Moraes envia à PGR 118 laudos da PF sobre operação contra CV no Rio
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou nesta quinta-feira (8) o envio à PGR (Procuradoria-Geral da República) de 118 laudos da Polícia Federal sobre a Operação Contenção contra o Comando Vermelho, realizada nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, em outubro de 2025. As perícias analisaram vídeos de câmeras corporais de policiais, fotografias e laudos cadavéricos.
Do total, 12 laudos foram elaborados a partir de vídeos captados pelas câmeras corporais utilizadas por policiais da Core (Coordenadoria de Recursos Especiais). Outros 106 foram produzidos com base em fotografias e laudos cadavéricos disponibilizados pela Polícia Civil do Rio.
A PF também encaminhou ao ministro uma análise do conteúdo dos vídeos dos policiais da Core durante a operação.
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Moraes determinou que a PGR observe "rigorosamente o sigilo das informações e as normas relativas à cadeia de custódia", que garantem a preservação e o registro do manuseio das provas. O material foi entregue ao STF em um HD externo e pendrives.
Perícias foram determinadas em fevereiro
A análise do material pela PF havia sido determinada por Moraes em fevereiro deste ano, no âmbito da ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas.
Na ocasião, o ministro afirmou que as manifestações apresentadas ao STF continham informações por vezes contraditórias e que eram necessários esclarecimentos complementares para analisar a Operação Contenção e o cumprimento das decisões no processo.
Moraes deu cinco dias para que o governo do Rio encaminhasse à Polícia Federal todas as câmeras ou imagens captadas durante a operação. A PF deveria realizar a perícia, com transcrição e laudo, em até 15 dias após receber o material.
O ministro também determinou que o Ministério Público do Rio esclarecesse sua participação em todas as fases da operação e apresentasse seu protocolo de fiscalização da atividade policial, com a identificação dos responsáveis e das medidas adotadas.
Um dos pontos questionados foi o exercício desse controle pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), em vez do Gaesp (Grupo de Atuação Especial da Segurança Pública e Controle Externo da Atividade Policial), órgão com atribuição de acompanhar e fiscalizar o cumprimento das decisões da ADPF 635.
Ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça), Moraes pediu informações sobre o andamento da análise do Plano Estratégico de Reocupação Territorial apresentado pelo governo do Rio de Janeiro em dezembro de 2025.
O despacho de fevereiro também citou um relatório da Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados que apontava indícios de execuções, torturas, ocultação de cadáveres e adulteração de cenas de crime durante a operação. Essas conclusões foram atribuídas ao relatório e não representam uma decisão definitiva do STF sobre os fatos.
Operação Contenção
A megaoperação policial "Contenção" foi realizada nos complexos do Alemão e da Penha, em outubro do último ano. A ação conjunta das Polícias Civil e Militar, que utilizou cerca de 2.500 agentes, visava combater a expansão territorial do CV (Comando Vermelho) e cumprir aproximadamente 100 mandados de prisão contra lideranças, incluindo 30 de outros estados.
A operação resultou no saldo de 121 mortos, superando o Massacre do Carandiru e tornando-se a mais letal da história do país. Entre os 113 presos, estava Thiago do Nascimento Mendes, o "Belão", braço direito do líder do CV, "Doca". Foram apreendidas 118 armas, sendo 91 fuzis.
O dia da operação foi marcado por intensos confrontos e "caos" na cidade, com o fechamento de escolas e desvios de transporte público.
Diante da crise, o governo federal e estadual anunciaram a criação de um escritório conjunto para intensificar a cooperação no combate ao crime organizado.
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