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Sunday, November 8, 2026

Depósito de gasolina com 15 litros é a nova estratégia pa...

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Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Operação Stop, chegou a hora de parar o trânsito por um pouco. Programa da seção Auto do Observador. Falamos de automóveis nos próximos minutos. Eu sou o Miguel Cordeiro. Comigo, já está o Alfredo Lavrador. Alfredo, bem-vindo.

Olá, Miguel. Obrigado.

Vamos falar dos elétricos plug-in. Há aqui mexidas, há aqui novos planos da União Europeia. Vamos lá explicar o que se passa. Há aqui um diferendo entre a Comissão Europeia e os veículos com mecânicas híbridas de plug-in. O que está a passar?

A origem do diferendo é, sobretudo, tecnológica. Sabes que já falámos aqui várias vezes dos plug-in. E eu, como muitos técnicos desta área, entendo os plug-in como uma excelente opção. Por quê? Porque permitem, simultaneamente, circular em elétrico no dia a dia, aquelas idas e voltas pro escritório, pro trabalho, pra escola, por aí fora, às compras, etc. E depois, ao fim de semana, teres mais liberdade e simultaneamente também pras férias e pra o que quer que seja, para circular utilizando apenas um motor a gasolina, uma vez que a bateria pode não ter sítio para recarregar. Mas desde 2021, passou a ser obrigatório instalar em todos os veículos ligeiros, de passageiros ou comerciais novos, uma coisa, um palavrão que eu vou te dizer só para me divertir, é que é o OBFCM, que não dirá nada aos nossos ouvintes, mas na prática é o On-Board Fuel Consumption Monitoring. É um sistema que regista todo o tipo de utilização e os consumos dos veículos produzidos a partir de 2021, enviando depois os dados para o construtor, automaticamente, sem qualquer intervenção do condutor. O condutor nem sonha, aliás. Estamos aqui a dar uma novidade a quem nos ouve e tem um carro mais recente do que 2021. É o construtor que depois envia os dados para a União Europeia. Sucede que todos estes dados permitiram comparar os valores entre os consumos anunciados e os verificados em condições reais de utilização. E o que descobriu um bocadinho a careca, como se costuma dizer aos PHEV, os tais híbridos plug-in, que se revelou desastroso, uma vez que provou que eles emitem seis vezes mais CO₂, e isto é direto, ou seja, significa que consomem seis vezes mais do que o anunciado.

Por causa da má utilização?

Exatamente, em condições reais de utilização. Emitindo cerca de uma média de 145 gramas de CO₂ por quilômetro, em vez das 24 que anunciam, calcula tu a diferença. E então esta discrepância entre valores anunciados e a realidade tem vindo a aumentar. Ou seja, não estamos a ficar melhor, estamos a ficar piores. Logo, urge fazer qualquer coisa.

Pois. Propostas é que existem para resolver este problema, do lado da Comissão Europeia e do lado dos construtores?

Olha, do lado da Comissão Europeia, apesar de terem técnicos ao seu serviço, não cabe propor soluções. O que eles fizeram foi solicitar às marcas, apresentar o diferencial enorme entre os dados anunciados e os dados reais, e sugeriram: "Vocês arranjem uma solução para isso, pelo amor de Deus". E os construtores já fizeram isto. No passado, e tu lembras, também já foi tema de uma Operação Stop no passado, os diesel, quando começaram a ter AdBlue, ou seja, uma injeção de uma solução à base de ureia, não confundir com urina. Não anda longe, mas é diferente. Este injetor de uma solução de ureia, permite fazer trabalhar os redutores catalíticos seletivos e reduzir drasticamente também as emissões poluentes. E os construtores resolveram isso numa penada, em cinco minutos. Basicamente, criaram um software. Por quê? Por que criaram software, antes de mais? Porque as pessoas não abasteciam de AdBlue, eles criaram um dispositivo que, caso o veículo não tivesse AdBlue no depósito, que o impedia de funcionar corretamente, o veículo entrava em modo de segurança, que podias andar o que tu quisesses, mas a 40 km/h. O que era um bocadinho entediante. E então a União Europeia pretendia que os construtores chegassem à frente com propostas. Sucede que não houve propostas e então a União Europeia acabou por se virar para a Federação Europeia dos Transportes e Ambiente, conhecida vulgarmente por TIE, que propõe uma série de coisas. Aliás, já propôs em 2025 e em 2026 voltou a apurar as suas propostas, propondo baterias maiores para permitir autonomias em modo EV de 200 quilômetros e motores a gasolina ou diesel mais pequenos e com apenas 15 litros no depósito. Ou seja, um depósito de apenas 15 litros. A ideia é que o depósito à gasolina permita fazer 220 quilômetros no máximo, para os motores elétricos e as baterias permitirem 200 quilômetros de autonomia.

Isto é viável, a proposta agora apresentada? Essa proposta parece-me limitar demasiado.

Percebi que até te falhou a voz.

Sim.

O que não é fácil, que eu conheço-te bem e tu nunca falhas a voz.

Mas esta proposta é viável? É que reduz aqui, limita bastante a capacidade que pode ter o depósito. Há plugins com depósitos que permitem aos veículos fazer longuíssimas distâncias.

Tens toda a razão, Miguel. É muito complicado. Eu creio que é uma solução para não ser adotada. Imagina as negociações entre o Trump e o Irão. A ideia é propor uma coisa tão horrorosa que leva o adversário a dizer: "Espera que eu arranjo aqui uma solução melhor, no interesse de ambos". E o que se passa aqui é que 420 quilómetros entre gasolina e baterias não agrada a ninguém.

Há carros elétricos que já fazem isso.

Temos elétricos que fazem 800 quilómetros. E não custam assim tanto mais quanto os híbridos plugin. Aliás, os PHEV, os tais híbridos plugin, anunciam hoje 1000 quilómetros de autonomia. Grande parte à conta dos-

Esse é o poder.

Exatamente. O problema é que a ênfase nos híbridos plugin modernos é tão grande na parte de combustão, que muita gente compra os carros apenas porque aquilo não paga IA, tem ajudas governamentais e o carro fica extremamente barato. Então tem um carrão enorme, que por acaso até pode andar elétrico, mas eles nunca carregam, porque não estão para sujar as mãos, agarrar no cabo, ligar aquilo à corrente, é uma chatice. E logo, os carros não cumprem a função para a qual recebem incentivos fiscais. Para ajudar este problema, os carros chineses perceberam o catch e então começaram a explorar não só o mercado dos elétricos, como também o mercado dos híbridos plugin. E ainda em setembro, o híbrido plugin mais vendido na Alemanha, que durante anos foi o Tiguan, passou a ser uns carros chineses. E deixou os alemães verdadeiramente à beira do ataque de nervos.

Sim. Que outras soluções é que poderiam ser encontradas para limitar a capacidade dos plugin e continuarem a utilizar alguns incentivos, ou pelo menos não estarem a usufruir de incentivos que não merecem, podemos dizer assim?

Olha, Miguel, eu repito aquilo que disse há pouco. Os PHEV são uma excelente opção para quem não tem uma rede de carga à disposição, ou seja, não está perto de nenhum posto de carga e não pode carregar em casa. Mas só se tu tiveres interesse em carregar, porque senão, não vale a pena. Tens incentivos fiscais, compras um carro qualquer. Olha, os híbridos, por exemplo, que são muito mais eficientes, ou seja, gastam muito menos do que os híbridos plugin, porque são muito menos pesados. O híbrido plugin, ao contrário dos híbridos só, tem que carregar com as baterias, com o motor elétrico muito maior e por aí fora. Mas dizia eu que uma solução perfeitamente viável, e suponho que seja aquilo que vai acabar por ser implementado, é o corte radical das ajudas aos PHEV.

Certo.

E então os PHEV, é uma tecnologia excelente, com imenso potencial, mas tem que se impor por ela própria. E isto por quê? Porque quem os utiliza, não os utiliza como deve ser, pelo menos a ponto de merecer os incentivos de que beneficia. Depois os construtores vão arranjar uma solução. Eu acredito que possam arranjar pequenos motores a combustão só para recarregar as baterias, aqueles, os REVs ou REX, há várias denominações para isso. E o carro continua a andar a gasolina quando tu não tiveres hipótese de o recarregar, mas não é um carro com 600 ou 700 cv, que hoje em dia existe no mercado, fruto do motor a gasolina, que depois tem um motorzinho elétrico que lhe permite fazer 100 ou 150 km em modo elétrico, mas a velocidades controladas, porque se aceleras a fundo, entra o motor a gasolina outra vez.

Vamos ver como corre esta negociação e como ficou.

Está animado, porque eles estão se a divertir.

Sim. Alfredo, está feito por esta semana. Voltamos na próxima semana com um novo tema, com um novo episódio. Um abraço.

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