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Saturday, October 17, 2026

Como o Veritá cravou o resultado do 1º turno das eleições de 2026? Fundador explica

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RESUMO +

O Instituto Veritá ganhou projeção após divulgar estimativas próximas aos resultados do primeiro turno presidencial de 2026. Fundada há 31 anos, a empresa utiliza entrevistas telefônicas automatizadas e afirma ter realizado levantamentos nas 27 unidades da Federação. À EXAME, o fundador Adriano Silvoni detalha a metodologia, comenta a precisão dos números e apresenta os planos de expansão do instituto.


Quando o brasileiro pensa em pesquisa eleitoral, nomes como Datafolha e Quaest estão entre os primeiros que vêm à cabeça. Mas, no primeiro turno das eleições de 2026, um instituto menos conhecido nacionalmente ganhou destaque ao divulgar números muito próximos do resultado das urnas. Fundado em Uberlândia, Minas Gerais, o Instituto Veritá apontou Flávio Bolsonaro (PL) com 47% dos votos válidos e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 45%. Na votação, o senador recebeu 47,03%, contra 45,16% do presidente, uma diferença de aproximadamente 2,2 milhões de votos entre os dois candidatos.

Por trás dos números está uma empresa fundada em 1995, que participa de eleições desde 1996 e afirma ter realizado mais de 7 mil projetos eleitorais. Atualmente, o Veritá trabalha com uma equipe de 30 colaboradores e utiliza entrevistas telefônicas automatizadas. No primeiro turno deste ano, realizou dez rodadas de pesquisas nas 27 unidades da Federação.

Em entrevista à EXAME, o fundador do instituto, Adriano Silvoni, atribui o desempenho à experiência acumulada, ao aperfeiçoamento da metodologia e ao investimento em tecnologia. Ele reconhece, porém, que a proximidade entre as estimativas e o resultado oficial foi excepcional.

"Ainda que nascesse outras cinco vezes e realizasse pesquisas durante mais 300 anos, a cada quatro anos, talvez não conseguisse repetir um resultado tão preciso", afirma.

A declaração também ajuda a dimensionar o caráter incomum do resultado. Afinal, uma pesquisa eleitoral não tem como objetivo prever os percentuais exatos das urnas, mas retratar as preferências dos eleitores no período da coleta e identificar tendências da disputa. Mesmo levantamentos realizados com rigor metodológico estão sujeitos a incertezas, e as intenções de voto podem mudar até o dia da eleição.

No caso do Veritá, a proximidade também apareceu entre candidatos que tiveram percentuais menores. O instituto estimou 2,8% dos votos válidos para Augusto Cury, que recebeu 2,89%, e 2,2% para Renan Santos, que terminou com 2,24%.

Silvoni diz que o resultado não foi fruto apenas do acaso. Segundo ele, o instituto desenvolveu ao longo de três décadas um modelo que combina levantamentos estaduais, ponderação estatística e tecnologia para coleta e análise dos dados. A metodologia será mantida no segundo turno entre Flávio e Lula.

Como funciona a metodologia do Veritá?

O Veritá utiliza entrevistas telefônicas automatizadas, com respostas registradas por sistemas eletrônicos e submetidas a procedimentos de processamento estatístico. Segundo Silvoni, o modelo foi desenvolvido ao longo de anos de pesquisas eleitorais e passou por aperfeiçoamentos tecnológicos.

A definição das amostras considera a distribuição territorial do eleitorado e características como sexo, faixa etária, escolaridade e renda. Para isso, o instituto utiliza informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Uma das características do método é a realização de levantamentos estaduais para compor a estimativa nacional. Os resultados são ponderados de acordo com o peso eleitoral de cada unidade da Federação, evitando que estados com eleitorados menores tenham influência desproporcional no resultado do país.

Segundo o fundador, o instituto também utiliza recursos de inteligência artificial para processar e analisar as respostas, além de sistemas que permitem auditar os procedimentos de coleta.

Silvoni afirma que a abrangência territorial ajuda a acompanhar as diferenças de comportamento entre os eleitores brasileiros. Para ele, a diversidade regional foi um dos desafios das pesquisas de 2026, especialmente diante da polarização entre os dois principais candidatos.

"O Brasil não vota de maneira uniforme. Além das diferenças entre eleitores de faixas etárias, religiões, cores e raças distintas, existem também diferenças significativas entre estados e municípios", afirma.

O instituto também identificou, segundo o fundador, uma concentração das intenções de voto nos principais candidatos e a redução do apoio aos demais concorrentes na reta final da campanha.

Questionado sobre o que o Veritá fez de diferente dos institutos que divulgaram números distintos, Silvoni evitou estabelecer uma comparação de superioridade entre as metodologias.

"Não considero adequado afirmar que uma metodologia é superior a todas as outras", diz.

No tratamento dos entrevistados sem preferência declarada, o Veritá afirma separar votos brancos, nulos, indecisos e pessoas que não respondem. Para apresentar os percentuais de votos válidos, utilizam-se procedimentos estatísticos específicos, que não significam identificar em quem os indecisos efetivamente votarão.

Quem está por trás do Instituto Veritá?

A história do Veritá começou em 1995, em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. A empresa passou a atuar em eleições no ano seguinte e, desde então, afirma ter realizado mais de 10 mil projetos, dos quais mais de 7 mil relacionados ao ambiente eleitoral.

A estrutura operacional mudou ao longo desse período. Nas eleições de 2016 e 2020, o instituto chegou a trabalhar com mais de mil colaboradores, incluindo profissionais autônomos e mais de 300 contratados pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Em 2026, a empresa passou a operar com uma equipe de 30 colaboradores e realizou suas pesquisas sem coleta presencial, utilizando entrevistas telefônicas automatizadas.

O instituto mantém sua estrutura histórica em Uberlândia e ampliou a presença institucional e comercial em Brasília. Segundo Silvoni, o modelo atual combina profissionais especializados, tecnologia de coleta, processamento estatístico e equipes que também trabalham remotamente.

O fundador afirma que a experiência em eleições anteriores contribuiu para o desenvolvimento da metodologia. Ele cita a disputa presidencial de 2014, quando o Veritá apontou que Aécio Neves avançaria ao segundo turno contra Dilma Rousseff, e a eleição de 2022, quando, segundo ele, a estimativa final para presidente ficou dentro da margem de erro em relação ao resultado oficial.

Silvoni também destaca os levantamentos realizados nas eleições municipais de 2024. Naquele ano, o instituto pesquisou as 51 cidades que tiveram segundo turno. De acordo com seu balanço, apontou corretamente o vencedor em 49 municípios. Em uma cidade, a ordem dos candidatos ficou invertida, mas dentro da margem de erro, e em outra o instituto não acertou o resultado.

Nas disputas estaduais de 2026, o fundador afirma que o Veritá identificou os vencedores de 25 das 27 eleições para governador e 50 dos 54 eleitos para o Senado entre os dois primeiros colocados de suas pesquisas.

Os índices fazem parte do balanço apresentado pelo próprio instituto e não foram verificados de forma independente nesta reportagem.

O que muda para o segundo turno?

Apesar da proximidade entre as pesquisas e os resultados das urnas, Silvoni afirma que o Veritá não pretende fazer alterações na metodologia para o segundo turno entre Flávio Bolsonaro e Lula.

Questionado sobre o que mudaria, respondeu: "Nada".

Segundo ele, o instituto manterá os critérios de coleta, processamento, análise e apresentação dos resultados utilizados no primeiro turno.

O fundador também descarta mudanças retrospectivas no trabalho realizado antes da votação.

"Não faríamos nada diferente", afirma.

A proximidade de uma pesquisa com o resultado eleitoral, no entanto, não garante que o mesmo desempenho se repita em levantamentos futuros. As pesquisas representam as preferências registradas durante a coleta e estão sujeitas a incertezas estatísticas e metodológicas.

Veritá planeja ampliar atuação após eleições de 2026

A repercussão do primeiro turno também passou a integrar os planos de expansão do instituto, que pretende fortalecer sua presença nacional e ampliar os serviços oferecidos a governos e empresas.

Silvoni afirma que a atuação do Veritá não se limita às pesquisas eleitorais. A empresa também desenvolve estudos sobre o comportamento dos consumidores, avaliação da administração pública e qualidade dos serviços municipais.

Um dos projetos é o Veritá Gov, criado para medir a percepção da população sobre os serviços prestados pelas prefeituras.

Segundo o fundador, o levantamento ouviu quase 100 mil pessoas nas 100 maiores cidades brasileiras durante o primeiro trimestre de 2026. O questionário reúne mais de 70 perguntas e avalia 51 serviços municipais.

A pesquisa foi repetida no segundo e no terceiro trimestres. Para os últimos três meses do ano, a previsão é ampliar a cobertura para 200, 300 ou até 400 municípios.

O instituto também pretende expandir sua presença em Brasília e desenvolver novos projetos de pesquisa de mercado e avaliação de governos. Silvoni cita trabalhos realizados anteriormente para empresas privadas, incluindo um projeto de pesquisa e auditoria desenvolvido durante aproximadamente dez anos para a Coca-Cola.

Embora reconheça que a eleição ampliou a visibilidade da empresa, o fundador não informou quantos novos contratos foram fechados após o primeiro turno.

"Acreditamos que a atividade de pesquisa não deve ficar restrita aos períodos eleitorais", afirmou.

Para Silvoni, a expansão deve ocorrer sem comprometer a credibilidade construída desde a fundação da empresa.

"Queremos que o Instituto Veritá seja reconhecido não apenas pelos resultados eleitorais, mas também pela qualidade das informações que produz, pela independência de sua atuação e pelo compromisso permanente com a verdade e a ética", diz.


Perguntas frequentes sobre o Instituto Veritá

Quem é o fundador do Instituto Veritá? +

O Instituto Veritá foi fundado em 1995 por Adriano Silvoni, em Uberlândia, Minas Gerais. A empresa atua em pesquisas eleitorais, de mercado e de avaliação de governos.

Qual foi o resultado da pesquisa Veritá para presidente em 2026? +

Na última pesquisa antes do primeiro turno, o Veritá apontou Flávio Bolsonaro com aproximadamente 47% dos votos válidos e Lula com 45%. Os candidatos receberam, respectivamente, 47,03% e 45,16% dos votos válidos nas urnas.

Como o Veritá realiza suas pesquisas eleitorais? +

O instituto utiliza entrevistas telefônicas automatizadas, com amostras distribuídas pelas unidades da Federação. Os resultados são ponderados por características do eleitorado e pelo peso eleitoral de cada estado.

Quantas pessoas trabalham no Instituto Veritá? +

Segundo Adriano Silvoni, o instituto trabalha com 30 colaboradores em 2026. Nas eleições de 2016 e 2020, chegou a contar com mais de mil profissionais, incluindo contratados e autônomos.

O Veritá vai mudar sua metodologia no segundo turno? +

Não. O fundador afirmou que serão mantidos os mesmos critérios de coleta, processamento e análise utilizados no primeiro turno de 2026.

O que é o Veritá Gov? +

É um projeto do instituto voltado à avaliação dos serviços públicos municipais. Segundo a empresa, a pesquisa ouviu quase 100 mil moradores das 100 maiores cidades brasileiras no primeiro trimestre de 2026.

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