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Saturday, August 15, 2026

Análise: Ponte luta, mas faltam armas e condições para tentar ser Davi contra Golias

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A Série B virou uma questão de tempo. O torcedor já sabe que, salvo uma reviravolta improvável, vai precisar lidar com um calendário bem distante daquele que imaginava para 2027: primeiro a Série A2 do Paulista, depois a Série C do Brasileiro.

Mas a partida contra o Náutico, até de maneira surpreendente diante de tudo que aconteceu nos últimos dias, não foi ruim. E talvez seja justamente esse o ponto que precisa ser analisado. Neste momento, é preciso olhar mais para o cenário do que para o resultado.

Ponte Preta x Náutico; Série B — Foto: Marcos Ribolli

A Ponte chegou ao jogo completamente desfalcada. Diego Porfírio, Kevyson, Jonathan Cafu, Rodrigo Souza e Murilo Cavalcante estão no departamento médico. Júlio e Lucas Cunha cumpriam suspensão. Márcio Silva não vem mais sendo relacionado.

Restavam 15 jogadores para Márcio Zanardi trabalhar.

A solução foi recorrer à base. Mais três jogadores foram chamados às pressas para completar o grupo. Nenhum deles havia treinado com o profissional. Dos 18 atletas que estiveram à disposição contra o Náutico, 11 foram formados no próprio clube.

E, mesmo assim, a Ponte lutou. Tentou ser Davi contra Golias.

Só que existe um detalhe importante nessa história: Davi tinha uma arma.

A Ponte, neste momento, mal consegue reunir jogadores suficientes para completar o banco de reservas.

Três jogadores da base foram relacionados de última hora — Foto: Anderson Romao/Agif

Ainda assim, houve futebol. Houve entrega. Houve organização dentro das limitações e, principalmente, houve disposição para competir.

A Ponte fez um primeiro tempo razoável, apesar dos sustos iniciais nas chegadas de Derek. Do outro lado, mesmo com improvisações emergenciais, também conseguiu criar. Saiu na frente com Brandão, após assistência precisa de David da Hora, e chegou ao intervalo com uma vantagem que parecia improvável diante de tudo que cercava a partida.

O problema é que não existe como exigir perfeição durante 90 minutos de um time submetido a esse nível de desgaste. E bastou um pequeno vacilo defensivo para o Náutico encontrar o empate.

A Ponte ainda teve vantagem numérica em determinado momento da partida. Mas até isso precisa ser relativizado quando se olha para o banco de reservas. Zanardi não tinha soluções prontas para mudar o jogo.

O próprio treinador reconheceu que seria injusto colocar a responsabilidade sobre os jogadores da base. O trio promovido às pressas sequer havia treinado com o elenco profissional. Eles foram colocados no campo porque não havia outra alternativa. E fizeram o que puderam.

Ponte Preta x Náutico; Série B 2026 — Foto: Marcos Ribolli

Mais uma vez, os jogadores foram para a guerra sem armadura. Sem salários em dia. Sem reforços disponíveis por causa dos transfer bans. Sem um elenco capaz de absorver suspensões e lesões. Sem tempo adequado para preparar quem chega da base. E, agora, com um treinador falando abertamente sobre esgotamento físico e mental.

Mesmo assim, correram. Mesmo assim, lutaram. Mesmo assim, arrancaram um ponto que pouco muda a situação na tabela, mas que mostra que ainda existe gente dentro de campo tentando impedir que a Ponte desabe completamente.

É por isso que talvez seja errado olhar para o Náutico como o Golias dessa história. O adversário era apenas mais um obstáculo de uma Série B que a Ponte já praticamente perdeu.

Luiz Torrano, presidente da Ponte, ao lado do vice Eberlin — Foto: Marcos Ribolli

O verdadeiro Golias parece estar em outro lugar. Está naquilo que acontece fora das quatro linhas.

Está na falta de dinheiro para colocar os salários em dia. Está na incapacidade de derrubar os transfer bans. Está na perda constante de jogadores. Está na falta de alternativas para o treinador. Está na estrutura que não acompanha as exigências de uma competição profissional.

E, principalmente, está nas mãos de quem tem a caneta para tentar mudar esse cenário.

Porque os jogadores estão sendo enviados para a guerra semanalmente. Só que estão sendo enviados sem armas, sem armadura e sem proteção.

Davi não venceu Golias porque simplesmente correu mais, porque teve mais vontade ou porque acreditou até o fim. Ele tinha uma arma na mão. A Ponte não tem.

E talvez essa seja a parte mais cruel da história: cobrar que os jogadores façam um milagre enquanto quem deveria fornecer as condições mínimas para a batalha continua sem apresentar uma solução capaz de mudar o cenário.

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