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Friday, September 25, 2026

TJRJ decide que advogados de Jairinho não devem pagar custas de júri adiado

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Anteriormente, eles haviam sido condenados pela juíza responsável pelo júri de ressarcir todos os gastos judiciários do julgamento que não aconteceu. Com a decisão Fabiano Lopes, Zanone Junior, Robson Dupim, Tamara Bessa e Davi Pimenta deixarão de pagar as custas, mas ainda seguem suscetíveis a avaliação e possíveis sanções da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).

À época, os advogados deixaram o plenário após alegarem que não tinham tido acesso a um notebook listado como prova para o processo. Ao UOL, durante o julgamento, a defesa relatou que o conteúdo do aparelho não tinha sido analisado pelos advogados, e que isso prejudicaria a atuação da equipe na representação do réu.

Voto no sentido de conceder parcialmente a segurança para desconstituir a decisão impugnada na parte em que declarou a retirada dos Impetrantes defensores da sessão plenária como ato atentatório à dignidade da Justiça, os condenou ao ressarcimento ao erário dos prejuízos decorrentes do adiamento da sessão plenária e determinou providências destinadas à futura apuração e cobrança desses valores, mantendo-se a determinação de comunicação à Ordem dos Advogados do Brasil para eventual apuração ético disciplinar, na forma da legislação aplicável.
Desembargador Joaquim Domingos de Almeida Neto

O julgamento

O julgamento estava marcado para acontecer a partir de 23 de março no II Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. Contudo, após o abandono da defesa, a sessão teve de ser adiada para o dia 25 de maio.

Por fim, após idas e vindas, Jairo Souza Santos Júnior foi condenado a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão pela morte do enteado Henry Borel. Já a mãe do menino, Monique Medeiros Costa e Silva de Almeida, teve seu crime desclassificado para homicídio culposo (quando não há intenção de matar) e recebeu o perdão judicial.

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A condenação foi proferida pela juíza Elizabeth Machado Louro na madrugada do dia 4 de junho. A condenação aconteceu no 11º dia de julgamento, o mais longo da história do Rio de Janeiro.

Jairinho foi condenado pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, tortura e coação no curso do processo. O padrasto de Henry ainda foi condenado a pagar R$ 400 mil em indenização por danos morais ao pai da criança, Leniel Borel.

Já Monique teve a acusação de homicídio doloso desclassificada pelos jurados, que entenderam que houve apenas negligência por parte da mãe. Ela foi condenada por omissão diante da tortura do filho.

Após a decisão dos jurados, a mãe de Henry foi sentenciada pela juíza a 1 ano e 4 meses de detenção pela omissão. Mas, como Monique já cumpriu o tempo durante a prisão preventiva, a pena foi considerada encerrada e ela deixará a prisão.

Antes da condenação, a acusação e a defesa debateram diante dos jurados. O júri escolhido para analisar o caso estava em isolamento total, sem acesso a redes sociais, desde o começo do julgamento.

Jairinho e Monique foram presos em abril de 2021, mas ela teve a prisão relaxada por um mês em março de 2026. Na ocasião, a juíza acatou um pedido da defesa da mulher, que alegou "excesso de prazo".

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Monique foi presa novamente em 20 de abril, após decisão do ministro do STF Gilmar Mendes. O ministro alegou que a gravidade do delito e o histórico de coação de testemunhas justificavam a manutenção da prisão de Monique, que se entregou na delegacia.

Onze dias de julgamento

Dois dias antes da primeira sessão, um dos advogados do vereador cassado infartou e a defesa pediu que a Justiça aguardasse a recuperação dele, o que foi negado. "Se for para morrer, que eu morra com a beca lá dentro", disse Fabiano Lopes, 49, em declaração ao voltar para o plenário.

No segundo dia de julgamento, após a negativa de adiamento, um dos advogados de Jairo deixou a defesa. Sergio Figueiredo disse que manter a sessão foi "irresponsabilidade e desrespeito" com Fabiano Lopes e afirmou que fez 23 requerimentos à Justiça, sem sucesso.

Entre as testemunhas ouvidas no caso estavam duas ex-namoradas de Jairo, a filha de uma delas, uma ex-babá do garoto e uma ex-empregada doméstica do casal. A médica que atendeu Henry no hospital e a delegada que investigou o caso também falaram diante do júri.

A ex-babá de Henry, Thayná Ferreira, disse que Monique pediu que ela apagasse mensagens relatando as violências sofridas pelo menino. A profissional disse que ela e outra funcionária da casa foram levadas a um advogado após o crime. Lá, elas teriam sido pressionadas a apagar mensagens do celular e a dar uma entrevista.

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Monique, que depôs ontem, culpou Jairinho pelo crime pela primeira vez. "Eu acho que foi, eu creio que foi [ele]. Hoje, assim, pelo modus operando dele, pelas ex-namoradas, pelos filhos, sim, eu acredito que pode ter sido ele", afirmou.

Jairinho, por sua vez, alegou que derrubava a criança em "brincadeiras" e seguiu negando as acusações de tortura e agressão. Ele foi o último a falar ontem, depondo após Monique.

Relembre o caso

Jairinho e Monique Medeiros eram réus por homicídio triplamente qualificado, tortura e coação. Henry Borel, filho de Monique, morreu em março de 2021, com quatro anos. O corpo do menino apresentava sinais de agressão.

Inicialmente, o menino foi levado a um hospital particular na Barra da Tijuca. No local, o casal afirmou que ele teria sofrido um acidente doméstico.

Laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou 23 lesões por ação violenta. O documento cita, entre os ferimentos, laceração hepática e hemorragia interna, que teriam causado a sua morte.

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Uma reprodução simulada com modelagem em 3D foi anexada ao processo e reforça a tese de agressões múltiplas. O material conclui que as lesões são incompatíveis com queda e diz que a disposição dos móveis e a altura dos objetos não explicam a gravidade dos traumas.

Polícia Civil concluiu que Henry era vítima de rotinas de tortura e que a mãe tinha conhecimento das agressões. O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) afirma que, em outras três ocasiões em fevereiro de 2021, Jairinho teria submetido a criança a sofrimento físico e mental com emprego de violência.

Jairinho teve o mandato de vereador cassado em 30 de junho de 2021, após a repercussão do caso. Na votação, 49 dos 50 vereadores presentes votaram pela cassação.

A Justiça do Rio manteve a cassação em 2024 e negou o recurso da defesa. A relatora, desembargadora Jaqueline Lima Montenegro, escreveu que "a sentença não merece reforma" e rejeitou o pedido para anular o decreto legislativo que declarou a perda do mandato.

Julgamento estava marcado para março deste ano, mas foi adiado após a defesa de Jairo abandonar o plenário. Os advogados alegaram que não tiveram acesso completo ao conteúdo de um notebook usado por Leniel Borel, que foi anexado ao processo.

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