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Wednesday, September 23, 2026

No Ar Coquetel Molotov reúne artistas diversos e abre espaço para a eletrônica: ‘Muito emocionante’, diz Fernanda Abreu

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Em coletiva de imprensa, Fernanda Abreu, Carol Conká, O Kannalha e UANA falam sobre expectativas para o festival, enquanto organizadores explicam os objetivos por trás da curadoria e o destaque dado à música eletrônica

Gabriela Nangino (@gabinangino)

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Da esquerda para a direita: UANA, Karol Conká, Fernanda Abreu e O Kannalha, atrações confirmadas no No Ar Coquetel Molotov
Da esquerda para a direita: UANA, Karol Conká, Fernanda Abreu e O Kannalha, atrações confirmadas no No Ar Coquetel Molotov (Fotos: Divulgação)

No Ar Coquetel Molotov, que acontece no Campus da UFPE, no Recife, no dia 28 de novembro, reúne mais de 25 atrações distribuídas em três palcos. Além dos nomes já divulgados anteriormente, Fernanda Abreu, Cidadão InstigadoNandaTsunamiBia SoullKaty da Voz & As Abusadas e MikeQ, o festival também anunciou nesta quarta, 23, a presença dos artistas AzymuthKarol Conká, BoogarinsMajor RDCiça e O Kannalha.

A cantora e compositora Fernanda Abreu, ex-integrante do Blitz e pioneira na introdução de batidas eletrônicas na música nacional, comentou sobre o evento em coletiva de imprensa com participação da Rolling Stone Brasil. Segundo ela, estar no lineup é “muito emocionante”: “Eu tenho uma relação muito próxima com a cidade de Recife, com alguns artistas contemporâneos e da minha época, como Lenine, Chico Science, Nação Zumbi, são amigos muito queridos que fizeram parte da minha trajetória e da minha música”, celebra. 

A cantora relembra o início de sua carreira solo e a relação com o gênero. “Me sinto muito a vontade [no festival] porque existe toda uma pegada urbana e uma pegada da música eletrônica que me acompanhou desde o meu primeiro disco, o SLA Radical Dance Disco Club“, diz.

Nos anos 1990, os DJs foram os primeiros que abraçaram o meu som. Eu estava saindo da Blitz, era uma cena de pop rock brasileiro, as pessoas faziam o som delas majoritariamente em bandas. E quando eu lancei e fui produzir meu primeiro disco, eu coloquei já programação eletrônica, sequências, samples, eu senti um acolhimento da pista, dos DJs.

Em seu show no No Ar Coquetel Molotov, Abreu afirma que irá apresentará o álbum Da Lata, de 1995, um marco na música nacional que incorporou elementos do pop, funk, eletrônica, samba e rap. “Naquela época, havia muito muito preconceito. O tempo inteiro nos jornais, o funk era tratado como coisa de marginais, criminosos. Até hoje existe um preconceito grande, porque o pano de fundo disso  é o racismo estrutural brasileiro”, ressalta.

Eu sou bailarina, e eu sempre gostei de dançar. Eu fiquei bem impressionada a primeira vez que eu fui num baile funk ali no final dos anos 80. Esse disco Da Lata traz a pegada do Rio de Janeiro, de samba funk, essa pegada da música eletrônica, do Miami Bass. Esse álbum apontou para um lugar da música carioca que foi muito bacana. Então eu vou mostrar esse som que conversa ainda hoje com o que está sendo feito no Brasil.

A rapper brasileira Karol Conká também fará um show especial no festival, em celebração ao seu álbum de estreia, Batuk Freak (2013). O disco mescla o rap com batidas eletrônicas e funk carioca.

“Estou comemorando 25 anos de carreira, e Batuk Freak foi meu álbum de lançamento, há 13 anos. A pedido dos meus fãs, estou fazendo uma turnê especial, afinal esse álbum é um marco para o rap nacional e para a música brasileira”, afirma Conká. “Sou muito grata por todo o aprendizado que esse álbum trouxe para mim, e eu trago esse clima nostálgico dourado nesse show”.

O Kannalha, por sua vez, artista que fez sucesso recentemente com o hit “O Baiano Tem o Molho” e venceu a categoria de Axé e Pagodão do Ano no Prêmio Multishow, também comentou sobre sua vinda ao festival. “É uma honra poder somar com tantas mulheres maravilhosas”, disse. “Sei como é a dificuldade quando se trata de música de gêneros periféricos, quando envolve cultura urbana”.

Poder levar o pagodão da Bahia para mim vai ser uma honra uma honra. É o puro pagode que rola na comunidade, não é um pagode moldado para o mercado, para vender Minha missão é levar essa identidade para a pista.

Cena local

A programação do No Ar Coquetel Molotov também dá destaques a cantores da cena local de Pernambuco, como Bruxos de NadíEgo ErisTropa do JamalReggae Pelo ReggaeUANAZé do CãoDestalado e o centenário Clube Carnavalesco Misto Vassourinhas de Olinda.

UANA já se apresentou no festival Molotov em 2019, e agradece pela oportunidade de retornar a este palco. “Voltar este ano, com o meu segundo álbum, eu posso dizer que vai ser histórico”, afirma.

A cantora e compositora lança seu novo álbum nesta quinta, 24 de setembro. Intitulado ESTRELA, o projeto trará 11 faixas inéditas que misturam elementos de brega, forró, pop e ritmos da diáspora africana.

Estou feliz de estar em casa e mais uma vez num festival que me formou muito como artista. Antes de ser artista, eu já frequentava o Molotov, já descobri muitas bandas através do Molotov. Me conectei com artistas que mudaram minha vida e minha trajetória através do Molotov. E voltar agora com Estrela vai ser muito especial.

“Movimento orgânico o ano inteiro”

Jarmeson de Lima, produtor, idealizador e jornalista responsável pela criação do No Ar Coquetel Molotov,r essalta que o festival “não é só uma sucessão de shows”, mas “um movimento orgânico o ano inteiro”.

“A gente tem vários projetos que alimentam a cena cultural, então vários artistas também aparecem e surgem por conta do palco do Festival. A gente tem a oportunidade de dar essa chance aos artistas novos do Pernambuco e revelar esses talentos”, diz.

A 23ª edição do No Ar Coquetel Molotov também é “mais pernambucano do que nunca”, afirma o produtor, ressaltando a presença do Clube Carnavalesco Misto Vassourinhas de Olinda no lineup. Ele explica que o cartaz, divulgado em ordem alfabética, busca equiparar a relevância de todos os artistas, independentemente do seu tempo de carreira.

Curadoria e o destaque para a música eletrônica

Além dos palcos Molotov e Concha Acústica, que reúnem artistas de diferentes gêneros, 2026 marcará o quinto ano de existência do palco KMKZE, focado na música eletrônica. Segundo a curadora do KMKZE, a artista olindense Libra Lima (IDLIBRA), o palco “tenta pensar a música eletrônica e urbana no mundo”, e “este ano é, sem dúvida, um dos mais especiais“.

O lineup do palco inclui nomes como Africanoise Live, Anti Ribeiro, Destalado convida Relikia
Tremsete, Cosmus e Laryssa Real, MikeQ convida Ballroom PE, D’Silvestre, Katy da Voz & As Abusadas, Reggae Pelo Reggae Sounds convida Célia Sampaio e a Tropa do Jamal. Libra Lima celebra a expansão deste projeto:

É um projeto que chegou para acrescentar na expressão do festival e agora faz parte do DNA do Molotov. Esse ano, temos mais de 50% de presença feminina, mais de 50% de presença de artistas locais, tentando realmente trazer o que está acontecendo na música eletrônica, urbana, experimental no Brasil e no mundo.

A curadora afirma que a música eletrônica funciona como um “laboratório” de tendências que o mercado pop mainstream só vai adotar e massificar anos mais tarde, e, por isso, o festival tem interesse em explorar cada vez mais o gênero.

“A música eletrônica periférica nada mais é do que um adiantamento do que vai ser vanguardista logo depois, do que vai vir depois se tornar algo pop e muito mais palpável”, comenta. “Então a nossa função também é tentar colocar isso no palco nessa experiência mesmo de um ateliê aberto, e pensar na música eletrônica de maneira realmente múltipla”.

Ana Garcia, CEO do Coquetel Molotov, destaca que o objetivo do festival é dar visibilidade a artistas em ascensão, e, simultaneamente, valorizar a memória da música brasileira. Nas palavras de Garcia, a curadoria buscou “trazer artistas cultuados, artistas importantes”, como Fernanda Abreu e Karol Conká, e também “mostrar o futuro, e ser uma vitrine do que estava por vir”.

Libra Lima ressalta a importância de sediar o festival no Nordeste do Brasil. “A gente tenta também mostrar esse Brasil de verdade, porque muitas vezes falamos sobre cultura nacional e estamos pensando em musicalidades muito específicas, muitas vezes do Sudeste do Brasil. [No festival no] Recife, a gente, de alguma maneira, tenta trazer realmente essa multiplicidade que há mesmo no Brasil e no mundo. Eu acho que a curadoria é mesmo o nosso grande trunfo”.

+++ LEIA MAIS: Amabbi destaca parcerias com mulheres no novo álbum: ‘Tem tantas minas f*das no mercado’

Gabriela Nangino (@gabinangino)

Jornalista em formação pela Universidade de São Paulo, Gabriela é mineira e apaixonada por arte e cultura. Ela também já foi dançarina e seu principal hobbie é conhecer todos os cinemas de rua de SP. Foi estagiária no Jornal da USP e, na Rolling Stone Brasil, fala sobre música, filmes e séries.

TAGS: Bia Soull, cidadão instigado, fernanda abreu, Karol Conká, Katy da Voz & As Abusadas, nandatsunami, no ar coquetel molotov, O Kannalha
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