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Wednesday, October 28, 2026

Já se sabe a data certa da "Noite Estrelada" de Van Gogh?

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E se “A Noite Estrelada” de Van Gogh não tivesse sido pintada em junho de 1889? Esta é a data oficialmente atribuída a uma das obras mais conhecidas do mundo. Tem por base uma carta do pintor para o irmão Theo em que fala de um estudo que tinha feito do céu: todos acharam que esse estudo era a base do quadro que já estaria pintado quando enviou a carta. Mas depois começaram as dúvidas. Algumas coisas não batiam certo. A Lua era uma delas.

A discussão dura há mais de 40 anos. Agora, uma equipa de investigadores pensa ter chegado à data concreta da noite que serviu de inspiração ao pintor holandês. E afinal, não terá sido em junho, mas sim mais de um mês depois, em julho. Precisamente a 22 de julho de 1889.

Foi preciso um cruzamento de astronomia, meteorologia, matemática e cartas do pintor. Através de várias confirmações e descobertas, algumas delas já na ‘carteira’ de um dos cientistas envolvidos, a equipa de investigadores sul-coreanos concluiu que a pintura mostra o que se podia observar da janela do asilo em Saint-Rémy-de-Provence onde o pintor estava internado numa determinada data. Van Gogh pode ter começado o quadro em junho ou até antes, pode ter combinado várias observações de várias noites e pode, claro, ter usado a imaginação, a criatividade e a inspiração para chegar à composição final. Mas aquela configuração do céu e da meteorologia coincidiu mesmo com a data que apontam.

Há muitos anos que os cientistas tentam descobrir se o céu em que se inspirou Van Gogh era real ou imaginário. Houve investigações e datas. O ano foi sempre o mesmo: 1889. Os meses aproximavam-se. Em 1984, através de uma reconstrução astronómica, Albert Boime, um historiador de arte, apontou para 19 de junho. Logo depois, em 1986, um astrónomo, Charles Whitney, propôs 18 e 19 de junho, mas com base na astronomia e na criatividade do artista. O próprio autor principal deste novo estudo, Elijah Jeong-hyun Kim, já avançara com esta data, a de 22 de julho, num livro publicado em 2025. Agora juntou-se a outros colegas sul-coreanos, para confirmar a sua teoria. Com recurso a novas comparações matemáticas e a arquivos meteorológicos históricos, confirmaram a noite de 22. Na verdade, não a noite, mas sim o amanhecer. A investigação foi publicada na Scientific Reports, revista científica internacional do grupo Nature Portfolio, da Springer Nature.

E há sete pistas importantes que os levaram a chegar à conclusão a que chegaram.

[Duarte Lima admite ter estado com Rosalina Ribeiro na noite em que a herdeira milionária desapareceu mas nega ter sido a última pessoa a vê-la com vida. Conta que, depois da reunião que tiveram, no Rio de Janeiro, levou a cliente até Maricá, para um encontro com uma mulher chamada Gisele. É uma versão que não bate certo com as primeiras provas recolhidas pelas autoridades brasileiras. Enquanto Duarte Lima se torna, para a polícia, o principal suspeito do homicídio, perde força a outra linha de investigação. Olímpia Feteira era inimiga assumida da antiga companheira do pai mas garante que nunca desejou a morte dela. E, ao contrário de Duarte Lima, disponibiliza-se para prestar todas as informações necessárias à polícia brasileira. Já pode ouvir o segundo episódio de “As Sombras de Duarte Lima”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]

A Lua não correspondia à data conhecida

“A data de execução, há muito estudada e consensual, tem sido junho de 1889”, lembram os próprios investigadores. De facto, tem sido assim. “A Noite Estrelada” é datada dessa altura, com base na carta que Vincent escreveu ao irmão Theo na qual menciona um estudo do céu cheio de estrelas que via em Saint-Rémy-de-Provence, no sul de França, onde estava internado. A carta é de dia 18. E a ideia que ficou é que nessa altura o quadro ou estaria pronto ou perto disso, e tinha esse estudo por base. Daí a datação. Mas a posição da Lua não batia certo com o céu de meados de junho daquele ano.

A Lua de Van Gogh surge em quarto crescente. Quer a 18 de junho (ou a 19), a Lua estava numa fase mais cheia. Tem sido esta a grande discrepância a gerar discussão sobre a data da inspiração do quadro: “A discrepância entre a Lua minguante na pintura e a fase lunar” da data de referência é grande, lê-se no estudo. Já 22 de julho tem uma grande aproximação. Nessa madrugada de 1889, “a fase lunar desce para 28,44%, correspondendo mais de perto à forma [representada]”. O que quer dizer que a Lua tinha 28,44% do disco iluminado, muito semelhante à de “A Noite Estrelada”.

Mas, além disso, a Lua estava a 18,6 graus de Vénus. E há ainda que considerar estrelas de uma constelação, as Híades, para o quadro, verdadeiramente, se compor.

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