Análise: Cruzeiro escancara descontrole defensivo e oscilação perigosa na briga pela Libertadores


Artur Jorge também comentou sobre os dois primeiros gols sofridos pelo Cruzeiro
Artur Jorge manteve João Marcelo na vaga de Fabrício Bruno e Felipe Morais no lugar de Wesley. Com Romero lesionado, Zé Lucas ganhou nova oportunidade entre os titulares. Na lateral direita, William seguiu no time, enquanto Fagner sequer foi relacionado.

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Os primeiros minutos pareciam promissores. Arroyo avançava pelo lado direito, Zé Lucas encontrava espaços, e Felipe Morais tinha liberdade para jogar. O Bragantino ainda não conseguia controlar a posse de bola, nem criar as melhores chances. Mas bastou um escanteio para o Cruzeiro voltar a expor suas fragilidades defensivas.
Uma falha coletiva na marcação, somada a uma saída errada de Otávio, abriu caminho para Lucas Barbosa marcar após cobrança de escanteio de Wallace Yan. Oito minutos depois, o roteiro se repetiu. Em outra cobrança de Wallace Yan, pelo mesmo lado, William desviou de cabeça, e a bola bateu em Kaio Jorge antes de entrar. Gol contra, e um Cruzeiro cada vez mais perdido defensivamente.

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O time até tentou reagir. Afinal, os problemas defensivos não comprometeram a criação de jogadas. A Raposa terminou a partida com 25 finalizações e exigiu sete boas defesas de Thiago Volpi. Mas, ao mesmo tempo em que buscava o ataque, deixava espaços na defesa.
Bragantino x Cruzeiro — Foto: Marco Galvão/ Cruzeiro
Em mais uma demonstração de desorganização, o Cruzeiro viu Volpi lançar para Fernando, que arrancou e levou a melhor sobre a marcação. O restante da defesa demorou a recompor, deixou espaço para Sasha tentar a finalização e Eric Ramires aproveitar a sobra para marcar.
O Cruzeiro, que sofreu 44 gols em 30 jogos do Brasileirão, se viu mais uma vez exposto e obrigado a correr atrás do placar para evitar uma goleada. Na reta final do primeiro tempo, Zé Lucas, um dos poucos destaques positivos da equipe, conseguiu diminuir a desvantagem.
Mudanças adiantaram?
Na segunda etapa, Artur Jorge fez mudanças na tentativa de reorganizar a defesa. Tirou Rojas e William e colocou Viña na lateral esquerda e Fabrício Bruno na direita. Ao longo do jogo, abriu mão de mais um zagueiro para deixar o time mais ofensivo. O cenário pouco mudou. A partida continuou corrida, aberta e com espaços para o Bragantino explorar.
O time de Bragança Paulista chegou a marcar o quarto gol, mas o lance foi anulado por impedimento. Minutos depois, em uma jogada envolvendo Kaio Jorge e Matheus Pereira, Matheus Henrique encontrou espaço para finalizar e diminuir a diferença. O alívio, porém, durou pouco. Aos 45 minutos, Volpi acertou mais um lançamento, dando início ao contra-ataque que terminou com gol de Herrera.
Artur Jorge no Cruzeiro — Foto: Anderson Romao
Um sonoro 4 a 2 para abalar um Cruzeiro que vinha de uma boa atuação contra o São Paulo e tinha a chance de entrar no Z-4. Ao fim da partida, Kaio Jorge resumiu o problema:
"A gente vem em altos e baixos, jogamos dois jogos bons, e depois outro ruim."
O Cruzeiro, hoje, não consegue manter um padrão de jogo e, principalmente, de desempenho. Vai de atuações seguras a partidas marcadas por erros, desorganização e pouca capacidade de reação. Cada jogo parece apresentar uma versão diferente, para o bem ou para o mal. E essa oscilação preocupa em um momento decisivo da temporada.
Restam 24 pontos em disputa, e um objetivo claro: garantir a vaga direta na fase de grupos da Libertadores. A classificação segue ao alcance, mas o Cruzeiro precisa encontrar regularidade e corrigir problemas defensivos que já deixaram de ser pontuais. Na reta final do campeonato, não há mais espaço para ignorar erros que se repetem há tanto tempo.
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