Ativistas do Brasil morreram o dobro que em 2025

O número de ativistas ambientais mortos no Brasil duplicou em 2025, tornando o país o segundo mais perigoso do mundo para defensores do ambiente, depois da Colômbia, segundo um relatório divulgado esta quarta-feira pela organização não governamental (ONG) Global Witness.
A Colômbia e o Brasil concentraram 52% dos assassinatos de defensores ambientais registados no mundo no último ano, com 39 e 26 vítimas, respetivamente. Grande parte dos homicídios no Brasil está ligada a disputas por terras, uma fonte histórica de tensão entre comunidades indígenas e grandes proprietários rurais.
“Pode-se matar pessoas porque se tem a certeza de que ficará impune, é quase uma licença para matar”, denunciou à agência France-Presse Carlos Lima, da Comissão Pastoral da Terra, organização que defende os direitos dos camponeses e das populações indígenas. “Em geral, quem ordena um assassinato não cumpre pena, não é detido”, acrescentou.
[Outubro de 1965. O diplomata suíço Raymond Quendoz espera pela mulher na pista do aeroporto de Havana, mas a portuguesa Annie Silva Pais simplesmente não aparece. O desaparecimento dela vai dar origem a um mistério de dimensão internacional que vai mobilizar o responsável da CIA em Cuba, o chefe dos serviços de segurança suíços, o mais alto representante de Portugal no país, e até Salazar e Fidel Castro. Porque Annie não é só casada com um diplomata suíço. Também é filha de um dos homens mais importantes do Estado Novo, Fernando Silva Pais, o diretor da PIDE. Já estreou “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Pode ouvir o primeiro episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]
Pelo quarto ano consecutivo, a Colômbia surge como o país mais violento do mundo para os ativistas ambientais, também alvo de pressões e ameaças de grupos armados dedicados à exploração mineira ilegal.
Na América Latina, região mais mortífera para os defensores do ambiente, a maioria das vítimas são indígenas (36%) e agricultores (40%). O risco é particularmente elevado em zonas remotas, onde a presença do Estado é limitada, sublinha o relatório.
No total, foram registados 124 assassinatos de ativistas ambientais em todo o mundo no último ano. As Honduras e as Filipinas ocupam o terceiro lugar da lista, com 12 mortes cada, seguidas do México, com 10 vítimas.
Desde 2012, quando a Global Witness iniciou o levantamento, o número de defensores ambientais mortos ou desaparecidos no mundo cresceu para 2.375 pessoas.
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