VÍDEO: Esposa e apoiadores de Jalser Renier oram e cantam 'Aquilo que parecia impossível' em frente à PF após prisão em Boa Vista

Renier foi preso por suspeita de crime eleitoral e associação criminosa. Agentes cumpriam mandados de busca e apreensão em uma investigação sobre lavagem de dinheiro quando encontraram R$ 19 mil em dinheiro e planilhas relacionadas à campanha, o que levantou a suspeita de compra de votos.
O g1 apurou que documentos apreendidos continham anotações com a sigla "BU", que significa "boca de urna", o que pode indicar uma possível compra de votos.
O candidato foi levado à sede da PF, onde prestou depoimento. Em entrevista ao g1, o advogado dele, Carlos Vila Real, disse que entre os documentos apreendidos, havia planilhas com nomes de cabos eleitorais, apoiadores remunerados e voluntários.
"O delegado entendeu que, inicialmente, isso poderia configurar, uma hipótese, havia indícios de crime de captação ilícita de sufrágio, a compra de votos. Nessa situação ele arbitrou uma fiança no valor de 100 salários mínimos, o que equivale a mais de R$ 160 mil", disse o advogado.
Durante o procedimento, a defesa considerou o valor da fiança "absurdo" e pediu ao delegado que baixasse. No entanto, após a conversa, o delegado federal revogou a fiança e acrescentou o enquadramento por associação criminosa, crime que não permite fiança. Com isso, o candidato permaneceu preso e deve passar por audiência de custódia.
"Nós lamentamos a decisão da autoridade policial e acreditamos que amanhã um juiz do plantão eleitoral deverá analisar os autos com toda a técnica. O Ministério Público Federal será ouvido, assim como os representantes legais da defesa. Acreditamos que, no primeiro momento em que houver uma análise judicial, esse erro da Polícia Federal deverá ser corrigido pela Justiça Eleitoral", afirmou Vila Real.
Esposa de candidato e apoiadores oram pelo Jalser Renier — Foto: Nalu Cardoso/g1RR
Operação de lavagem de dinheiro
A operação que investiga Jalser por lavagem de dinheiro foi deflagrada nesta quinta pela PF e cumpriu dois mandados de buscas e apreensões na casa e no escritório dele. Foi nessa operação que agentes encontraram os indícios de crime eleitoral.
Batizada de Operação Filargíria, o trabalho foi um desdobramento de uma investigação que prendeu um homem com R$ 305 mil em espécie em outubro de 2025.
"As apurações revelaram indícios de atuação reiterada na entrega de dinheiro em espécie a terceiros, além da utilização de contas de passagem para a movimentação de valores supostamente provenientes de recursos públicos", informou a PF.
A ideia da PF com a Operação Filargíria é ter acesso a novos elementos de prova que esclareçam a origem e a destinação dos recursos movimentados, além de identificar outros envolvidos ou beneficiários das operações financeiras investigadas.
Agentes usaram duas viaturas descaracterizadas na operação. Os veículos ficaram estacionados em cada uma das entradas do escritório, que fica numa esquina. Além disso, parte da rua foi interditada.
Os mandados da operação foram cumpridos pelo Grupo de Pronta Intervenção (GPI), unidade especializada da PF que atua em situações de crise e em operações de médio e alto risco.
Histórico de Jalser Renier
Jalser Renier Padilha é um dos políticos mais conhecidos de Roraima. Ele foi deputado por 27 anos, mas teve o mandato cassado pela Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR) em 2022, por quebra de decoro. A cassação ocorreu após ele ser acusado de ser o mandante do sequestro e da tortura do jornalista Romano dos Anjos, em 2020.

PF faz operação no escritório do ex-deputado Jalser Renier em Boa Vista
No processo penal sobre o caso do jornalista, ele é réu por sete crimes: sequestro qualificado, tortura qualificada, constituição de milícia privada, dano qualificado, roubo majorado, cárcere privado e violação de domicílio qualificada.
Agentes da Polícia Federal na porta do escritório do ex-deputado e candidato, Jalser Renier, em Boa Vista (RR). — Foto: João Gabriel Leitão/g1 RR
Movimentação da PF em frente ao escritório de Jalser Renier, no Canarinho, em Boa Vista — Foto: João Gabriel Leitão/g1 RR
Viaturas da PF paradas na frente do escritório de Jalser Renier, em Boa Vista — Foto: João Gabriel Leitão/g1 RR
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