Aquino prepara novo álbum com som mais orgânico: ‘Voltar ao que formou a gente’

Em visita à Rolling Stone Brasil, integrantes do trio falaram sobre o processo de gravação do novo disco e as referências dos Beatles
Karla Sthefany
Aquino está em processo de finalização de um novo álbum que pretende levar a banda de volta às próprias referências musicais.
Em visita à redação da Rolling Stone Brasil, no Rio de Janeiro, os integrantes João Soto e João Vazquez falaram sobre as escolhas que têm guiado o trabalho, marcado por uma sonoridade mais orgânica e pela influência de nomes como Beatles.
A gravação aconteceu, em grande parte, na véspera da visita do trio à redação. O grupo passou duas diárias no estúdio de Rolf, em Santa Teresa, no Rio de Janeiro, registrando as músicas ao vivo. A formação contou com os três integrantes do Aquino, além do produtor Cisneison Jr., no Fender Rhodes.
A escolha por gravar dessa maneira representa uma mudança em relação ao processo habitual da banda. Segundo os integrantes, o novo trabalho parte de uma vontade de deixar de lado algumas das ferramentas usadas anteriormente para construir os arranjos e apostar mais na dinâmica de uma banda tocando junta.
“Vamos pegar o violão, pegar a guitarra semi-acústica, pegar o baixo, a bateria. Um Fender Rhodes. Umas cordinhas ali, uns metais aqui”, contou um dos integrantes.
A ideia é construir um disco mais enxuto e cru, preservando justamente aquilo que aparece de maneira espontânea durante uma gravação ao vivo. Para o grupo, essa abordagem também surgiu a partir da experiência com Apple, trabalho que despertou o interesse pela possibilidade de registrar as músicas sem perder as características que aparecem naturalmente durante a execução.
“Foi o resultado que pra gente foi o mais legal. De chegar no estúdio com as tracks e ver que tinha uma coisa ali especial”, falou um dos músicos.
Beatles como referência
A nova fase também representa uma aproximação mais direta com referências internacionais que fizeram parte da formação musical dos integrantes. Entre elas, os Beatles aparecem como uma influência central para a construção do próximo álbum.
“Vamos voltar pro que formou a gente na música”, afirmou um dos integrantes durante a conversa. A partir dessa ideia, o trio passou a olhar para elementos como instrumentos, timbres, arranjos e, principalmente, para a forma como as músicas funcionam quando executadas por uma banda.
A mudança também passa por uma decisão de reduzir o uso de sintetizadores e outras ferramentas que costumavam aparecer na produção. “A gente tá muito acostumado a usar VS, a fugir pelos sintetizadores pra arranjar as coisas”, explicou um deles.
Agora, o caminho escolhido é outro: violão, guitarra semi-acústica, baixo, bateria, Fender Rhodes, cordas e metais devem dividir espaço na construção das faixas.
O resultado buscado pelo trio é um trabalho “mais orgânico” e “quente”, como definiu Vazquez. Ao mesmo tempo, o processo de gravação trouxe os desafios naturais de acompanhar de perto uma obra que está sendo construída.
“Quando você chega no final, porque eles são processos de ânimo, você olha para aquela criança que saiu e você fala: essa criança tá feia”, brincou um dos músicos sobre o cansaço de produzir um novo trabalho.
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Karla Sthefany é formada em jornalismo e já foi repórter em diversos sites de entretenimento, como o Observatório dos Famosos, Entretê Spin OFF e NerdWeek. Hoje atua como repórter na CARAS Brasil, na Contigo! e na Rolling Stone Brasil. Apaixonada por música, cinema e livros. Críticas ou sugestões: [email protected]
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