Disputa por imagem de Lula vai parar na Justiça e racha PT no Maranhão


O uso da imagem do presidente Lula a favor de candidatos que não fazem parte da coligação petista no Maranhão gerou um racha dentro do partido, após o caso ser judicializado no estado.
Na sexta-feira passada, uma decisão da Justiça Eleitoral mandou retirar do ar uma postagem no Instagram de Washington Oliveira (PT), ex-vice-governador e secretário estadual de Representação Institucional no Distrito Federal. "#SEXTOU COM OS AMIGOS DE LULA E ORLEANS", disse ele, ao convocar apoiadores para um ato em São Luís naquela data.
A Justiça entendeu que o petista pedia votos de forma conjugada para Lula e para o candidato Orleans Brandão (MDB), sobrinho do governador Carlos Brandão (MDB). O MDB não se coligou com o PT, que lançou candidatura própria ao governo com o atual vice-governador, Felipe Camarão.
A denúncia foi feita de forma anônima pelo aplicativo Pardal, da Justiça Eleitoral. No entanto, a presidente do PT no Maranhão, Patrícia Carlos Macieira, afirma que a acusação partiu de pessoas ligadas ao candidato petista.
Nesta segunda-feira, a dirigente usou as redes sociais para criticar a tentativa de ter a imagem de Lula de forma exclusiva.
Ou a gente entende que a campanha do Lula é maior e mais ampla que a campanha do PT ou não estaremos priorizando a eleição do presidente. O Lula não é propriedade do PT! Judicializar eleitor do Lula por composição de voto com outras candidaturas é um erro tático, estratégico,?
-- Patrícia Carlos (@patycarlos13) August 30, 2026
Decisão autoriza menção a Lula
Na noite desta terça-feira, uma nova decisão do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) seguiu no sentido contrário: negou um pedido feito pela candidatura de Felipe Camarão contra Orleans Brandão, que buscava proibi-lo de mencionar apoio ao presidente Lula em programas de rádio, TV e inserções eleitorais.
"Eu estou do lado de quem trabalha, de quem luta todos os dias, e de quem, como o governador Brandão e o presidente Lula, acredita que política é cuidar de gente", diz a peça de Orleans veiculada em 28 de agosto que foi questionada por Camarão.
"O trecho impugnado consiste, segundo a própria transcrição constante da inicial, em fala do próprio candidato representado, proferida no espaço temporal que legitimamente lhe pertence. Não se aponta, em nenhuma delas, aparição, imagem em depoimento, entrevista, gravação ou pronunciamento do presidente da República", afirmou na decisão a juíza auxiliar da Comissão de Propaganda do TRE, Manuella Viana dos Santos Faria Ribeiro.
Orleans sempre deixou claro que votará em Lula e tentou, até o último momento, o apoio do presidente e do PT à sua candidatura —o que foi barrado pela direção nacional do partido por entender que a indicação do sobrinho do governador representaria uma espécie de nova oligarquia.
Logo após a decisão, ele postou uma foto com uma pessoa usando a camisa com a foto dele com Lula.

Procurada pela coluna, a assessoria de Camarão afirmou em nota apenas que "respeita as decisões judiciais e não comenta o caso". Já a assessoria de Orleans não respondeu. O espaço segue aberto.
Presidente do PT critica judicialização
Ao UOL, Patrícia Macieira disse ter procurado a direção nacional do partido para conversar sobre a judicialização no estado. "Eles concordaram que não se deve judicializar. A nossa prioridade —e isso está em todas as nossas resoluções— é eleger Lula", declarou.
A gente não está em condição [eleitoral] de exigir nada, estamos em uma eleição duríssima. Não sei qual o ganho político de se judicializar isso. Eu queria que todos os outros candidatos apoiassem Lula; o que importa neste momento não é essa briga paroquial.
Patrícia Macieira, presidente do PT no Maranhão
Patrícia foi voz vencida dentro do PT estadual, pois defendia a manutenção da aliança com o governo Brandão e o lançamento de um candidato único da base lulista no Maranhão.
"Se tivéssemos aliados, estaríamos com dois senadores de Lula garantidos, teríamos mais força de Lula e um aumento das bancadas — e hoje estamos com dificuldade. Eu sigo a missão: vou nas agendas, faço as reuniões, posto na rede social colocando eles em foco, mas acho que não se pode dispensar o apoio do governador a Lula", disse.
Em meio ao racha lulista, quem lidera a corrida ao governo do estado, segundo as pesquisas mais recentes, é Eduardo Braide (PSD), ex-prefeito de São Luís, que se declara neutro na disputa presidencial.

Reportagem
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