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Sunday, October 25, 2026

As notícias das 2h

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Duas horas. Muito boa noite, meu nome é Maria Miguel Marques. Vamos às notícias. Dezenas de polícias da PSP estão a cercar a Praça Dom João I no Porto e também estão perfilados no Teatro Dona Maria II, à beira da Praça do Rossio, em Lisboa. Em causa estão as manifestações da Acampada. As autoridades disseram que estes manifestantes, que neste momento são centenas, tanto na capital como na Invicta, poderiam ficar a pernoitar nestes locais, mas que não podiam erguer tendas. Ora, estes manifestantes em assembleia popular, há pouco votaram em permanecer nestas praças com tendas. Nesse sentido, a polícia já fez vários avisos e insiste que há uma forte possibilidade que nos próximos minutos, vejamos ação sobre estas centenas de pessoas, tanto no Porto como em Lisboa. Começamos por Lisboa, onde está o repórter David Bileu, a esta hora, na Praça do Rossio. Neste caso, a praça está completamente isolada, todas as ruas que cercam estão cortadas. O impasse entre polícias e os manifestantes persiste já há duas horas depois do primeiro aviso da PSP, David.

É verdade, Maria. Neste momento, o que estamos a assistir na Praça do Rossio é a um impasse. E neste momento temos algo novo, os agentes de segurança pública estão a avançar sobre os manifestantes neste preciso momento. Os manifestantes continuam aqui, não arredam pé e tudo indica que vai haver uma carga policial. A PSP já tinha feito o seu terceiro e último aviso a pedir a estes manifestantes para que retirassem as tendas deste local. Neste momento encontram-se aqui a avançar, pé ante pé, a aproximar-se dos manifestantes. Manifestantes que se encontram aqui no limite, perto à fonte de água, aqui na Praça do Rossio. Neste momento, é muito provável que estamos a assistir a uma carga policial. Estão praticamente frente a frente, os manifestantes e as forças policiais e vamos nos aproximar um bocadinho. Exatamente, é o que está a acontecer neste momento, uma carga policial.

David, estas pessoas que estão neste momento na Praça do Rossio já são mais do que nos dias anteriores, certo? Temos uma ação sobre uma maior multidão aqui na Praça do Rossio.

Exatamente, são centenas de manifestantes que se encontram aqui, dezenas de polícias. Ouvimos tiros neste momento. Enfim, é uma situação muito complicada.

Estas polícias mobilizaram-se também nas últimas horas, no caso, estiveram perfilados no Teatro Dona Maria II, certo?

Estiveram perfilados durante cerca de duas horas, perfilados no Teatro Dona Maria II e neste momento ouvimos os confrontos, tiros e os manifestantes aqui a manterem-se.

Percebemos se estes manifestantes estão a ser atingidos pela ação da polícia?

Não consigo perceber, Maria. Neste momento não consigo perceber, apenas ouço tiros. Também não me consigo aproximar propriamente do local. Estou a tentar aqui manter-me também numa zona de segurança. É complicado perceber o que está a acontecer exatamente no local onde os manifestantes e as forças de segurança se encontram. Apenas ouço tiros, cânticos, as pessoas continuam aqui a manifestar-se, "fascismo nunca mais".

Recordamos que a polícia, neste caso, age no momento em que fez o último aviso, há talvez minutos, que era o terceiro, e já tinham anunciado que iam agir. Neste momento, David, quantos polícias estão no terreno na Praça do Rossio?

São dezenas de polícias, Maria. São dezenas e agora os manifestantes estão de bandada, digamos assim. Estão basicamente a retirar-se, a ir pra trás. Creio que estes tiros que estamos a ouvir são tiros de alerta.

Sim, são petardos da polícia. Temos essa informação e também sabemos que as pessoas resistem, ou seja, as pessoas não estão a dispersar, correto?

Não estavam a dispersar, mas neste momento já começam a voltar atrás e a afastarem-se um pouco. Mas sim, ainda existe uma grande quantidade de pessoas perto das forças de segurança, Maria. Ainda existe.

Sim, a polícia neste momento está a cercar a Praça do Rossio. Recordo, todas as ruas estão cortadas à volta desta praça, mas esta ação policial está a vir de que frente, David?

Os polícias estavam perfilados em frente ao Teatro Dona Maria II e aproximaram-se, chegaram ao pé, avançaram a partir daí aos manifestantes. Vemos aqui também vários manifestantes a atirarem objetos, a tentar atingir também as forças policiais. Enfim, é uma situação muito complicada neste momento, Maria.

Mas lá está, ouvimos também algum som, alguns confrontos, gritos também por parte dos manifestantes. A ação continua a avançar.

A ação continua neste momento e a polícia está a avançar de forma bastante acelerada E as pessoas já não conseguem resistir. Os manifestantes não conseguem resistir à polícia, que está a empurrar os manifestantes para trás. Enfim, não têm outra alternativa neste momento, Maria.

Sim, não têm alternativa. No entanto, os manifestantes persistem. Conseguimos perceber com algumas imagens na televisão que os manifestantes continuam a argumentar com a polícia, apesar desta carga, continuam insubmissos, ou seja, continuam com alguma resistência, apesar da polícia estar a avançar aos poucos, cada vez mais. David, consegues confirmar, certo?

Sim, mas neste momento não creio que haja tanta resistência assim. As pessoas estão mesmo a sair e a correr para trás. É impossível, neste momento, resistir às forças de segurança. As pessoas neste momento já não resistem, praticamente.

Obrigada, David. Agora vamos ver um ponto de situação no Porto. Recordo, agora no Rossio, acabámos de ver uma carga policial em direto, na Praça do Rossio, que já tinha sido anunciada que poderia acontecer em momentos. No Porto está o repórter do Observador, Miguel Pinheiro Correia. Miguel, como é que é a situação neste momento na Praça D. João I?

Maria, o cenário aqui é semelhante ao que era descrito no Porto, quase em simultâneo. A polícia avançou também aqui na Praça D. João I. Ao contrário do que já aconteceu noutras intervenções policiais aqui, também a este movimento, começaram por atuar num dos lados da praça, ou seja, do lado da Praça Sá da Bandeira, os polícias desceram as escadas, aproximaram-se encostados a uma das estátuas, aproximaram-se por aí mesmo, começaram a furar essa parte da multidão. Era uma grande multidão humana que se juntava ali e a partir daí foi um cenário de caos. Já contamos várias pessoas que foram levadas pela polícia, uma carga forte sobre estes manifestantes que estavam a opor-se a essa ação policial, faziam um cordão humano. Só que desta vez a polícia entrou precisamente por um dos lados e agora está a empurrar os manifestantes para um dos lados da praça, está a levá-los para o outro lado da praça, enquanto alguns polícias vão empurrando estes manifestantes, outros estão a retirar as tendas, a empurrar as tendas.

Sim, Miguel, ouvimos neste momento também o som de cães, certo?

Sim, exatamente. É outra indicação aqui no Porto. Neste momento conto só três, os outros estarão noutro local, mas a polícia tem aqui seis cães e chegaram e de forma muito audível, os manifestantes também começaram a protestar. E vejo neste momento que estão a ser arremessados objetos. Há pouco vimos uma cadeira de campismo, que tem sido usada por estes manifestantes, foi atirada em direção à polícia. Vimos também um dos polícias a utilizar uma arma de choque. Ouviu-se, foi audível, essa ação num manifestante que já estava no chão. Tem sido este aqui o cenário, estes cães estão neste momento perto de mim, por isso são também mais audíveis. Mas pouco antes dessa intervenção policial, à semelhança do que já tinha acontecido na outra vez, ouviram-se alguns manifestantes já antecipando essa carga, quando os polícias começaram a mobilizar, ouviu-se a cantarem o Grândola Vila Morena. E como eu dizia, os polícias foram entrando por um lado e neste momento já quase não há manifestantes na Praça D. João I. Foi uma ação muito rápida. Os polícias foram entrando por um lado, cercaram os manifestantes e agora a praça está quase vazia. Estão aqui a retirar os manifestantes, foram retirando. Vê-se agora muitas tendas desmontadas no chão.

Mas já chegaram à parte das tendas, já conseguiram desmontar as tendas ou foram os manifestantes?

Não, não houve esse tempo, esse foi o impasse que fomos notando nos últimos instantes. Havia essa indicação para os manifestantes retirarem as tendas. Essa foi, aliás, a indicação que o organizador deste movimento, um dos organizadores desta manifestação, disse à polícia que iriam retirar as tendas e depois desse porta-voz ter comunicado aos jornalistas e ter comunicado aos outros manifestantes, a decisão não foi consensual. Aliás, a maioria dos manifestantes que estavam presentes começaram a criticar e então não tiraram as tendas, optaram por não tirar as tendas, à revelia do que tinha dito esse organizador à polícia, à revelia também da indicação dada pelo advogado que aconselhou os manifestantes a saírem, porque havia essa indicação de que poderiam continuar aqui, mas sem as tendas. E neste momento vamos ouvindo a visa dizer: "Voltaremos".

Estamos a ouvir gritos.

Essa é a indicação. Há pouco cantavam "Fascismo Nunca Mais", estão muitos de braço no ar, como que dizendo que não estão a resistir à polícia. A verdade é que, e o cenário que vemos agora na Praça D. João I, porque está quase vazia, os manifestantes estão todos de um lado muito perto do Rivoli, nessas escadas junto ao Rivoli. A ação da polícia foi muito rápida e neste momento a praça está quase vazia. Vemos os destroços, vemos umas tendas que foram sendo arremessadas pelo ar. Eles tinham, estes manifestantes, dois toldos, duas infraestruturas um bocadinho maiores, que serviam tanto de posto médico como de cantina e foram retiradas. Também está a chegar agora um caminhão da Câmara Municipal. Um, dois, três. São três que servirão para recolher estas tendas, para recolher estes objetos. É isso que vamos tentar perceber, sendo que alguns manifestantes estão a opor essa ação e por isso também a polícia está a tentar fazer com que os caminhões possam entrar na praça e vão retirar estas tendas que aqui continuam. E é esse o cenário, Maria. Para já, os manifestantes

Impotentes, estão de braço no ar a gritar: "Fascismo nunca mais!" e a dizer essa promessa de que voltarão.

Alguns gritos que fomos ouvindo durante a noite, aliás, até antes destas cargas policiais. Reportagem do jornalista Miguel Pinheiro Correia, em direto do Porto. Voltamos a Lisboa, onde o jornalista David Bilau continua e dá conta, no caso. Neste momento, os manifestantes já dispersaram, certo, David?

Sim, neste momento os manifestantes já dispersaram, Maria, mas eu encontro-me aqui na Praça da Figueira e encontra-se aqui bastantes manifestantes. As forças policiais de segurança estão aqui a fazer uma barreira pra impedir que qualquer manifestante volte para a Praça do Rossio, digamos assim. As pessoas aqui estão bastante mais dispersas, claramente, mas continuam a entoar cânticos, continuam a protestar contra as forças de segurança, que neste momento também já pararam de avançar sobre os manifestantes. Portanto, neste momento a situação está mais calma, mas de facto viveram-se momentos de grande tensão há bocado, com a polícia a disparar petardos e os manifestantes também em debandada da Praça do Rossio, não conseguiram resistir, viram-se obrigados a recuar. E, portanto, neste momento, agora, a situação mantém-se mais calma, mas ainda bastante tensa, Maria.

Já bastante tensa, no caso, após a ação da polícia, David, a polícia agiu de forma também bastante rápida, como foi no Porto?

Sim, foi bastante acelerada. No início, foi aproximando-se dos manifestantes, pé ante pé. Ao chegar perto, houve ainda resistências por parte de manifestantes, mas a partir de um certo momento aquilo que se viu foi as forças de segurança a avançar muito rapidamente sobre os manifestantes, a ganharem terreno e, portanto, estes manifestantes a recuarem, a verem-se obrigados a sair da Praça do Rossio e virem pra outras praças, principalmente aqui a Praça da Figueira. Portanto, neste momento, são cânticos, são protestos, muitas pessoas ali reunidas.

David, os manifestantes sofreram com carga policial. Temos relatos ou consegues ver alguém que terá sido ferido pela polícia neste momento?

Pudemos observar alguns primeiros socorros aqui perto da Praça da Figueira, mas não consigo me aproximar pra perceber exatamente quem ou se existem muitos feridos. Neste momento, creio que possam existir e que é provável que existam, mas não essa informação, Maria, porque de fato os manifestantes estão todos aqui muito juntos, muito próximos.

Exatamente. Mas foram dispersados em comunidade pela polícia, certo?

Exatamente, foram dispersados pela polícia, que avançou sobre os manifestantes e eles começaram a correr. Houve inclusivamente aqui, ao virar pra Praça da Figueira, foi principalmente onde se viveram os momentos mais tensos. Vimos uma grande correria, uma correria muito rápida por parte destes manifestantes. Não consegui ver exatamente o que as forças policiais neste momento estavam a fazer.

Neste momento, conseguimos perceber por imagens que também vamos percebendo pela televisão. As polícias estão a rodear a zona da praça também. Não é só na praça que a polícia faz presença, até porque, e volto a recordar, todas as ruas à volta da Praça do Rossio, em Lisboa, estão cortadas. Portanto, a polícia agiu após um terceiro aviso. Ou seja, a polícia já tinha avisado há pelo menos duas horas, aliás, há mais de duas horas que a polícia avisava os manifestantes da intenção de entrar, de intervir, no caso, por causa das tendas. Ou seja, David, não sei se me consegues confirmar exatamente que aquilo que foi dito aos manifestantes é que poderiam ficar, só que sem as tendas.

Exatamente. Aquilo que foi dito durante toda esta noite foi que os manifestantes poderiam ficar, mas não poderiam acampar, não poderiam montar as tendas depois da meia-noite e meia. Mas os manifestantes resistiram, entenderam que era necessária uma justificação formal, uma justificação escrita por parte da polícia para justificar, no fundo, a remoção das tendas, não desmontar. E, portanto, a polícia avisou três vezes, fez o terceiro e último aviso há pouco e passado poucos minutos desse aviso, então começou aqui a avançar sobre os manifestantes. Vimos aqui também, agora há pouco tempo, aqui na Praça da Figueira, um dos manifestantes atirar um cone de trânsito que se encontrava aqui, a tentar atingir também a polícia, mas que não chegou a atingir. E, portanto, neste momento, aquilo que assistimos é os manifestantes continuarem a protestar, a manterem-se aqui neste momento.

Continua alguma tensão aqui na zona da Praça do Rossio, é o que dá conta o jornalista David Bilau. E voltamos a olhar pro Porto, desta vez com um cenário diferente. Miguel Pinheiro Correia está em direto perto da Praça D. João I. Miguel, portanto, neste momento, a praça, por aquilo que conseguimos perceber, está vazia.

É exatamente essa a descrição que é possível fazer neste momento. Os manifestantes estão todos juntos, mesmo ao rivoli, na Rua do Bom Jardim. A praça está vazia de pessoas, entenda-se, ou pelo menos de manifestantes, porque já vemos tanto Polícia Municipal como equipes de limpeza da Câmara. Entraram rapidamente três carrinhas das equipes de limpeza da Câmara, que estão agora a recolher esses pertences. E à semelhança do que relatavas, também aqui foram feitos esses três avisos e foram audíveis. E a polícia frisou precisamente essa questão de retirarem os pertences. Muitos terão deixado aqui alguns desses pertences Que agora estão a ser recolhidos pelas equipes de serviços de limpeza da Câmara, sendo que, neste momento, a polícia, que como eu dava conta, fez um trabalho rápido aqui na Praça Dom João I e levou agora os manifestantes para dois lados, ou seja, empurrando em direção à Avenida dos Aliados, mas dividiu essa multidão aqui na Rua do Bom Jardim, em frente ao Rivoli, e foi empurrando os manifestantes para as ruas inferiores e superiores, em direção, eventualmente, à Avenida dos Aliados, essa tentativa de eventualmente dispersar a multidão. Mas tem sido um trabalho da polícia, são audíveis os protestos dos manifestantes, que muitos deles, e fomos vendo isso, é impossível para já ter essa noção, mas muitos foram levados pela polícia, não é possível determinar quantos, mas foram sendo levados alguns, pelo menos um associado também ao movimento, à organização do movimento, que eu consiga ter reconhecido no meio desta confusão. Mas mantêm-se esses gritos contra a polícia, esses protestos. A polícia que agora, e como eu disse, se dividiu para tentar controlar os manifestantes, agora em grupos mais pequenos, em duas ruas paralelas e perpendiculares à Avenida dos Aliados, ou seja, estão em duas ruas paralelas em direção à Avenida dos Aliados.

No que toca à presença, nós também estamos a ver mais pessoas no dia de hoje do que vimos nos dias anteriores, certo?

Sim, hoje a organização fala em milhares de pessoas, numa mobilização superior à de quinta-feira, isto é, a noite a seguir, à madrugada, em que houve uma intervenção policial mais musculada. E nesse dia a praça encheu-se, estava com muita gente e saíram da praça para ir a caminho da Avenida dos Aliados. Hoje, a descrição que era feita pela organização é de que estariam ainda mais pessoas. É impossível fazer com rigor essa comparação, mas a verdade é que estavam muitas pessoas, a praça estava cheia. Isto durante o dia, ou durante a tarde, final de noite. Agora, quando houve esta intervenção policial, diria que os manifestantes ocupavam um terço da praça, ou perto disso, estavam num cordão entre as tendas e a polícia, ou seja, até ao fim da praça, e foram aguardando essa ação policial. A certo momento também se sentaram, alguns deles, quatro, sentaram-se com cravos na mão enquanto aguardavam essa ação da polícia, que, e se calhar o contrário do que esperavam esses manifestantes, não aconteceu de forma homogênea, donde os policiais não seguiram propriamente em frente. Como eu dava conta também, entraram por um dos lados e a partir daí foram empurrando os manifestantes para o outro lado da praça, daí também ter sido uma ação muito rápida da polícia, foram empurrando. E agora também, já estamos a ver, neste momento, já não estão sequer a empurrar os manifestantes, estão eles a seguir em direção à Avenida dos Aliados enquanto gritam: "O povo unido jamais será vencido." Mantiveram-se estes gritos durante toda a intervenção policial, foram cantando, não numa parte inicial, estavam a tentar opor-se a essa ação da polícia, foram apanhados de surpresa e por isso também não tiveram grande tempo de reação. E, como eu dizia, depois a polícia foi interrompendo e de vez em quando iam surgindo esses gritos, esses cânticos, que se intensificam agora. Neste momento, a polícia já não está a perseguir os manifestantes, já não está a empurrá-los. Empurrou-os, sim, até fora da praça e agora eles estão a sair livremente daqui, ou estão a sair não livremente, mas após esta ação da polícia, estão a seguir em direção à Avenida dos Aliados, como também dava conta. E a polícia foi fazendo essa barreira, não só para os manifestantes, mas também para muitos turistas e muitos curiosos, não só turistas, que se foram acumulando aqui, precisamente em frente ao Rivoli, na zona onde a polícia acabou por fazer essa ação, já antevendo também essa concentração maior de pessoas nesta zona. E, por isso, neste momento, não só na Praça Dom João I, mas mesmo nas redondezas, são poucas as pessoas, muitos os polícias, mas poucos os manifestantes que por aqui continuam, foram sendo levados para lá, para fora da praça. E por isso, neste momento, como eu dava conta, o cenário é uma praça vazia de pessoas, já com as equipes da Câmara, tal como essa ação que notamos rápida da polícia, já também as equipes de limpeza a fazer esse trabalho.

Exatamente, Miguel. É o que estamos a ver, uma praça mais vazia no Porto, após a ação rápida da polícia. Foi uma ação que surgiu após o terceiro aviso para estes manifestantes dispersarem. Recordo que a polícia avisou, estes manifestantes tinham que sair, no caso, tinham que tirar as tendas que tinham lá postas, na Praça Dom João I, no Porto, mas também o mesmo cenário aconteceu na Praça do Rossio, em Lisboa, onde está David Bilé. David, neste momento, como é que está a praça? Continuam muitas pessoas?

Neste momento, já não me encontro na Praça do Rossio. Estive aqui na Praça da Figueira, onde muitas pessoas se concentraram, mas também se dispersaram pela Rua Augusta. Encontro-me neste momento a tentar ir para o Terreiro do Paço, para perceber se também lá existem conflitos e protestos dos manifestantes contra a polícia, mas creio que a principal concentração se deu aqui na Praça da Figueira, onde os manifestantes continuaram a entoar cânticos e continuaram a acusar os policiais e, no fundo, a dizerem que esta ação policial cheirava a ditadura. Portanto, neste momento, a situação é mais calma, os policiais já não estão a avançar sobre a população Sobre os manifestantes, vamos estando atentos para ver o que vai acontecer, Maria.

Sim, portanto, neste momento, e volto a recordar, o momento que mobiliza mais pessoas esta noite, certo, David?

É o que mais mobiliza, sim. Vimos dezenas de polícias e centenas de manifestantes em confronto. De facto, no momento em que estas duas forças se encontraram, os manifestantes ainda tentaram resistir aos avanços das forças de segurança, mas, na verdade, não conseguiram por muito tempo. As forças de segurança avançaram muito rapidamente, e inclusivamente lançaram petardos para também conseguir dispersar estas pessoas, obrigá-las a recuar.

Exatamente. E também conseguimos perceber à borda da televisão da RTP Notícias, que os polícias também estão em outros sítios. Ou seja, a polícia cercou a Praça do Rossio, acabou por cortar todas as ruas, mas também, neste momento, avança até mais longe. David, consegues perceber, neste momento, porque é que a polícia neste momento está a andar mais à volta desta zona?

Neste momento não consigo perceber. Chego aqui ao Terreiro do Paço, onde encontro uma situação muito mais calma. Não encontro aqui confrontos entre as forças de segurança e entre os manifestantes. Creio que esses confrontos acontecem na Praça da Figueira, onde de facto os manifestantes se encontram bastante próximos uns dos outros e continuam a atacar e, muitas vezes também a lançar objetos contra a polícia.

Sim, ou seja, no fundo a resistência que é possível, isto porque a carga policial foi muito rápida. David, conseguiste perceber de que forma, ou seja, como é que agiu a polícia? De que forma é que a polícia conseguiu avançar para com os manifestantes aí em Lisboa, no Rossio?

A polícia foi avançando. Primeiro fez o aviso. No primeiro aviso, deu cerca de cinco minutos, mas depois não agiu. No segundo aviso, deu menos tempo, três minutos, mas também não agiu. E no terceiro e último aviso, não deu qualquer prazo de tempo para os manifestantes retirarem as tendas e simplesmente, passado pouco tempo, avançou. Avançou primeiramente aproximando-se dos manifestantes de forma mais calma, mas a partir do momento em que começaram a haver confrontos, a polícia simplesmente começou a avançar mais rapidamente. Os manifestantes começaram no início a resistir, mas depois foram recuando e começaram também a correr e ir em debandada. Portanto, creio que a ação policial foi bastante eficaz na retirada quase imediata das pessoas na Praça do Rossio, Maria.

Sim, exatamente, até porque conseguimos perceber que houve alguma violência, certo, David?

Houve alguma violência. De facto, muitos manifestantes lançaram objetos contra a polícia. Não consegui perceber que objetos eram. Na Praça da Figueira houve um manifestante que atirou um cone de trânsito, que se encontrava aqui, a tentar atingir a polícia, mas não conseguiu. Mas de facto houve momentos de tensão, mais violentos, também com o lançamento de petardos por parte da polícia. Creio que houve ferimentos, não consegui aproximar-me do local para perceber a gravidade.

Mas percebeste de que formas, ou seja, o que é que a polícia utilizou para seguir contra estes manifestantes na Praça do Rossio há momentos?

A polícia utilizou o lançamento de petardos, utilizou também as barreiras e toda a sua proteção para fazer frente aos manifestantes, que tentaram contrariar a ação da polícia, mas acabaram por não conseguir e por ter de recuar. E neste momento a polícia, a partir do momento em que conseguiu a retirada dos manifestantes na Praça do Rossio, não avançou mais. Os manifestantes encontram-se dispersos, mas neste momento não se vê a polícia a avançar mais sobre manifestantes ou a ter qualquer tipo de reação aos objetos e também palavras que vão sendo lançadas contra os agentes.

Exatamente. Na capital, é o que conseguimos perceber neste momento, a polícia conseguiu de forma relativamente rápida afastar os manifestantes que estavam no Rossio. David, consegues também perceber, foram cerca de centenas de pessoas que hoje se juntaram em Lisboa para resistir às autoridades após vários avisos. Aliás, uma situação que aconteceu noutras noites. Também a polícia já tinha dito em várias alturas que os manifestantes poderiam ficar, isto sem tendas. David, exatamente, foi esta parte que as manifestantes disseram que não ia acontecer.

Os manifestantes não aceitaram a retirada das tendas, disseram que o discurso da polícia era incongruente e portanto decidiram não retirar. Mas a verdade é que um pouco antes da polícia avançar sobre estes manifestantes, pudemos ver alguns manifestantes a apelar para que o melhor caminho seria de facto a retirada das tendas, mas de facto não foi esse o caminho seguido, porque a grande maioria dos manifestantes não tomou outra decisão e, portanto, é isto que se encontra neste momento, Maria.

Exatamente. Muito obrigada. É aquilo que nós conseguimos perceber agora. Dezenas de polícias acabaram de intervir na Praça Dom João I, no Porto, mas também no Rossio, portanto, na Praça do Rossio, onde estavam centenas de manifestantes. Aquilo que conseguimos perceber, lá está, tanto com o nosso repórter do Porto como o nosso repórter de Lisboa, é que neste momento as pessoas já foram dispersadas. Esta ação foi bastante rápida e correu exatamente da forma como a polícia queria. Estes manifestantes em assembleia popular tinham votado em permanecer com tendas, exatamente aquilo que a polícia tinha dito que não poderia acontecer. Portanto, é isso que demos conta ao longo da última meia hora, isto porque foi por volta das duas da manhã que a polícia agiu. Nesse sentido, voltaremos dentro de meia hora a tentar perceber o que acontece neste momento, tanto na Invicta como em Lisboa, manifestantes, isto recordo o movimento da Acampada. É exatamente o que persegue neste momento estas pessoas já mais dispersadas. Continuamos a ouvir alguns protestos por parte destes manifestantes, tanto por causa da causa, mas também por causa das intervenções que fomos assistindo. Até já.

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