Bola maior e limite de velocidade: entenda regras e desafios do Brasil no futebol em cadeira de rodas


Power Soccer de Rio Claro é destaque na seção de esportes adaptados do Museu do Futebol
A seleção brasileira ficou perto de garantir uma vaga no Mundial. Na Copa América de novembro de 2025, disputada em Phoenix, nos Estados Unidos, o Brasil perdeu por 1 a 0 para a equipe anfitriã na última partida e terminou na quarta colocação, fora das três vagas destinadas aos primeiros colocados.
Para Marco Aurélio Pereira, presidente da Associação Brasileira de Futebol em Cadeira de Rodas (ABFC), a derrota foi dolorosa, principalmente porque a equipe tinha chances reais de classificação. Agora, o planejamento se volta para o próximo ciclo, com a proposta de formar duas seleções brasileiras, uma adulta e outra de jovens, além de realizar pelo menos seis torneios no próximo ano.
A ideia é ampliar o número de equipes, proporcionar mais ritmo de jogo aos atletas e fortalecer o desenvolvimento da modalidade em diferentes regiões do país.
Seleção brasileira na Copa América de Seleções, realizada nos EUA em 2025 — Foto: Reprodução/Instagram
— Seguimos trabalhando duro para que, na próxima Copa, possamos competir em igualdade de condições com todos os adversários — afirmou o presidente.
Apesar da ausência da seleção, o Brasil terá dois representantes na arbitragem da Copa do Mundo: Luiz Claudio Santos e Roney Wesley.
Entenda o formato e as regras do power soccer
As partidas são disputadas em dois tempos de 20 minutos. Cada equipe pode inscrever oito jogadores, com quatro em quadra por vez: três atletas de linha e um goleiro. Não existe impedimento na modalidade. Para favorecer a fluidez do jogo e a segurança dos atletas, há regras específicas para a disputa da bola, incluindo restrições à aproximação de um terceiro jogador em determinadas situações.
As cadeiras motorizadas utilizadas pelos atletas não podem ultrapassar a velocidade de 10 km/h, e a bola possui 33 centímetros de diâmetro, sendo maior do que a utilizada no futebol convencional.
A bola do power soccer é 2,5 x maior que uma bola de futebol de campo convencional
A bola do power soccer é 2,5 x maior que uma bola de futebol de campo convencional — Foto: Reprodução/Instagram
A possibilidade de integrar o programa dos Jogos Paralímpicos permanece entre as expectativas de desenvolvimento do power soccer. Para que isso aconteça, porém, a modalidade precisa atender aos critérios e processos de reconhecimento estabelecidos pelas entidades responsáveis pelo movimento paralímpico.
Enquanto esse objetivo não se concretiza, o desafio é fortalecer a estrutura no Brasil, ampliar as oportunidades para novos atletas e preparar a seleção para disputar uma Copa do Mundo.
Quinze anos de power soccer no Brasil
Para atletas que encontram barreiras para praticar outras modalidades esportivas, o power soccer representa a possibilidade de participar de uma competição coletiva, desenvolver habilidades e construir uma trajetória no esporte. Atualmente, segundo dados da associação, o Brasil conta com cerca de 100 atletas e seis equipes em atividade, além de outras três com previsão de início no próximo ano.
Na avaliação de Marco, um dos principais avanços dos últimos anos foi o aumento no número de competições e encontros entre as equipes. Além de proporcionar mais oportunidades para os atletas, a frequência dos eventos contribui para manter a motivação e fortalecer a modalidade no país.
Atletas que representaram o Brasil na Copa América 2025, em Phoenix, EUA — Foto: Reprodução/Instagram
Acredita que o trabalho conjunto entre atletas, clubes, famílias e dirigentes foi fundamental para a evolução da modalidade. Ele também destaca a importância dos investimentos em treinamento, equipamentos, competições e formação de árbitros para que o país pudesse desenvolver uma seleção capaz de enfrentar equipes tradicionais do cenário internacional, como Estados Unidos e Argentina.
— Ainda temos muitos desafios, principalmente na busca por apoio e patrocínio, mas estamos trabalhando para expandir a modalidade e torná-la cada vez mais forte no Brasil — disse.
Para o presidente da ABFC, ampliar o apoio ao esporte é fundamental para estruturar novas equipes e organizar competições em regiões onde o power soccer ainda não chegou. Atualmente, a modalidade tem representantes no Rio de Janeiro, em Minas Gerais, em São Paulo e em Fortaleza. A expectativa é ampliar essa presença com a formação de equipes em Brasília e Chapecó.
O sonho da Copa
Fernando Nascimento conheceu o power soccer aos 25 anos. Vascaíno e apaixonado por futebol, ele tem atrofia muscular degenerativa e nunca havia considerado a possibilidade de praticar futebol até ser abordado na rua por outro cadeirante, que também era atleta de futebol em cadeira de rodas. O convite para conhecer a modalidade mudou sua relação com o esporte.
Fernando Nascimento é o camisa dez e capitão do clube Novo Ser — Foto: Divulgação
O primeiro treino foi em 2017. Desde então, Fernando não abandonou as quadras. Para ele, o power soccer representa algo além de uma a oportunidade de jogar futebol, é também um espaço que se sente livre.
— Na quadra, todo o medo, o preconceito e o julgamento ficam de fora. Lá eu sou livre e sou feliz — contou.
Um ano após o primeiro treino, recebeu sua primeira convocação para a seleção brasileira. A experiência o levou a conhecer outros países e a vivenciar situações que antes pareciam distantes. Hoje, ele também se orgulha de servir de referência para atletas que estão começando na modalidade.
Brasil fica em quarto lugar na Copa América e não se classifica para Copa do Mundo de Power Soccer, na Argentina — Foto: Reprodução/Instagram
Como outros atletas, Fernando ainda tem objetivos a alcançar com a camisa da seleção. Entre eles, está a participação em uma Copa do Mundo.
— Ganhar seria perfeito, mas só participar e dizer “eu participei da Copa do Mundo de power soccer” é meu maior sonho, com certeza.
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