Mais de 32 mil empresas fecharam durante o governo Javier Milei na Argentina
O total de empresas com trabalhadores registrados na Argentina caiu para 480.067 em julho. No total acumulado, 32.290 empregadores fecharam as portas desde o início da gestão de Javier Milei, em dezembro de 2023, segundo a Superintendência de Riscos do Trabalho (SRT).
O levantamento mostra que o país registrou 948 empresas a menos em relação a junho. É o 18º mês consecutivo de queda e o menor patamar de estabelecimentos ativos no país desde julho de 2007. A atual contração supera o ritmo verificado durante a pandemia de Covid-19.
Economia, gestão de país e trabalho na Argentina
O encerramento de atividades é impulsionado por um ambiente operacional hostil para o setor produtivo. Entre os fatores apontados por economistas para o fechamento de unidades estão os custos elevados em dólares devido à apreciação cambial, a manutenção da carga tributária, o aumento dos custos de logística pela suspensão de obras públicas e o custo financeiro elevado.
A SRT ressalva que as estatísticas mensais captam a variação líquida da cobertura do sistema e podem incluir, além do encerramento efetivo de negócios, reorganizações societárias, alterações no quadro de pessoal e mudanças na modalidade de contratação. No entanto, analistas destacam que a série histórica reflete o processo mais intenso e duradouro de redução de empregadores do país desde o fim da conversibilidade.
A queda no número de empresas é acompanhada pelo encolhimento dos postos de trabalho. Dados do Sistema Integrado Previdenciário Argentino (SIPA) indicam a perda de 121 mil vagas formais no setor privado na comparação interanual referente a junho, reduzindo o contingente para 6,096 milhões de trabalhadores.
O desaquecimento refletiu-se nos indicadores de atividade e nas estimativas de mercado. O Estimador Mensal de Atividade Econômica (EMAE), apurado pelo Indec, registrou recuo de 2,9% em julho na comparação com junho. Diante dos resultados recentes, instituições internacionais e analistas privados revisaram as projeções de crescimento da economia argentina para 2026: o Banco Mundial reduziu sua estimativa de expansão do PIB de 3,6% para 2,1%, enquanto o mercado financeiro prevê alta entre 1,2% e 1,5% para o fechamento do ano.
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