CEO da Ryanair contesta relato de passageiro sugado por janela de avião na Grécia
O presidente-executivo da companhia aérea irlandesa de baixo custo Ryanair contestou enfaticamente, na quinta-feira (11), relatos de que um passageiro teria sido parcialmente sugado pela janela estilhaçada de um dos aviões da empresa durante um voo em julho.
O CEO, Michael O’Leary, sustentou que o homem permaneceu firmemente preso ao assento pelo cinto de segurança depois que a janela ao lado da qual estava se estilhaçou durante o voo, operado pela Malta Air, subsidiária da Ryanair. O avião havia decolado de Tessalônica, na Grécia, e voava a cerca de 16 mil pés de altitude naquele momento, a caminho da Alemanha.
"Não acreditamos que qualquer parte do corpo dele tenha passado pela janela, mas ele certamente foi sugado em direção a ela em circunstâncias muito dramáticas", disse O’Leary, em resposta a uma pergunta sobre o calvário do passageiro, durante uma entrevista coletiva após a assembleia geral anual da companhia aérea, em Dublin.
O’Leary acrescentou: "Ele não ficou parcialmente para fora da janela, e sua esposa, que afirma tê-lo salvado segurando seus pés, certamente está um tanto desconectada da realidade, considerando que estava sentada três fileiras atrás dele".
O advogado do passageiro, Vasilis Tsiaras, disse em entrevista na quinta-feira que a cabeça, a mão e parte do tronco de seu cliente foram puxadas para fora da janela do Boeing 737 e que a esposa dele correu de uma fileira atrás para ajudá-lo, junto com outros passageiros.
Ele afirmou que seu cliente, Ljubisa Karovic, 61, que mora na Sérvia, sofreu ferimentos na axila e na mão que corroboram seu relato, e que outras quatro ou cinco testemunhas viram Karovic ser parcialmente puxado para fora da janela.
"Tenho testemunhas oculares que estavam no avião e viram o que aconteceu", disse Tsiaras. "Portanto, acho que quem está desconectado da realidade é o sr. O’Leary, não meu cliente nem a esposa dele."
Lá Fora
Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo
O Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB, na sigla em inglês) afirmou em um relatório no mês passado que, depois que a tripulação sentiu e ouviu "uma forte vibração contínua", um comissário de bordo "percebeu que o passageiro no assento 11F estava parcialmente preso em uma janela danificada da cabine e que a janela inteira havia desaparecido".
Fotos e vídeos da cabine publicados na internet após o voo mostravam uma janela danificada e passageiros respirando por máscaras de oxigênio.
Depois de ser retirado dali, o homem foi levado para outra fileira e recebeu atendimento de um médico a bordo, enquanto o avião retornava ao aeroporto de Tessalônica com 149 passageiros, informou o NTSB.
Mais tarde, investigadores encontraram restos de uma ave em uma das ventoinhas danificadas do motor do avião, segundo o NTSB. As pás do motor ricochetearam pela fuselagem da aeronave e trincaram a janela, de acordo com a agência, que conduziu a investigação por determinação das autoridades gregas.
Karovic falou ao The Guardian sobre o voo em julho, depois de receber alta de um hospital grego. Ele usava um colar cervical e tinha queimaduras e hematomas no braço direito, que se estendiam até a axila e o peito, informou o Guardian.
"Tive sorte", disse Karovic. "Não me lembro de muita coisa, e minha cabeça e meu pescoço ainda doem, mas continuo vivo. Pode ter sido o cinto de segurança, o fato de eu ainda estar preso por ele. Mas talvez seja o destino. Acredito em Deus e agradeço a Ele todos os dias."
Sua esposa, Svetlana, disse ao Guardian que o marido havia ficado "metade dentro e metade fora do avião" e que outro passageiro usou uma mala para bloquear a janela aberta.
Tsiaras afirmou representar cerca de 80 passageiros do avião que pretendem entrar com uma ação judicial.
O’Leary disse não contestar que Karovic tenha se ferido e tenha direito a uma indenização. Mas lamentou o que chamou de "advogados caçadores de indenizações" e afirmou que o homem "não receberá milhões e milhões".
"Certamente, ao fim do processo, contestaremos que ele, ou qualquer parte de sua anatomia, tenha passado pela janela", acrescentou.
Georgia Gee contribuiu com a apuração. Este artigo foi publicado originalmente no The New York Times.
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.