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Tuesday, October 27, 2026

Sete palavras da PSP que valem um discurso

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Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Este é o Bom, o Mau e o Vilão da Rádio Observador, que também pode ouvir em podcast. Olá, Miguel Pinheiro, bom dia.

Bom dia.

Bom dia, Miguel. O teu bom falou.

Falou. É o director nacional da PSP. Não sei se estavam a pensar que fosse outra pessoa, mas não. Falou, foi o director nacional da PSP. Pedro Moura tomou posse há pouco tempo e foi logo obrigado a lidar com o problema das acampadas. Eu imagino que ele tenha pensado: "Oh, meu Deus, no que eu me fui meter?". E ontem teve de responder a perguntas dos jornalistas durante uma visita às novas instalações do centro de instalação temporária do Porto. Falou pouco, mas falou de forma clara. Quando lhe perguntaram se tinha ouvido o ministro da Administração Interna a dizer que a decisão de avançar com as ações policiais foi da PSP e não do Governo, o director nacional respondeu com apenas três palavras: "Claro que sim." E depois os jornalistas insistiram para tentarem perceber se a decisão tinha sido dele e desta vez ele respondeu com quatro palavras: "Sim, do director nacional." E, portanto, no total, até agora, nós estamos aqui a fazer uma contabilidade. Vocês têm aí o quadro, não é?

Sim, temos.

Muito bem. Primeiro-ministro, até agora zero palavras, portanto continuamos no zero. É um número redondo. Estamos a queixar de quê? E o director nacional usou sete. Estas sete foram suficientes, valeram mais do que um discurso e Pedro Moura mostra a Luís Montenegro que não é preciso falar muito. Basta dizer as coisas direitinhas.

Certo, aqui uma eficiência de discurso imbatível, completamente.

Não é?

Bom, sete palavras e está tudo dito.

Não há cá desperdício. Isto é que é cortar nas gorduras do Estado.

Sistema de diferença. Exatamente. Miguel, quem é o teu mau?

Olha, são Carlos Moedas e Pedro Duarte. Há dias, o presidente da Câmara do Porto disse que estava muito interessado em ouvir as ideias dos manifestantes da acampada da Praça Dom João I. Ontem foi a vez do presidente da Câmara de Lisboa. Ele disse o seguinte: "Eu estou aqui do lado daqueles que têm esta causa pelo direito à habitação e, portanto, ela é absolutamente importante." Não quis falar sobre a ação policial, mas quis falar sobre os manifestantes. Ficamos a perceber. Carlos Moedas, que tanto fala da necessidade de polícia, apoiar a polícia, não falou sobre isso. Enfim, eu percebo que os autarcas querem aparecer como muito simpáticos e muito empáticos. Quem é que não quer ser simpático? Quem é que não quer ser empático na vida? Todos queremos. Todos queremos que gostem de nós. Mas tanto Pedro Duarte como Carlos Moedas sabem muitíssimo bem o que quer a maioria dos manifestantes. Basta vê-los nas televisões, ouvi-los nas rádios ou lê-los nos jornais. Por um lado, as receitas dos manifestantes para a crise da habitação já foram testadas e só agravaram o problema. E, por outro lado, os manifestantes não escondem que querem ir mais longe e pretendem acabar, na prática, com este sistema político e económico em que nós vivemos. Querem outra coisa. E Pedro Duarte e Carlos Moedas deviam combater politicamente estas ideias, em vez de fazerem de conta que elas são tão válidas como quaisquer outras. Isto de fazer de conta acho que não resulta muito, acho eu.

Entre essas ideias todas dos manifestantes, também está admitirem Pedro Duarte e Carlos Moedas assim como primeiras medidas. Assim só para começar de aperitivo.

Sim, e também são interessantes, se calhar, as ideias das pessoas que não concordam com os manifestantes. Se a partir de agora para ouvirem as nossas ideias tivermos que acampar nas praças, vou ter que comprar uma roupa mais quente.

Miguel, o teu vilão é o PS.

É, porque repara, nós andámos dias e dias a ouvir várias pessoas do PS a queixarem-se do decreto-lei que regula as manifestações, a lembrarem que a legislação vem de antes da Constituição, a jurarem que ela nem sequer tinha sido aplicada nestes 52 anos. Foi preciso um governo fascista para ir aplicar este decreto-lei. Ouvimos isto tudo. E então, perante tanta coisa, o Procurador-Geral da República disse ontem que estivessem à vontade. Cabe ao Parlamento, se assim o entender, tomar a iniciativa de rever a legislação. Por isso, força, façam lá isso. E então o que é que aconteceu a seguir? O deputado do PS, Pedro Delgado Alves, afirmou isto, eu vou citá-lo: " No imediato..." Tenho que preparar para as coisas sérias. Já me desconcentraram.

Desculpa.

Bem. "No imediato, o mais importante é restaurar as boas práticas que asseguraram o equilíbrio na aplicação da lei durante cinco décadas, mais do que ir agora a correr rever o texto do decreto-lei." Fim de citação. Eu sou um ator do método, Maria João, portanto quer dizer... Mas então, ouvindo isto, afinal a lei foi mesmo aplicada durante cinco décadas. As pessoas que dizem que isto nunca foi aplicado estão erradas, foi aplicada. Até foi aplicada de forma equilibrada e eu presumo que isso tenha acontecido mesmo quando o PS usou esta mesma lei para proibir manifestações no 25 de abril em frente ao Parlamento. Muito bem, ficamos a saber isso também. E ficamos a saber que afinal também não há qualquer motivo para ir a correr mudar tudo. Eu só acho que se calhar o PS podia parar um bocadinho, pensar bem no que quer. Eles juntavam-se todos, falavam lá entre eles, decidiam o que é que queriam dizer e depois informavam-nos. Só para não haver aqui cada um a dizer a sua coisa, porque a dada altura depois as pessoas ficam confusas. Eu, pelo menos, coitado de mim, eu fico aqui um bocado confuso, porque a minha cabecinha não dá para isto tudo, porque eles são pessoas muito inteligentes, mas eu não consigo chegar lá.

Deviam fazer uma assembleia popular para tomar essa decisão.

Paulo, não dês ideias, porque ainda vamos ver o Largo do Rato a ser tomado pelos dirigentes do Partido Socialista a votarem de braço no ar.

E alguns a acamparem cá fora, certamente.

Eu, na minha cabeça, já estou a imaginar dois ou três, mas não vou dizer os nomes.

Vamos então ao resumo. O bom desta terça-feira é o diretor nacional da PSP, Pedro Moura. O mau são Carlos Moedas e Pedro Duarte. E o vilão de hoje é o PS. Foram as escolhas do Miguel Pinheiro nas manhãs 360.

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