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Monday, October 12, 2026

O que Lula e Flávio devem fazer para vencer a eleição? Analistas respondem

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O UOL consultou cientistas políticos e especialistas em marketing político para perguntar o que Flávio e Lula precisam fazer para ganhar a eleição.

O que Flávio precisa fazer?

O senador precisa focar nos votantes indecisos e eleitores de outros candidatos. "A estratégia de Flávio Bolsonaro é a de quem está à frente: consolidar seu campo político, reduzir a rejeição e evitar erros", explica Alessandro Costa, cientista político e professor de direito eleitoral. Para isso, o candidato do PL precisa se aproximar e formar alianças com dirigentes políticos e seus respectivos eleitorados, como Ronaldo Caiado e Romeu Zema, que confirmaram apoio ao candidato no segundo turno.

O senador chega ao segundo turno em ligeira alta nas pesquisas, o que costuma indicar que a opinião pública está se movendo a favor dele. Parte de quem votou em Zema e em Caiado tende a migrar para o campo bolsonarista, e isso abre espaço para mais alguns pontos.
Gilberto Musto, consultor político e mestre em ciência política

O desafio de Flávio é segurar os eleitores que migrarem após o primeiro turno até o dia 25. Para os especialistas, este é o momento de Flávio frear os discursos extremistas —como as menções ao pai e ao 8 de Janeiro— e "mostrar que tem condições de equilibrar o país e deixar claro que uma vitória dele não significará perseguição a adversários", afirma Gilberto Musto.

Segundo Lucas Jansen, mestre em comunicação e especialista em marketing e branding pela PUCRS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul), isso ajuda porque a vantagem competitiva de Flávio já reside na "conexão orgânica com os valores tradicionais que formam o tecido cultural do país, onde religião e família operam como bússolas de identidade".

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O senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro
O senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro Imagem: Sergio Lima - 4.out.26/AFP

O maior risco da direita é "parecer insensível" à dependência da população aos serviços públicos e programas de renda. Por este motivo, Flávio precisa esclarecer seus compromissos com os programas sociais, "com a garantia de que quem mais precisa continuará protegido pelo Estado", explica Musto.

O senador deve reforçar a ideia que é uma oposição ao governo atual. Especialistas apontam que manter a disputa centrada na ideia de mudança em contraposição a um quarto mandato de Lula é importante para o candidato, mas que o desafio é "transformar essa disposição pela mudança em confiança no seu próprio projeto"

O caminho para Flávio é transformar o debate da segurança em prioridade. A segurança e o medo da criminalidade são a grande convergência emocional do eleitorado nacional, por isso, Jansen reforça que o candidato deve propor "enfrentamento rigoroso ao crime organizado e reafirmar a demanda popular por ordem e punição".

O que Lula precisa fazer?

Lula deve mobilizar quem não compareceu às urnas. Cerca de 33 milhões de pessoas não foram votar no primeiro turno, e, para os especialistas, esse é o caminho "com mais chance" para o presidente, que deve focar especialmente nas abstenções no Nordeste, onde se encontra o maior eleitorado de Lula. O mestre em comunicação Lucas Jansen afirma que "virar esses votos demanda uma ação muito individual, devendo contar com os ativistas".

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Isso exige mensagens específicas para esse público e articulação com governadores, prefeitos e lideranças locais que apoiam sua candidatura. O desafio é transformar apoio potencial em participação efetiva no segundo turno.
Alessandro Costa, cientista político e professor de direito eleitoral

A reconquista do eleitor moderado também pode ser decisiva. Costa também defende que Lula aumentará suas chances "se conseguir apresentar os riscos que atribui ao projeto do adversário, oferecer respostas às preocupações do eleitor", principalmente no Sudeste, em estados como São Paulo e Minas Gerais, os maiores colégios eleitorais do país.

O presidente Lula, que tenta a reeleição
O presidente Lula, que tenta a reeleição Imagem: Adriano Machado - 7.out.26/Reuters

É necessário que Lula amplie o debate para fora do seu eleitorado. Isso inclui apresentar posicionamentos novos, sustentados por argumentos concretos e apresentar a disputa como "uma escolha entre segurança e risco: destacar sua experiência de governo, os programas conhecidos e a previsibilidade de sua gestão, ao mesmo tempo que questiona quais mudanças Flávio pretende implementar", reforça Alessandro Costa.

Para ele, Lula precisa colocar as propostas de Flávio no centro da discussão e explorar "suas possíveis consequências para a população".

O petista precisa "superar a ilusão de que discursos progressistas de vanguarda mobilizam a maioria da sociedade". Para Lucas Jansen, o candidato precisa focar em sua principal âncora eleitoral, que é a "memória e a entrega de um Estado solucionador de problemas". "A comunicação deve sair do abstrato e focar na sobrevivência material da população: poder de compra no supermercado, barateamento de alimentos, acesso à saúde e garantia de renda para os estratos mais vulneráveis", explica.

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Diante do peso do segmento evangélico e da centralidade dos valores religiosos na periferia, a campanha precisa adotar uma postura de conciliação moral e respeito à religiosidade popular, evitando pautas comportamentais que ativem a rejeição dos conservadores cristãos.
Lucas Jansen, professor de Publicidade e Propaganda na Estácio Brasília

É importante reforçar o papel do Estado na implementação de políticas públicas. Segundo os especialistas, ele pode se opor a Flávio e questionar como a defesa de uma estrutura estatal menor se relaciona com a manutenção de serviços e programas como o SUS (Sistema Único de Saúde), o Bolsa Família e o Pé-de-Meia, destacando sua experiência no Executivo.

O presidente precisa colocar segurança pública em destaque na campanha. O tema tem peso na decisão do eleitor e "não pode ficar concentrado na campanha de Flávio", reforça Costa. "A esquerda historicamente perde terreno ao ignorar o clamor popular por segurança", explica Jansen, para ele, Lula tem de demonstrar firmeza no combate ao crime e oferecer propostas palpáveis de policiamento e controle territorial nas cidades.

Vai vencer em 25 de outubro quem souber aproveitar melhor o tempo de televisão, apresentar parceiros de peso, com credibilidade real em suas áreas, e convencer o eleitor de que equilíbrio e estabilidade são a prioridade para o Brasil.
Gilberto Musto, consultor político e mestre em ciência política

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