Cães podem viver mais? Estudo testa medicamento contra envelhecimento
Um projeto científico nos Estados Unidos testa se um medicamento pode prolongar a vida dos cães e reduzir problemas relacionados ao envelhecimento. O ensaio faz parte de uma iniciativa que acompanha milhares de animais para investigar como genética, ambiente e estilo de vida afetam a longevidade.
Batizado de Dog Aging Project (Projeto Envelhecimento Canino), o estudo reúne cães domésticos de diferentes raças, incluindo animais sem raça definida, além de variadas idades, tamanhos e sexos. A iniciativa foi detalhada em um artigo publicado na revista científica Nature.
O projeto também pretende ampliar o conhecimento sobre mecanismos biológicos do envelhecimento que possam ser relevantes para a saúde humana.
O que os cientistas descobriram sobre envelhecimento dos cães
Grande parte do conhecimento sobre a biologia do envelhecimento vem de pesquisas de laboratório com mamíferos, como camundongos e ratos, e invertebrados, como moscas-das-frutas e nematódeos. Os cães domésticos oferecem características diferentes para esse tipo de investigação. A espécie apresenta grande diversidade de tamanho, forma e comportamento, além de variações na expectativa de vida e nas doenças associadas à idade.
Esses animais também compartilham o ambiente com os humanos e apresentam muitos dos declínios funcionais e doenças relacionados ao envelhecimento observados nas pessoas. Outro fator é que passam pelas etapas da vida em um período mais curto.
Essas características permitem acompanhar os animais por longos períodos e avaliar como diferentes fatores influenciam a saúde e a longevidade.
Rapamicina é testada para aumentar a longevidade
Uma das frentes do projeto testa diretamente uma possível intervenção contra o envelhecimento. Cães de grande porte e de meia-idade participam de um tratamento de um ano com baixas doses semanais de rapamicina.
Em estudos com camundongos, o medicamento demonstrou prolongar a vida e melhorar a saúde dos animais em até 25%. Isso, porém, não significa que o mesmo efeito ocorrerá nos cães.
O objetivo do ensaio é testar a hipótese de que a rapamicina possa aumentar a expectativa de vida, melhorar as funções cardíaca e cognitiva e diminuir a incidência de doenças relacionadas à idade.
Segundo os pesquisadores, trata-se do primeiro ensaio clínico realizado fora de um ambiente de laboratório com um medicamento que utiliza medidas de longevidade e saúde como desfechos. Isso não significa, porém, que a rapamicina já tenha demonstrado prolongar a vida dos cães. É justamente essa hipótese que está sendo testada.
Genética e ambiente entram no 'mapa' da longevidade
O projeto não se limita ao teste de um medicamento. Os cientistas estão reunindo uma grande quantidade de informações para investigar como diferentes fatores interferem no envelhecimento. Entre os dados analisados estão históricos médicos, condições ambientais e sequenciamento completo do genoma. Amostras de sangue, urina, pelo e fezes também são coletadas regularmente.
De acordo com o estudo, mais de 10 mil cães já tiveram o genoma completamente sequenciado. Os dados poderão ajudar a identificar variantes genéticas e avaliar como elas interagem com fatores ambientais e de estilo de vida.
Os animais também passam por avaliações anuais de sua fisiologia. As análises vão desde medidas do organismo como um todo até alterações moleculares identificadas no sangue e em outros materiais biológicos.
Cães podem ajudar a entender o envelhecimento humano
Os cientistas pretendem utilizar o grande volume de informações coletadas para construir modelos biológicos do envelhecimento canino. A combinação de dados genéticos, ambientais, médicos e moleculares pode ajudar a identificar quais fatores estão associados a diferenças na forma como os animais envelhecem.
Os pesquisadores também esperam desenvolver biomarcadores preditivos e prognósticos do envelhecimento. Essas ferramentas poderão ser utilizadas em pesquisas clínicas destinadas a investigar intervenções capazes de aumentar o período de vida saudável dos animais.
Como cães compartilham o ambiente humano, apresentam doenças semelhantes e envelhecem mais rapidamente, os pesquisadores avaliam que algumas descobertas também poderão contribuir para estudos sobre envelhecimento em humanos.
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