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Thursday, October 1, 2026

Como o "caso-não caso" se tornou o fim de Ronaldo na Seleção

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“Não há caso nenhum. Já tive casos com muitos jogadores, não queiram fazer disto um caso que não existe. Tinha um plano com o Bruno, tudo igual. Isto para vos dizer que o estatuto é uma coisa, as regras é que são iguais para todos. O estatuto permite ao jogador, pelo seu passado, que o treinador tenha cuidado com as decisões antes do jogo acontecer. Depois do jogo acontecer é a mesma coisa. O treinador tem de decidir e decide sempre em função do objetivo que é o melhor para a equipa. O estatuto do jogador não dá direitos que sejam diferenciados, o estatuto é o respeito pela carreira deles, como faço com todos, com o Cris, com outros que tive na carreira. Coloco sempre a questão do que quero fazer, do plano que quero traçar com o jogador e depois quem decide sou eu. Eles sabem, todos sabem que trabalharam comigo. Até os presidentes sabem. Num clube manda um presidente, na equipa mando eu”, salientou Jorge Jesus.

“O Cris não se recusou a treinar. Não treinou o Francisco Conceição, que estava lesionado, e o Félix, porque tentámos descarregar a fadiga e vamos ver amanhã. O Cris fez trabalho de ginásio. Fez mobilização no campo e depois fez trabalho de reforço para o hotel. Não recusou. Hoje vai treinar. É o quarto dia, portanto vai treinar. Vocês acham mesmo que algum jogador de uma seleção se recusa a treinar, de Portugal ou qualquer outra? Só se se quiser ir embora e tiver outras ideias, ninguém se recusa a treinar”, referiu, numa ideia que acabaria por ser quase uma premonição para o que estava a caminho de acontecer – e que era tudo menos trabalhar normalmente integrado com os restantes companheiros no relvado antes do jogo no Parken.

“Eu disse ao Cris que ele não ia jogar estes dois jogos. Pensei depois que durante o jogo se calhar podia precisar. Vai aquecer, depois não o pus no jogo. Qualquer jogador, quando andamos ali a aquecer 20 ou 30 minutos, e depois não entra, não gosta. Não há nenhum que fique contente, quanto mais o Cris, como o Pelé ou o Maradona. É esse o estatuto. Os direitos são iguais e como treinador decidi que não entrava. Porque falei com ele na terça-feira à noite? Obrigaram-me a falar com o Cris de um caso que não havia. Eu disse ‘Cris, em Portugal está a falar-se tanto que temos de falar, não estou a perceber o que está a acontecer’. Não havia nada para falar. O que falámos é o que ele disse. Ele disse: ‘Estou aqui para tu decidires. Queres que eu jogue, eu jogo. Queres que eu vá para bancada, eu vou’. O presidente veio, é óbvio, tem de estar aqui, com a equipa. Falando o que se estava a falar em Portugal, quis saber o que se passou. Mas depois de jantar já tínhamos resolvido o problema que não era problema…”, assegurou Jesus (mesmo não sendo assim).

“Posso prometer o que eu quiser. Sou o treinador, disse ao jogador que não era para jogar. Disse: ‘Vou levar-te para o banco, se precisar de ti 30 minutos vais jogar, se não, não vais jogar’. Nunca nenhum jogador vai mudar as minhas ideias, nem ele nem ninguém no futebol. O que prometi? Não ia lançá-lo no jogo mas disse que se precisasse ia jogar 20 ou 30 minutos e ele disse ‘Tudo bem’. Chegou ao jogo, mandei aquecer aos 45′, eu não sabia o que ia fazer. Isso foi o que fiz mal, devia tê-lo metido a aquecer uns 15 minutos mais tarde. Não sabia o que ia acontecer, comecei a ver e não o pus. O presidente Proença falou comigo e com o Cris porque é o papel de um presidente. Falar com o capitão, com o treinador quando há ruídos. Se não houvesse esse caso ele vinha na mesma, mas estivemos a falar os três. Já tinha falado com o Cris depois do jantar. Ele não veio resolver nada porque não havia nada para resolver”, voltou a frisar.

Dava a ideia de que tudo estava definitivamente resolvido. Aliás, sobrava até a ideia de que o foco deveria ser recentrado na partida frente à Dinamarca depois de todo o turbilhão. Jesus, visivelmente aliviado pela forma como correra a conferência de imprensa, percebeu no relvado que algo não estava bem. Logo nos instantes iniciais abertos à comunicação social, o técnico estava ao telefone com um semblante bem mais carregado. Aliás, na zona de entrevistas rápidas da SportTV e da RTP, que têm os direitos de transmissão do Dinamarca-Portugal, a forma como falou já foi bem mais contida do que uns minutos antes. No entanto, era demasiado tarde e, quando acabou esse período, passou pelo balneário e subiu para iniciar o treino, Ronaldo tinha deixado o Parken numa carrinha preta com o logo da FPF no vidro da frente para regressar ao hotel.

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