Tiros, ameaças e 'pedágio': como as facções atuaram nas eleições no Ceará

"A SSPDS-CE ressalta ainda que as ações fazem parte de um protocolo de monitoramento e alinhamento estratégico integrado para o pleito de 2026, a exemplo do que foi feito nas eleições de 2024", disse a pasta ao UOL.
Tema eleitoral
O domínio das facções foi tema recorrente de campanha, muito utilizado pelo candidato Ciro Gomes (PSDB) —que foi alvo de ameaças por meio de pichações— contra o governador Elmano de Freitas (PT), que tenta a reeleição.
Ciro acusa o governo de ser conivente com esses grupos, que começaram a ocupar territórios na década passada. "Viramos um narcoestado", diz Ciro, que cita inclusive casos de influência eleitoral dos grupos, como o de Bebeto Queiroz (sem partido), ex-prefeito eleito do município de Choró, mas cassado e foragido da Justiça desde dezembro de 2024.
Outro caso de repercussão, que também resultou na cassação de um prefeito eleito, ocorreu em Santa Quitéria. José Braga, o Braguinha (PSB), foi acusado de enviar uma camionete com R$ 1,5 milhão para o Rio de Janeiro para que o CV coagisse eleitores contrários a ele em 2024.

Em outubro do ano passado, uma nova eleição foi realizada no município, e o filho de Braguinha venceu.
Ameaças, cobranças, tiros
Muitos dos casos chamaram a atenção, como a operação de 11 de agosto, que prendeu 14 pessoas e cumpriu 25 mandados de busca e apreensão e cinco de afastamento de cargos públicos. Entre os alvos estavam três vereadores, além de um advogado e pessoas apontadas como integrantes da organização criminosa.
Segundo a Polícia Federal, o CV estaria cobrando R$ 60 mil para liberar a campanha de políticos com mandato e R$ 30 mil de candidatos sem cargo.
Outro caso foi registrado em Forquilha, onde também integrantes do CV cobraram "pedágio eleitoral" de até R$ 200 mil para permitir a realização de campanhas. O prefeito da cidade disse que foi ameaçado.
Em Santana do Acaraú, uma mulher foi presa após avisar em rede social que a facção estava cobrando para permitir que carros de som, paredões e equipamentos sonoros fossem utilizados por candidatos. Ainda na cidade, o muro do Colégio Santanense teve a seguinte inscrição pichada: "Proibido campanha Ciro Gomes".
Reforço
Para assegurar a tranquilidade no final de semana da votação, a SSPDS informou que adotou um reforço policial para este sábado e domingo. Ao todo, 24,8 mil policiais e cinco aeronaves estão nos 184 municípios do estado —15,4% a mais que nas eleições de 2024.
"As ações iniciam antes do dia da votação com o reforço dos servidores das coordenadorias e forças vinculadas à SSPDS, além de órgãos parceiros atuando em várias regiões, conforme seus planos operacionais", informou.
O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) também aprovou, por unanimidade, o envio de forças federais a 67 municípios do estado. Elas são compostas por militares do Exército, da Marinha e da Aeronáutica e visam garantir a normalidade da votação e o livre exercício do voto.
Reportagem
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