de estética moderna, passa-se por um grande parque de estacionamento. À esquerda, uma zona de restauração reúne vários restaurantes, com opções que vão da carne grelhada ao fast food. Algumas pessoas jantam antes da sessão. A sensação é a de que se vai a um concerto. Algo que se torna ainda mais evidente ao entrar no auditório gigantesco: há projetores, uma banda em palco, um ecrã gigante e câmaras de televisão prontas a gravar.

Ali tudo parece profissional e nada é deixado ao acaso. O evento começa às oito em ponto com uma espécie de trailer: um vídeo no qual uma jovem sorridente, de cabelos encaracolados, apresenta a agenda da igreja para as semanas seguintes. O destaque vai para o espetáculo de Natal, agendado para meados de dezembro e anunciado como um megaevento. Pede-se que tragam “toda a família”, uma mensagem repetida várias vezes ao longo da sessão. Na multidão, há gente de todas as idades: crianças, adolescentes — alguns sem esconder o aborrecimento por lá estarem —, adultos e idosos. A linguagem é moderna e apelativa, perfeitamente alinhada com a estética de um grande espetáculo.

Assim que o vídeo termina, começa o verdadeiro espetáculo. Vários cantores sobem ao palco para interpretar temas pop de cerca de cinco minutos, marcados por refrões fáceis de memorizar. A plateia vibra e acompanha em coro, demonstrando saber de cor as letras com um forte teor religioso. “Tá sofrendo, louve / tá chorando, louve / não importa, louve / seu louvor invade o céu” é um dos versos que mais contagia o público, que entretanto foi preenchendo quase na totalidade os lugares da sala.

Ao fim de 30 minutos, com o fim do concerto, chega o momento do pedido de donativos. Após o testemunho de um homem que “já tinha vivido na rua”, é a vez de, num ecrã de fundo, aparecer um código para doações online. Depois, surgem imagens de crianças africanas — num apelo à ajuda para uma missão humanitária da igreja em África. Nesse momento, vários jovens entram na sala com terminais de multibanco. A mensagem é clara: a quem quiser doar, basta aproximar-se com o cartão ou com o telemóvel. E dezenas de pessoas acabam por contribuir nesta quarta-feira.

O pastor Fernando Diniz entra depois em palco para uma aula que parece ser de autoajuda e desenvolvimento pessoal. Assumindo um “interesse por pedagogia” que já dura há 30 anos, o homem de 52 anos lembra os fiéis da importância de não adiarem decisões futuras e de não sentirem medo. Enquanto orador, é carismático. Eleva o tom nos momentos certos e anda com naturalidade pelo palco, misturando um discurso por vezes abstrato com exemplos práticos.

A aula motivacional com uma componente religiosa dura uma hora. Soltando um “ámen” de quando em quando, a plateia acompanha atentamente: uma senhora toma notas num bloco, enquanto outro fiel aponta no telemóvel o que Fernando Diniz diz. O pastor tinha preparado uma apresentação em PowerPoint eficaz, ainda que o tema da literacia financeira tivesse sido explorado de forma leve. “Irmãos, procrastinar é um dos maiores venenos. Sabe aquela coisa de empurrar um pouco mais? Há gente que faz isso. Há uma parábola na Bíblia que retrata isso — Lucas, capítulo 14, dos versículos 15 ao 24”, exemplifica.

Quando termina, é a vez de Josué Valandro Jr. subir ao palco. Mentor e com 840 mil seguidores no Instagram, o pastor aborda o tema do dinheiro. Também carismático e bastante seguro em palco, pede aos fiéis para acreditarem que podem ter uma “vida abundante financeiramente”. “Eu quero que acredite que pode ter uma casa cheirosa, gostosa. Comida boa na mesa, poder comprar as suas coisas, prosperar. O seu coração vai ser mais rico do que o seu bolso. A gente só não pode ter medo de prosperar.”

Enquanto Fernando Diniz evitou comentar temas da atualidade política, o pastor carioca é bem mais incisivo. “Senhor, eu vejo um monte de gente com dinheiro a comprar arma para o crime. Vejo gente com dinheiro a comprar noites de prostituição, aqui no nosso país… Deputados, senadores, juízes… Gastarem milhões em prostitutas de luxo”, lamenta, numa referência ao caso Master — um dos assuntos mais comentados na campanha eleitoral brasileira, que envolve o empresário Daniel Vorcaro numa rede intrincada de trocas de favores na alta sociedade brasileira. “Deus, que devassidão o dinheiro dessa gente trouxe”, lamenta o pastor.

View the original on Observador Desporto →

KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.