Resíduos fecais contaminam sumidouros e poços de água potável no Estado de Yucatán, no México, diz Greenpeace
O Greenpeace contratou um laboratório independente para analisar a água em 17 locais próximos à capital do Estado, Mérida, em agosto. Os locais incluíam poços residenciais e agrícolas, pontos de abastecimento comunitários e cenotes — as dolinas naturais que pontilham a península de Yucatán, um dos destinos turísticos mais populares do México.
De acordo com o relatório, todas as amostras apresentaram algum grau de contaminação provavelmente ligado a resíduos fecais, e vários locais pareciam fortemente poluídos. O total de bactérias coliformes atingiu o limite máximo do teste em 16 das 17 amostras, e os coliformes fecais, em 13.
No entanto, os testes não conseguem indicar se os resíduos vieram de pessoas ou animais, e vazamentos de fossas sépticas e esgoto municipal também podem contribuir para a contaminação. O Greenpeace afirmou que os resultados levantam “questões críticas de responsabilidade” sobre as fazendas de suínos nas proximidades.
O governo do Estado de Yucatán não se pronunciou, enquanto a Comissão Nacional de Águas do México (Conagua) não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. A Associação de Criadores de Suínos de Mérida também não respondeu ao pedido de comentário da Reuters.
Sem rios à superfície, as águas subterrâneas são a única fonte de água doce de Yucatán, e o leito rochoso de calcário poroso da região permite que os poluentes se infiltrem rapidamente no aquífero. O relatório indicou que cerca de 30% dos moradores locais bebem água retirada diretamente de poços e sumidouros.
O Greenpeace, citando sua pesquisa de 2020, afirmou que apenas 22 das 257 fazendas de suínos em Yucatán possuíam um estudo de impacto ambiental em vigor. A organização também constatou que 43 dessas fazendas operavam dentro de áreas naturais protegidas.
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