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Sunday, November 8, 2026

As palavras do ano e a beleza do português segundo a IA

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Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

"Português Suave" na Rádio Observador com Marco Neves. Marco, bem-vindo mais uma vez. Como estás?

Olá.

Tudo bem?

Está tudo bem. Cá estou.

Cá estamos reunidos para mais um.

Hoje não estou no estúdio.

Exato. Hoje estamos com uma distância entre nós.

Sim, estamos reunidos, mas à distância. Mas não faz mal. Vamos falar aqui da língua portuguesa. Eu fiz uma experiência e desta vez relacionada com inteligência artificial. Os nossos ouvintes já vão perceber o que eu andei para aqui a magicar.

A magicar.

Mas antes temos a língua nas notícias. Há uma notícia relacionada com a língua que andou nas bocas do mundo e é sobre isso que vamos falar para começar.

É isso mesmo. Vamos começar com língua nas notícias. Marco, vamos a isto. Já nos deste um pequeno spoiler. Vamos lá.

Todos os anos, a Porto Editora, e isto não é publicidade, faz parte das notícias, ouvimos em vários jornais, a Porto Editora, que é uma das editoras de dicionários e de materiais sobre a língua portuguesa, organiza uma espécie de concurso sobre a palavra do ano. E este ano já saíram as 10 palavras finalistas. Eu devo dizer, nós estamos em novembro. Ainda podem aparecer outras palavras.

Exato. Ainda temos sempre a surgir. Se calhar ainda tem tempo.

Nunca se sabe. Mas essas ficarão para o ano. Este ano nós temos aqui 10. E eu até te estava a perguntar a ti qual é que tu achas que deveria ganhar, mas eu vou ler aqui quais é que são as 10 da Porto Editora, as 10 palavras que estão em concurso. Nós podemos votar. A primeira palavra é chat, que é uma palavra importada, como sabemos, chat, por causa provavelmente do ChatGPT. Foi por causa dela que eu me lembrei daquilo que vamos fazer já daqui a pouco, uma experiência que vamos fazer aqui. Depois, combustíveis.

Eu ainda nem sei as outras, mas esta já deve ser uma das que está no top três.

Já deve estar nesta. Depois, drones. Eu não sei o top ainda, não sabemos os resultados, mas drones. Eclipse. O estreito. Exames. Farmar. Farmar a hora. Habitação. Eu vi muitas pessoas muito indignadas com o farmar estar aqui na lista.

Para isso o chat também não poderia estar.

Porque é uma palavra muito recente.

Se bem que farmar é um bocado duvidoso.

É aquelas borbulhas da língua. Borbulhas no sentido bolhas, as bolhas da língua. A língua está a borbulhar e farmar provavelmente apareceu e vai desaparecer. Talvez, vamos ver. Depois temos habitação, tempestades e volta. Acho que todos nós sabemos por que essas palavras estão aqui. Qual é que tu votas?

Isto é muito difícil. Deixa-me cá ver. Eu não consigo só escolher uma, mas se fosse para fazer um top três, eu escolheria combustíveis, habitação e talvez tempestades. Só coisas boas, não é?

Tempestades. É só coisas boas. Neste momento, tudo isto é bom.

Exato, que horror.

Tudo bem, eu concordo. Eu também iria por aí. Enquanto acontecimentos únicos, eu lembro-me muito bem do eclipse, gostei muito de ver o eclipse. Mas sim, na verdade, o eclipse é uma coisa que passa em poucos minutos e os combustíveis, a habitação e as tempestades são algo mais que está para durar. Essas questões. Eu não vou votar, para já. Quer dizer, vou votar, mas não vou dizer em qual palavra é que vou votar, mas os ouvintes também votem para ver qual destas 10 palavras vai ser declarada a palavra do ano. Isto é a língua nas notícias, porque de facto muitos órgãos de comunicação social andaram a falar desta lista e eu estou com muita curiosidade para saber qual é que vai ganhar. Será que é uma das três que nós estivemos aqui a conversar? Será que não?

Agora estou muito curiosa. É isso, é esperar para ver. Marco, vamos passar para a nossa outra rubrica.

O Mapa da Língua.

Mapa da Língua, vamos a isso. Mapa da Língua, Marco, o que é que nos trazes?

Fiz um bocadinho de batota. Não é propriamente um mapa de território, nem de tempo, é um mapa de inteligências diferentes da nossa, porque lembrei-me: eu há uns tempos, e nós falámos já disto aqui no "Português Suave" várias vezes, perguntei aos leitores, na altura, numa página que tinha, fiz um inquérito sobre qual era a palavra mais feia, qual era a palavra mais bonita. E posso dizer já que a palavra mais feia foi a palavra badalhoco.

Não é muito agradável.

Mas eu decidi, já que andamos todos a falar do chat, do ChatGPT, das outras inteligências artificiais, que até já temos a palavra chat nas 10 palavras mais importantes do ano, decidi perguntar ao ChatGPT, na sua versão gratuita, acessível a todos, quais é que são as palavras mais feias do português.

E então, o que é que saiu daí?

É alimentado por tudo o que nós dizemos, fazemos e escrevemos. Fazemos não tanto, mas o que escrevemos e dizemos, e por isso há de saber alguma coisa. E fiquei um pouco admirado com as respostas. Uma delas, não. Eu posso dizer que das cinco palavras que o ChatGPT considerou as mais feias, uma delas é a que eu considero a mais feia. A quarta. Mas eu posso começar por aqui. A menção honrosa, o ChatGPT até fez menções honrosas. Começou por dizer, é uma inteligência artificial muito palavrosa. A beleza das palavras é subjetiva, mas há algumas palavras do português que muita gente considera particularmente feias pelo som, pela sonoridade gutural ou pela combinação de consoantes. E eu: "É verdade, mas vá, avança lá e diz qual é a lista."

Fica-lhe bem dizer estas coisas, não é?

Sim, ele gosta. As menções honrosas vão para: cocó, nha-nha, pustulento, sebento e moleca. São palavras um pouco feias, é verdade. É tudo muito feio aqui. Depois temos a quinta palavra É uma palavra que eu confesso que não conhecia, que é gororoba. Não sei se alguma vez ouviste falar dessa palavra.

Não faço ideia. O que é isto? Gororoba?

Eu fui investigar. É uma palavra brasileira que quer dizer uma comida com mau aspeto. Por isso gororoba. A quarta palavra é aquela que eu consideraria a mais feia da língua portuguesa, se me perguntassem, que é a palavra escarro.

Pois, não gosto muito.

Depois temos a palavra borbulhante, que eu não acho particularmente feia. Para mim, é até bastante bonita.

Escarro acho que também sou da tua opinião, acho que é a pior.

Depois temos a palavra ranhoso, na segunda, e a palavra mais feia da língua portuguesa, segundo o ChatGPT, e eu acho sinceramente que isto prova que o ChatGPT não tem ouvidos, não sabe ouvir, porque não é uma palavra contaminada, não é particularmente feia, mas diz-me tu o que é que tu achas, é a palavra escarrapachado.

Não, não me choca nada. Lá está, para mim é muito mais estranho e mais feio ouvir escarro ou mesmo o badalhouco, do que propriamente um escarrapachado. Isto para mim não me diz nada.

Escarrapachado até eu acho que é uma palavra divertida, mas o para o ChatGPT é a palavra mais feia da língua portuguesa. Para o ChatGPT, naquele momento em que eu lhe perguntei, porque nós sabemos que o ChatGPT costuma mudar de opinião cada vez que se pergunta alguma coisa, pelo menos na sua versão mais acessível.

Olha, por acaso também tenho aqui um. Antes de irmos, tenho aqui uma para partilhar contigo. Eu tenho aqui umas palavras que eu também não gosto nada de ouvir. Uma delas é musgo, e não me perguntes porque é que eu não gosto. Grumos.

Eu também não.

Grumos também soa-me estranho. E goma.

Goma é talvez por causa do doce, da própria goma, mas eu percebo. O grumos, sim.

O grumos soa estranho, não é?

É, parece que há ali qualquer coisa, uma pedra no sapato. Parece que temos uma pedra no sapato, é verdade. E qual é que era a outra?

Era musgo, também fazia parte desta lista. Musgo. Não sei. Não sou fã destas três palavras.

Em inglês, quando se faz esta pergunta a ingleses, a pessoas que falam inglês, a palavra que aparece mais vezes é moist.

Moist, não é? Pois.

Mas olha isso.

Cada um com a sua.

Pois, cada um com a sua. Vamos então às Mitos e Origens.

É isso, vamos lá.

Vamos avançar.

Mitos e Origens. A quem nos diz lá.

Eu hoje estou a fazer batota, Filipa.

Então? É hoje dia de batotas?

É só batota. Não vou falar nem de mitos, nem de origens. Vou continuar a perguntar coisas ao ChatGPT, porque hoje deu-me para isto, por causa daquela palavra que apareceu lá nas 10 palavras. E então perguntei ao ChatGPT: "Então qual é que é a palavra mais bonita? Já que disseste qual era a palavra mais feia, diz-me qual é a palavra mais bonita." E saíram 10 palavras. Ele não quis ficar por cinco. Ele disse-me: "Agora sim, vamos ao lado bonito da língua portuguesa. Na minha opinião, estas são 10 das palavras mais bonitas do português, pela sonoridade, significado e musicalidade." Então, a palavra número 10. Diz me uma, Filipa, tu consegues adivinhar qual é a primeira? Não é nada difícil, é a mais óbvia de todas.

Deixa-me pensar. A palavra que se calhar liga todos os portugueses, até porque é uma palavra bastante única nossa, diria saudade.

Vamos ver se é essa ou não. Depois se é única ou não, também dá para outro episódio. Mas pronto, eternidade é a décima, a nona é a palavra liberdade, a oitava é a palavra deslumbramento.

A sério?

Sim, segundo o ChatGPT. Ele percebe disso como eu percebo de física quântica. A sétima é a palavra alvorada. A sexta, segundo o ChatGPT, é a palavra efêmero. A quinta é uma palavra complexa e que eu também acho bonita, que é serendipidade. Ou seja, aquela capacidade de encontrar coisas ao calhas que são boas. Ao calhas. Andar, por exemplo, por uma loja e encontrar uma coisa bonita sem estar à procura dela. Depois temos a quarta palavra, a palavra cintilante, que eu acho bonita. A terceira, murmúrio, que eu aqui concordo.

A sério? Por acaso não diria que era uma palavra para estar nesta lista.

O murmúrio eu acho que o que é bonito no murmúrio é a adequação da palavra ao próprio murmúrio.

Pois, só se for por aí.

Ou seja, o murmúrio é muito murmurante. Depois temos a segunda palavra, aconchego, que eu gosto muito do significado, não acho que a palavra em si seja muito bonita. Na conjugação do som e significado, não é particularmente bonita, digo eu. E a primeira palavra, quem diria, grande surpresa, saudade.

Pois, só podia.

Se é único ou não, vamos falar disso noutro episódio. Já falámos aqui noutros episódios, mas vamos voltar a ela. E diz o ChatGPT no fim: "As minhas três favoritas". Ou seja, ele, não sei porquê. "Na minha opinião, estas são 10 das palavras mais bonitas." Depois disse estas 10. E depois, decidiu contradizer-se a si próprio e diz que as três favoritas são saudade, tudo bem, aconchego e alvorada, que nem sequer estava na lista.

Ele está um bocadinho confuso.

Está um bocadinho confuso. Alvorada também é bonito. E pronto, a inteligência artificial agora é uma parte das nossas vidas, para o bem e para o mal. E por isso eu decidi fazer esta pergunta, que já tinha feito a inteligências bem naturais e humanas há uns tempos, e agora decidi que é artificial.

E fizeste muito bem, até porque o chat está ali naquele top 10 de palavras do ano, portanto, fez todo o sentido. Marco, ainda temos aqui tempo para o nosso livro da semana. Vamos a isso. Marco, livro da semana, qual é a sugestão deste episódio?

Eu lembrei-me de um livro clássico sobre línguas, nesta área das línguas. Um livro que eu li já há muitos anos e que me ajudou a gostar muito desta área e a ficar mais interessado nesta área, que é um livro de uma francesa, Henriette Walter. Eu penso que se lê com V este W, por vir da França, mas confesso que não tinha a certeza absoluta e andei a tentar perceber, mas não sei como é que ela própria lê. É muito conhecida, uma linguista muito famosa na França. Eu já li este livro há muito tempo e o livro chama-se "A Aventura das Línguas do Ocidente". E eu sei que várias pessoas, vários ouvintes talvez se lembrem deste livro, que esteve muito visível e muito falado nos anos 90 e no início também deste século. Por isso, fica aqui a recomendação, que é um excelente livro, apesar de já ter algumas décadas, é um excelente livro sobre as línguas mais próximas do português, o que ela chama as línguas do Ocidente. Agora, se as pessoas quiserem enviar dúvidas, podem enviar para, eu não vou dizer o número, vais ter de ser tu a dizer.

É isso, dividimos o mau pelas aldeias. Tu ficas com o e-mail, eu fico com o número de telefone. Vamos a isso. O e-mail, Marco.

portuguessuave@observador.pt.

É isso mesmo. E para o número é o 910 002 41 85. E vou repetir, porque atrapalhei-me toda. 910 002 41 85. Os nossos ouvintes podem mandar e-mails, dúvidas, mensagens, mensagens de voz também. E nós cá estaremos para tentar esclarecer tudo. Nós não, o Marco. Eu fico aqui por apoio moral.

E na quarta-feira temos o episódio de dúvidas, não é?

É isso mesmo. Quarta-feira cá estaremos com mais um "Português Suave". Até lá.

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