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Tuesday, September 15, 2026

Jardim Pantanal, na Zona Leste de SP, está há mais de 60 horas debaixo d’água após chuvas na capital paulista

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“[A] gente está dormindo na casa de um amigo nosso que é em cima. A água invadiu embaixo, mas a gente está ficando em cima”, contou Débora Nicole, moradora do bairro. “A gente está tentando, está lutando, um dando a mão para o outro, mas a situação está difícil.”

A Escola Estadual Cristina de Castro Paes, a quase 3 km do bairro, virou abrigo para 12 famílias.

Para Érica Libano, moradora do Jardim Pantanal, deixar a região também traz preocupação com a segurança das casas.

“Só que é em outra região, outra comunidade. Como a gente vai sair daqui? 30 famílias abandonarem suas casas... já perdemos tudo o que tínhamos, aí vai deixar as casas abertas para os usuários virem? Porque no ano passado foi isso o que aconteceu. Levaram botijão de gás da gente, levaram as nossas coisas”, disse.

No Jardim Pantanal vivem cerca de 45 mil pessoas. Muitas estão em áreas sujeitas a inundações do Rio Tietê, que contorna toda a região.

Em nota, a prefeitura de São Paulo informou que removeu 789 famílias de áreas de risco desde dezembro de 2025 pelo Plano Recupera Pantanal.

"A região recebe R$ 59,8 milhões em obras de drenagem, pavimentação e contenção no Rio Tietê. Até o momento, a SMADS cadastrou 1.021 famílias nos programas de assistência social e segue distribuindo insumos. Equipes da SMSUB realizam o bombeamento da água nas ruas Serra do Grão Mongol, Tite de Lemos, Tietê, Antônio Dias Moura e Serra de Apodi. Após a drenagem, as vias serão limpas.

A obra do pôlder Jardim Pantanal está finalizada e o sistema de bombeamento foi acionado no último final de semana. Ele fica na Rua Tite de Lemos na Vila Seabra. A região também conta com outro pôlder no Jardim Romano e um piscinão na Vila Itaim. As estruturas funcionam como um reservatório de amortecimento de cheias".

Obras para conter alagamentos

Euclides Mendes, líder comunitário, acompanha há anos as tentativas de reduzir os alagamentos no Jardim Pantanal e nos bairros vizinhos.

Segundo ele, obras estruturantes já ajudaram a resolver o problema em algumas regiões, como o Jardim Romano e a Vila Itaim.

“Já tivemos obras estruturantes que resolveram o problema. No Jardim Romano, resolveu o problema, que foi o pôlder do Jardim Romano. Tivemos pôlder também na Vila Itaim, e aí o governo parou com a construção de pôlder e aí continuou os problemas nos outros bairros”, afirmou.

A prefeitura começou a construção de um pôlder na Vila Seabra, vizinha ao Jardim Pantanal. A estrutura funciona como uma espécie de muro para conter a passagem da água.

🔍Um pôlder é uma porção de terrenos baixos e planos, usados como áreas alagáveis para que a água não invada regiões habitadas ou de plantio na agricultura. Comuns na Holanda, que é um país conhecido por estar no nível do mar, o pôlder é geralmente seguido por alguns diques, que impedem a passagem da água em situações de grande volume de chuvas.

A barragem, que havia sido prometida para 2023, ainda não ficou pronta.

Água é bombeada para o Tietê

Nesta segunda, uma bomba da Sabesp trabalhava havia mais de quatro horas para retirar a água de um ponto de alagamento perto do Parque Jardim Helena.

Uma mangueira laranja puxava a água do local, enquanto uma mangueira azul devolvia a água para o Rio Tietê. Como o nível do rio estava bastante elevado, a água bombeada dava a impressão de retornar por outro ponto.

O alagamento também prejudica o trabalho de quem depende das ruas para conseguir renda.

“Vocês estão ilhados aqui... ilhados. Minha moto mesmo fica dentro de casa porque não tem como colocar na rua que vai estragar”, contou Vinícius Vitor, motoboy.

“Eu sou motoboy, mas eu sou autônomo, eu trabalho por conta, né? E tipo assim, nesse tempo a gente está dentro de casa, só que as contas não deixam de chegar”, afirmou.

Moradores se unem para ajudar

Enquanto a água permanece nas ruas, os próprios moradores tentam ajudar quem mais precisa. Em uma cozinha improvisada, voluntários preparam refeições com o que a enchente não levou.

“Ontem mesmo à noite a gente fez 230 marmitas. Não foi o suficiente porque faltou a marmitinha, mas aí hoje está chegando doação e a gente já está preparando tudinho”, disse Jaqueline Gonçalves Ferreira Silva, cabeleireira.

“Todo mundo se reuniu e estamos aqui”, completou.

O governo do estado afirmou que já retirou mais de 370 mil m³ de sedimentos do Rio Tietê para aumentar a capacidade de escoamento do rio na região do Jardim Pantanal.

Jardim Pantanal está há mais de 60 horas debaixo d’água após chuvas em SP — Foto: Reprodução/TV Globo

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