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Tuesday, November 3, 2026

The White Buffalo fala à RS sobre shows no Brasil e novo álbum: ‘Preciso de pressão para criar’

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Jake Smith, o músico norte-americano que se apresenta sob o nome The White Buffalo, retorna ao Brasil em novembro de 2026 para uma turnê de oito shows em seis estados. Apresentada pela Sellout Tours e pela Powerline Music & Books, a jornada começou em Belo Horizonte (6/11, Befly Hall) e São Paulo (7/11, Audio), e segue para Porto Alegre (9/11, Opinião), Florianópolis (11/11, Life Club), Curitiba (14/11, Tork n’ Roll), Brasília (18/11, Toinha), Fortaleza (20/11, Dragão Hall) e Recife (21/11, Armazém 14). Os ingressos já estão à venda pela Fastix.

Compositor prolífico e indicado ao Emmy, Smith construiu sua carreira à margem das grandes gravadoras e das rádios convencionais, por um caminho que combina folk, blues, country e rock de raiz, marcado por uma voz grave e inconfundível. O alcance do seu trabalho cresceu, em grande parte, graças às trilhas sonoras: foram 11 músicas em Sons of Anarchy, além de aparições em Californication (2007), The Punisher (2017), Longmire (2012) e This Is Us (2016). O álbum de estúdio mais recente é Year of the Dark Horse (2022); em 2025, lançou A Freight Train Through The Night, registro ao vivo gravado no Belly Up, em San Diego, que reúne mais de 20 anos de carreira em repertório. Um novo álbum de estúdio foi gravado em junho de 2026, ainda sem data de lançamento nem gravadora confirmada.

A primeira passagem pelo Brasil, em 2024, deixou marcas. Smith chegou ao país sem saber exatamente o que encontraria — e se deparou com filas na chuva depois dos shows, fãs à sua espera no aeroporto e na porta do hotel, além de barracas de produtos não oficiais espalhadas pela calçada do Audio, em São Paulo. “Nunca tinha sentido algo assim”, disse ele à Rolling Stone Brasil. A turnê de 2026 amplia a cobertura geográfica daquela primeira visita, acrescentando Florianópolis, Brasília, Fortaleza e Recife ao mapa.

Antes de embarcar, Smith conversou com a Rolling Stone Brasil sobre a influência do punk rock na sua música, o papel de Sons of Anarchy na expansão da sua base de fãs e um processo criativo que, segundo ele mesmo, depende de uma pressão quase caótica para funcionar. A seguir, a entrevista completa:

Você cresceu ouvindo country, mas também descobriu o punk rock na adolescência. O que o punk trouxe para você que a música country não poderia oferecer?
Acho que os dois têm uma ética semelhante, especialmente alguns dos artistas country que ouvia enquanto crescia, como Waylon Jennings e George Jones. Eles tinham uma atitude de não aceitar qualquer coisa, algo que muitos artistas punk também compartilham.

A cultura punk, de modo geral, tem muito a ver com fazer as coisas por conta própria, com uma abordagem independente da vida, das turnês e da conexão com o público. Ela também trouxe um pouco mais de agressividade à minha música. Esse lado está presente no que faço.

Naquela época, eu ainda nem tocava guitarra ou escrevia canções. Estava apenas ouvindo e absorvendo tudo aquilo. Mas parte dessa influência aparece no meu trabalho, especialmente nessa natureza mais agressiva, nessa vontade de ser um pouco mais feroz do que o country costuma permitir.

O que você está mais ansioso para vivenciar ao voltar ao Brasil? Você já esteve aqui antes. Existe algo que espera experimentar de maneira diferente desta vez?
Da última vez, fiquei quase impressionado com o impacto emocional que tudo aquilo teve sobre mim. A paixão dos fãs e o tamanho do público foram muito marcantes. Eu tinha 50 anos e estava descobrindo um mercado inteiro em que nunca havia tocado antes.

Sinceramente, espero encontrar um pouco da mesma energia desta vez. Todos os shows tiveram um público incrível, e a paixão das pessoas foi impressionante. Não sei se conseguirei viver exatamente a mesma experiência, porque aquela foi a primeira vez que estive no Brasil e senti tudo aquilo.

Existe uma troca de energia entre o público e o palco. É uma via de mão dupla: você oferece algo, as pessoas devolvem, e isso se transforma em um grande ciclo de energia. Nunca tinha sentido algo assim.
O que os fãs brasileiros podem esperar dos próximos shows? Na última turnê, havia muitos motociclistas e pessoas usando roupas que identificavam seus grupos. Você espera reencontrar esse público e acredita que ele estará ainda maior desta vez?

Não tenho expectativas muito específicas. Não fiquei surpreso com a quantidade de pessoas, porque acredito que o sucesso das minhas músicas em Sons of Anarchy (2008) ajudou a criar todo esse público. Sou muito grato por isso.

Minha trajetória começou com filmes de surfe, então, inicialmente, meu público era formado por muitos surfistas. Depois, algumas músicas apareceram em séries, e a audiência começou a se expandir. Escrevi canções sobre ir à guerra e acabei conquistando também um público ligado ao universo militar. Então, minhas músicas chegaram a Sons of Anarchy, e surgiu mais um grupo de fãs.

Não penso muito em todas essas coisas, mas sou grato por elas. Consigo perceber como isso impactou minha carreira de uma maneira enorme. Sem o sucesso da série e sem ela ter apresentado minha música a tantas pessoas, não conseguiria fazer turnês e tocar para milhares de pessoas em lugares como a Turquia, por exemplo.

Não somos uma banda de rádio, nunca estivemos em uma grande gravadora e não tivemos grandes campanhas de divulgação ou muito apoio desse tipo. Nosso trabalho cresceu principalmente pelo boca a boca. Quando sua música chega a pessoas que já se importam com algo, como uma série, um filme ou outro programa de televisão, isso faz uma diferença enorme.

Acho que havia 11 músicas minhas em Sons of Anarchy, a maioria composições que eu já tinha escrito. Em certo momento, minha voz quase se tornou parte da identidade da série. Muitas pessoas começaram a perceber: “Nossa, é a mesma voz! É o mesmo cara!”. Isso fez com que descobrissem meu trabalho e fossem atrás de outras músicas do meu catálogo.

Então, sim, espero encontrar muitos motociclistas e fãs desse universo nos shows.

Na última passagem pelo Brasil, havia pessoas vendendo camisetas e outros produtos não oficiais do White Buffalo nas ruas, demonstrando o tamanho da paixão dos fãs. Como você se sente ao ver esse tipo de manifestação?
Quando chegamos ao primeiro local em que tocamos, em São Paulo, vimos seis ou sete barracas vendendo produtos não oficiais. Algumas pessoas poderiam ficar incomodadas com isso, mas achei incrível. Nunca tinha visto tantos produtos desse tipo sendo vendidos do lado de fora de um show.

Pensei que aquilo provavelmente prejudicaria as vendas dos produtos oficiais lá dentro, mas não me importei. Achei maravilhoso. Não me incomodaria se a marca White Buffalo se tornasse muito conhecida por aqui.

É incrível. Em Los Angeles, posso andar pelas ruas e talvez uma vez por mês alguém venha falar comigo, perguntando se sou o cara de determinada música ou série. Às vezes, consigo até passar despercebido.

Aqui no Brasil, porém, há pessoas me esperando no aeroporto, aparecendo no hotel e ficando durante horas na chuva depois dos shows. É quase como se eu fosse famoso apenas quando chego a determinados lugares.

Prefiro assim, porque não gosto muito desse aspecto da fama no dia a dia. Mas é muito legal. É emocionante e realmente incrível perceber todo esse carinho.

Depois de tantos anos de carreira, o que mais desafia você como compositor? Está ficando mais difícil surpreender a si mesmo ou escrever músicas se tornou mais interessante com a experiência? Como funciona seu processo criativo?
Não sei. Estou sempre com medo de que a fonte seque, de que eu simplesmente não consiga mais fazer isso.

Gravamos um álbum novo em junho, mas eu não tinha nada pronto. Fazia uns quatro anos que eu não terminava uma música, e eu realmente não tinha material suficiente. Tivemos algum tempo de pré-produção, durante o qual mostrei algumas ideias para a banda, mas praticamente não tinha nada pronto em termos de letras.

Preciso de um prazo. Preciso me colocar em uma situação de pressão, quase como se fosse necessário entrar em um estado de mania forçada. Quando consigo terminar a primeira música, porém, as outras começam a fluir.

Escrevi provavelmente 90% das letras durante os nove dias em que gravamos as partes principais do álbum. Preciso dessa pressão e desse esforço.

Estou sempre experimentando coisas, escrevendo e desenvolvendo algumas ideias, mas elas nunca ficam realmente prontas até eu entrar no estúdio e precisar concluí-las.

Então, quando você finalmente entra no estúdio, as músicas começam a surgir rapidamente?
Sim. Dessa vez, eu nem conseguia acreditar na velocidade com que as músicas estavam surgindo. Escrevi algumas delas no próprio estúdio, praticamente do zero.

Mas não sei dizer se ficou mais fácil com o tempo. Estou sempre com medo de ter perdido a inspiração, de ter esgotado minhas ideias.

Quando você pensa nos próximos anos, o que mais o empolga? Você se imagina tocando em grandes arenas pelo mundo e fazendo turnês cada vez maiores? Como enxerga o futuro do White Buffalo?
Na verdade, nunca estabeleci objetivos desse tipo e nem costumo sonhar muito dessa maneira. Tento pensar que hoje é hoje e que vamos superar o que aparecer pela frente.

Estou muito empolgado para lançar o novo álbum. Faz quase quatro anos desde que lançamos um disco de estúdio completo, então estou animado para apresentar esse material ao público.

Desta vez, o álbum é muito mais voltado para a banda. Não usamos metrônomo nem faixas de marcação rítmica durante as gravações, e os outros integrantes tiveram muito mais espaço para mostrar seu trabalho. Os arranjos e os diferentes instrumentos ganharam bastante destaque.

Nos discos anteriores, os outros músicos muitas vezes nem conheciam as canções antes de entrar no estúdio. Era a primeira vez que ouviam o material, e precisavam descobrir suas partes praticamente na hora. Agora, eles tiveram um pouco mais de tempo para pensar, experimentar e deixar as coisas respirarem.

Estou muito empolgado para apresentar essas músicas ao mundo e tocá-las para as pessoas. Talvez a gente estreie algumas delas nesta turnê, pelo menos uma, provavelmente.

Ainda não sabemos exatamente quando o álbum será lançado e nem temos uma gravadora no momento. Estamos procurando uma parceria para o disco.

Mas o próximo ano será bastante movimentado, com muitas turnês para divulgar o álbum, levar essas músicas ao público e fazer com que elas cheguem ao coração e aos ouvidos das pessoas.

(Entrevista por Luis Maluf)

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