Bollywood HungamaDisha Patani turns entrepreneur, launches clothing brand DZ with oversized and space-inspired designsPunchArgentine football fan jailed for threatening Di Maria over returnThe Jerusalem PostAI could accelerate quantum computing breakthrough, Bank of America strategist saysInquirerVelasco’s ‘ex-driver’ appears at NBI, alleges he delivered cash suitcases to DuterteZDF heuteAktuelle Pressemitteilungen des ZDFDaily MaverickHOUSEHOLD SQUEEZE: Fuel levy cut offers brief relief as food basket outpaces SA’s unchanged SRD grantХабрПоддержка нескольких реляционных СУБД в одном проекте: PostgreSQL и MSSQLUOLVolkswagen registra prejuízo trimestral de ? 5,8 bilhõesColliderChris Pratt Officially Returns to Streaming in 1 Month With New Military ThrillerThe RegisterMatrix takes sovereign messaging into the realm of the tech giantsWirtualna PolskaProdukowali "kokainę dla ubogich". Grozi im nawet 20 lat więzieniaRMF24W tych polskich gminach żyje się najgorzej. Oto wyniki rankingu
The Daily Newsstand · Free, Always
Thursday, October 29, 2026

Polícia investiga homicídio em morte de paciente do Hospital do Servidor de SP

Translate

A Polícia Civil de São Paulo investiga a hipótese de homicídio na morte de um paciente no Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE), na capital paulista.

Anderson Isach de Souza Gomes, 48, servidor do Ministério Público estadual, morreu no HSPE em 9 de novembro de 2025, vítima de sepse e pneumonia por broncoaspiração, nove dias após uma cirurgia para tratar um câncer de próstata em um hospital particular de São Paulo.

O prontuário médico anexado ao inquérito, ao qual a Folha teve acesso, registra desencontros e falhas de comunicação entre as equipes da unidade, onde o paciente foi internado após complicações, com médicos apontando supostos erros de colegas.

De acordo com perícia contratada pela família, a morte foi consequência de "erros médicos graves".

O inquérito apura homicídio culposo, quando não há intenção de matar. A investigação, conduzida pelo 16º DP (Vila Clementino), tenta responder se os médicos que atenderam Gomes desrespeitaram protocolos clínicos.

Responsável pela administração do Hospital do Servidor, o Iamspe (Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual) diz que apura as circunstâncias do atendimento e colabora com a Justiça. Além do inquérito policial, há uma ação indenizatória movida pela família contra o instituto.

Gomes era oficial de Promotoria em Tatuí (a 142 km de São Paulo). Em 2025, recebeu o diagnóstico de câncer de próstata e marcou para setembro uma consulta na urologia do HSPE.

Os registros indicam que o paciente foi atendido pelo urologista Thiago Hemerly, mas um familiar disse à reportagem que um médico residente fez a consulta. Na ocasião, Gomes foi orientado a remover o tumor, com indicação de cirurgia robótica, modalidade menos invasiva e com recuperação habitualmente mais rápida. Em um hospital particular, sob responsabilidade de Hemerly, a cirurgia robótica custaria R$ 55 mil.

Caso optasse pelo procedimento no Hospital do Servidor, o paciente teria de aguardar em fila, sem garantia de acesso à técnica robótica nem previsão de quando seria operado. Gomes então concordou em pagar pelo procedimento particular. No inquérito constam os comprovantes de pagamento em favor de Hemerly.

A Folha questionou o Iamspe sobre a disponibilidade de cirurgia robótica no HSPE ou em unidades credenciadas, bem como sobre o tamanho da fila de espera por procedimentos eletivos. O instituto não respondeu a essas perguntas. Nos últimos anos, o Hospital do Servidor tem sido alvo de queixas de usuários sobre problemas na assistência.

O familiar acusa Hemerly de ter usado o HSPE para atrair Gomes à cirurgia particular. A postura do médico após a operação, diz, foi de desleixo, alternando orientações a distância e decisões em conjunto com médicos residentes. O contato de Gomes com o médico, das complicações até a morte, aconteceu apenas uma vez, quando o quadro do paciente já era gravíssimo, na véspera do óbito.

Procurado pela reportagem, Thiago Hemerly disse apenas que aguarda intimação para depor no processo.

O familiar relata que tudo correu bem na cirurgia, realizada em 31 de outubro de 2025, uma sexta-feira. Gomes teve alta no dia seguinte e saiu do hospital com uma sonda vesical. Na segunda, porém, as complicações começaram: sangue na urina, hematoma no abdômen, sangue saindo do pênis e dificuldade para defecar.

Prints da conversa com Hemerly pelo WhatsApp, anexados ao inquérito, mostram que o urologista orientou o paciente a "caprichar na água". Também indicou um laxante.

Após a cirurgia, a recomendação de Hemerly era que o paciente se tratasse no Hospital do Servidor, de acordo com o relato do familiar.

Na terça, Gomes sentiu fortes dores e precisou ser levado ao pronto-socorro. O familiar relatou que ele gritava. No Hospital do Servidor, foi atendido por um residente, e uma tomografia identificou fístula da bexiga —isto é, havia urina vazando e se acumulando no abdômen.

O cirurgião-geral de plantão prescreveu analgésicos e deu alta ao paciente. No prontuário, anotou que o caso havia sido "avaliado pela urologia". Não houve, porém, parecer, carimbo ou assinatura de urologista no documento.

A perícia contratada pela família aponta este como o primeiro erro que, ao fim, teria resultado no choque séptico. O laudo, assinado pela médica Jéssica Tioma Nakayama, diz que Gomes precisava de internação para drenar urina e evitar proliferação bacteriana.

Na quarta-feira, o estado do servidor se agravou. Com o abdômen distendido e roxo, a sonda vesical travou completamente. Em novo contato por mensagem, Hemerly respondeu que o paciente deveria caminhar. Disse também que o bloqueio poderia ser por grumo, uma pequena obstrução.

À noite, com dores insuportáveis, Gomes deu entrada novamente no HSPE. Os exames indicavam falência renal iminente. Ele pernoitou na enfermaria do pronto-socorro à base de morfina. A internação pela urologia só foi formalizada na manhã de sexta. O quadro evoluiu para choque séptico, com pressão arterial média caindo para 45 mmHg.

A piora gradativa do quadro de saúde do paciente foi documentada no prontuário, com médicos fazendo acusações uns aos outros. Às 6h40 daquela sexta-feira, a equipe de urologia anotou que o intensivista da UTI fora convocado para avaliar a queda da pressão arterial, mas que, "a despeito de avaliá-lo, não adotou conduta". Minutos depois, o intensivista relatou ter cobrado a urologia para "rever a estratégia de abordagem cirúrgica devido à sepse de foco abdominal".

Horas mais tarde, Gomes foi submetido a uma colonoscopia em leito de UTI sob sedação e sem intubação prévia para proteger suas vias aéreas. Durante o exame, apresentou vômitos fecaloides e broncoaspirou fezes e conteúdo gástrico para os pulmões. Conforme registrado pela enfermagem, o evento deflagrou uma pneumonia aspirativa grave e acelerou o colapso do paciente.

Na madrugada de sábado, um urologista anotou no prontuário que buscou discutir o exame com a radiologia do HSPE, mas que a equipe não foi encontrada.

Foi feita uma cirurgia de emergência para lavar a cavidade abdominal do paciente, e exames posteriores confirmaram a presença da bactéria Klebsiella aerogenes no líquido abdominal. Após sucessivas paradas cardíacas e febre de 40°C, Anderson Gomes morreu no domingo, 9 de novembro de 2025, às 16h30.

A perícia aponta sete falhas graves no atendimento, destacando a alta indevida após o diagnóstico de fístula na bexiga e a demora de quatro dias para drenar o vazamento de urina como determinantes para a morte.

Na nota enviada à reportagem, o Iamspe afirma que tem "compromisso com a transparência, a ética e o rigor técnico na apuração e apresentará todos os esclarecimentos necessários à Justiça dentro do prazo legal".

View the original on UOL →

KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.