As notícias das 3h
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São três horas. Boa noite, o meu nome é Maria Miguel Marques, vamos às notícias. Esta noite ficou marcada na última hora por intervenções policiais na Praça do Rossio, em Lisboa, e na Praça Dom João I, no Porto, em causa as manifestações da acampada, manifestações, que recordo, pelo direito à habitação. As autoridades, no início desta noite, disseram aos manifestantes, que foram centenas nestas praças, que poderiam ficar a pernoitar nestes locais, mas que não poderiam erguer tendas. Ora, estes manifestantes, em assembleia popular, votaram em permanecer com estas tendas. Nesse sentido, a polícia fez três avisos a insistir numa possibilidade de intervir sobre estas pessoas, o que acabou por acontecer por volta das duas da manhã. Por agora, já conseguimos perceber que essas pessoas acabaram por dispersar, ou seja, esta força policial que se fez sentir, tanto em Lisboa como no Porto, acabou por resultar. Ora, na Praça do Rossio, esteve a acompanhar estes momentos de grande tensão e de confronto o jornalista David Bileu, que conseguiu perceber que houve alguma violência. David.
É verdade, Maria, e neste momento há informação nova. As forças policiais começaram aqui na Praça da Figueira a avançar e os manifestantes foram obrigados a recuar e neste momento não há qualquer tentativa por parte dos manifestantes de fazer frente ao avanço das forças policiais. Neste momento aquilo que vemos são as forças a avançar, pé ante pé, e os manifestantes a dispersar para outras ruas aqui em Lisboa. Portanto, neste momento é uma informação nova, acabou de acontecer agora. Estivemos aqui na Praça da Figueira, também assistimos aos primeiros socorros dados a alguns dos feridos que aconteceram aqui, o INEM estava aqui, mesmo em frente da estátua Dom João I, a socorrer as pessoas que ficaram feridas. Vimos uma pessoa com uma ligadura na cabeça. Não temos o número certo de feridos, mas os manifestantes dizem que são cerca de nove pessoas que podem ter sido levadas diretamente para o hospital. Neste momento temos a polícia a avançar e os manifestantes a recuar e, portanto, eu neste momento encontro-me também aqui a recuar frente ao avanço da polícia, Maria.
Exatamente, dar conta deste avanço policial. David, a polícia acabou por avançar e neste momento já nem na Praça do Rossio se encontra, ou seja, a polícia acabou por avançar para fora, para dispersar ainda mais os manifestantes que continuam com alguma atitude de protesto. Ora, do lado do Porto, na Praça Dom João I, está o jornalista Miguel Pinheiro Correia a dar conta da situação, que parece um pouco mais calma, Miguel.
Entretanto, seguimos, Maria, da Praça Dom João I para a Avenida dos Aliados, porque seguimos o rumo da multidão de manifestantes que foram empurrados, digamos assim, pela polícia até à Avenida dos Aliados. Foram empurrados, pelo menos num primeiro momento, para fora da Praça Dom João I e depois então havia um cordão a impedir a reentrada desses manifestantes na praça e o rumo natural, seguiram as ruas até à Avenida dos Aliados, onde agora se encontram dezenas de manifestantes aqui em frente à Câmara Municipal do Porto. E o que está a ser feito, neste momento, é uma espécie de contagem dos feridos, sendo que há pouco uma das porta-vozes do movimento, Catarina dos Santos, dava-nos conta de mais de 30 feridos, mas é uma contagem preliminar, ou seja, uma das pessoas do movimento diz quem ficou ferido que levante a mão, as pessoas vão levantando os braços e é assim feita esta contagem. Certo é que pelo menos duas pessoas saíram agora de ambulância daqui, foram primeiro assistidas pela equipa de socorro deste movimento e entretanto foram levadas há instantes. As duas ambulâncias saíram daqui há pouquíssimo tempo e foram levadas, foram pelo menos essas duas que tiveram esta assistência, mas há a indicação de parte do movimento que não foram os únicos feridos. O movimento acampada fala também em, pelo menos, dois detidos. Vimos mais do que duas pessoas a serem levadas pela polícia, mas é certo que pelo menos alguns já estarão de regresso aqui à praça, por isso não terão sido detidos. Mas é certo, o movimento fala em dois, é um número que ainda teremos que confirmar com a polícia, que neste momento não está na Avenida dos Aliados. Mal se vê polícia, vê-se dois carros da Polícia Municipal mais afastados, numa zona onde está montado um palco para as comemorações do exército, que decorreram e ainda estão a decorrer aqui na cidade do Porto nos últimos dias. Mas, fora isso, a Polícia de Segurança Pública, que esteve em grande número na Praça Dom João I, ficou lá, onde entretanto, numa coordenação muito rápida, assim que a polícia arrastou os manifestantes para fora da praça, entraram de imediato os serviços de limpeza da Câmara Municipal para começar a retirar essas tendas e outros objetos, mantimentos que ficaram no chão depois dessa ação policial, que durou menos de 10 minutos, foi muito rápido, até que conseguisse empurrar todos os manifestantes para um dos lados da praça. Entretanto, também, como dava conta, reuniram-se aqui na Avenida dos Aliados, onde estão a tentar perceber a dimensão desta ação, quantos feridos causou, ao certo, para este movimento.
O repórter do Observador, Miguel Pinheiro Correia, em direto na Praça Dom João I, no Porto, dá conta de um momento em que ainda tentamos perceber quantos feridos é que esta intervenção rápida da polícia nesta praça, mas também equivalente ao que aconteceu na Praça do Rossio, numa altura em que em Lisboa não temos bem a certeza dos feridos e detidos que esta intervenção acabou por causar. Mas a verdade é que, tanto de um lado como do outro, na capital e na Invicta, a multidão já foi bastante dispersada. Ontem, o líder do Partido Socialista disse que estava em solidariedade com estes manifestantes. José Luís Carneiro criticou o silêncio do primeiro-ministro. O secretário-geral do PS falava aos jornalistas em Coimbra. Carneiro diz que Luís Montenegro devia dar a cara ao país.
Aquilo que eu tenho ouvido desses manifestantes é que, fundamentalmente, querem que o primeiro-ministro meta na gaveta a nova lei das rendas, porque as pessoas perceberam, como qualquer pessoa percebe que olhe para aquela lei, que esta é uma lei que vai facilitar os despejos. É incompreensível, sobretudo o silêncio do primeiro-ministro. Era muito importante que o primeiro-ministro aparecesse ao país, dar a cara, explicar quais são os seus objetivos para responder à crise da habitação.
São declarações de José Luís Carneiro, da RTP. O líder dos socialistas rejeita ainda responsabilidades de anteriores governos do PS no setor da habitação e do arrendamento. E falamos agora de futebol. O Futebol Clube do Porto venceu o Gil Vicente por 1 x 0 e soma a nona vitória em nove jogos na Liga, a primeira vez desde que as vitórias valem três pontos. Os azuis e brancos vinham de dois jogos seguidos a perder para a Liga dos Campeões e o gol de Borja Sáenz, na segunda parte, evitou agravar esta crise. O treinador Francesco Farioli assume que era importante a vitória, ainda para mais contra uma equipa difícil como o Gil Vicente.
Foi muito importante ter uma boa reação após a derrota na Liga dos Campeões, com uma performance com muita atitude, mas acima de tudo, conseguir mais três pontos e chegar aos 27.
O treinador do Porto, Francesco Farioli, em declarações após a vitória do Futebol Clube do Porto, em Barcelos, por 1 x 0. Dar nota ainda que Portugal continental e as regiões autónomas da Madeira e dos Açores atrasaram na última hora os relógios. Começou o horário de inverno. A mudança de hora afeta a relação entre o relógio interno do corpo e o horário social, que pode exigir vários dias de adaptação para algumas pessoas. As crianças e os adolescentes podem apresentar maior sonolência e desconcentração ao longo das próximas semanas. Alguns especialistas sugerem, neste momento, estratégias como rotina de sono consistente, passar tempo ao ar livre, praticar atividade física, restringir estimulantes e ecrãs antes de se deitar, adequar a alimentação e manter o quarto confortável. O objetivo é regular o relógio biológico natural do corpo e acelerar a adaptação a esta mudança de hora que assistimos esta noite. Ponto final neste jornal das 3:00 a.m. A informação está de regresso às 3:30.
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