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Saturday, October 17, 2026

Frankie Chavez: o guitarrista que tinha medo de cantar

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Foi no filme Os Reis do Mambo (1992) que Frankie Chavez se cruzou pela primeira vez com os ritmos e as harmonias que lhe abriram as portas para a música cubana. Descobriu depois Buena Vista Social Club (1999) e Compay Segundo e nunca mais parou de procurar referências. Foi por isso que lhe deu ainda mais gozo assinar a banda sonora de Os Escândalos de uma Revolucionária, o mais recente Podcast Plus do Observador que conta a história de Annie Silva Pais, a filha do último ditador da PIDE que fugiu do marido diplomata com a ajuda de Fidel Castro e se juntou à revolução cubana.

O mistério do desaparecimento de Annie, a separação sem aviso e uma nova vida completamente antagónica da que tinha tido até ali foram os pontos essenciais que quis traduzir para o tema central. “Tentei, com as bases que tinha de música cubana e coisas que já tinha experimentado, fazer uma mescla de tudo, focando-me precisamente nesses detalhes emocionais de mistério, de narração dramática e de romance”, explica ao Observador.

[o trailer de “Os Escândalos de uma Revolucionária”:]

Francisco, Frankie ou França — responde a qualquer um dos nomes, mas o mais fácil é começar por aquele que está no cartão de cidadão. Francisco Chaves nasceu em Lisboa, cresceu no Restelo e é o mais novo de quatro irmãos. Ainda assim, teve quase vida de filho único, já que o irmão mais “próximo” é, apesar disso, oito anos mais velho (os outros têm dez e 12 anos a mais). “A minha irmã, que é a mais velha, era quase uma segunda mãe para mim”, recorda agora.

Andava de bicicleta a toda a hora, ia a pé para a escola — que ficava na rua onde vivia — e passava horas a explorar o pinhal, mesmo em frente. Não adorava estudar, mas gostava de estar na escola e foi aí que teve o primeiro contacto com uma guitarra. “Estava no quarto ano, tinha nove anos e tivemos umas aulas extracurriculares. Mais tarde vieram uns professores de fora e começámos a ter aulas de guitarra clássica, já não era só aprender a colocar os dedos nas cordas.”

Em casa ouvia aquilo que herdava dos irmãos: Rolling Stones, Lou Reed, David Bowie. “Também fui buscar influências ao fado, porque era o que o meu pai ouvia, mas a minha praia era o rock.” A avó paterna tinha um piano e ele chegou a experimentar umas coisas. Mais tarde, quando o instrumento foi herdado pelos pais, tentou recuperá-lo, mas não havia muito a fazer. “Estava bastante degradado. O técnico disse-me: ‘Descasque isto, aproveite só a caixa e faça um bar’.”

Começou por tocar com os amigos por brincadeira e depois pertenceu a uma banda de garagem. “Literalmente de garagem, ensaiávamos numa garagem em Linda-a-Velha. Essa experiência já não a vivi com amigos. Alguém disse que eu tocava bem, eles estavam à procura e eu fui, sem conhecer ninguém, tocar guitarra.”

Os temas eram originais, embora nenhum de Frankie Chavez. “Quando entrei, as canções já estavam feitas.”

Por essa altura, estudava numa escola em Linda-a-Velha que dava equivalência ao conservatório, mas acabou por não aproveitar. “Tinha uma hora de instrumento, uma hora de coro e duas de formação musical. Tinha de cantar em alemão e coisas do género, o que não me agradava. Se tivesse feito a escola toda ali, poderia ter o curso do conservatório, os oito graus. Mas fui até ao terceiro grau e desisti, estupidamente. Estava naquela fase parva dos 16 ou 17 anos.”

Ainda no secundário, experimentou a área de saúde. Com ambos os pais médicos, uma clínica da família e um irmão a estudar farmácia, parecia uma escolha lógica — “mas depressa percebi que não era para mim”.

Escolheu gestão no ISG (Instituto Superior de Gestão), um curso que lhe pareceu ser versátil e capaz de abrir portas em qualquer área. No quarto ano embarcou, como tantos outros jovens, no programa Erasmus e aí redescobriu a música. “Quando percebi que ia ter muitas horas livres [na faculdade], em vez de não fazer nada, resolvi ocupar o tempo de outra maneira. Estudei seis meses numa escola chamada Taller de Músics. Queria ter alguma formação no jazz e nos blues.”

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