Chefe de comunicação de Corina Machado regressa à Venezuela

Claudia Macero, chefe de imprensa da líder da oposição venezuelana María Corina Machado, regressou à Venezuela, de onde tinha saído no início de 2025, acusada de alegada conspiração e traição à pátria.
“Volto à Venezuela para transmitir confiança a mim própria e aos outros (…) é o momento de voltar. Estou aqui a abrir caminho, tal como outros me abriram”, disse Macero, de 34 anos.
No domingo, à chegada, a responsável pela comunicação do partido Vente Venezuela (VV), fundado por Corina Machado, garantiu aos jornalistas que a decisão de regressar, após quase dois anos de exílio, foi pessoal.
Centenas de pessoas reuniram-se nos arredores do Aeroporto Internacional Simón Bolívar de Maiquetía, que serve Caracas, para receber Macero, que foi abraçada por colegas do partido.
A dirigente admitiu não saber quando é que a vencedora do Prémio Nobel da Paz voltará à Venezuela, mas pediu ao Governo de Caracas que permita a sua chegada, após denúncias de que sete tentativas de entrada no país foram impedidas.
“Esta é uma questão progressiva; o que procuramos é a chegada de María Corina Machado, que deverá ocorrer em breve”, disse à imprensa o coordenador nacional de organização do VV, Henry Alviárez.
Claudia Macero foi um dos seis membros do partido que se refugiaram na residência da Embaixada da Argentina em Caracas, em março de 2024, acusados pelo Ministério Público de conspiração e traição à pátria.
Em maio de 2025, o grupo conseguiu abandonar a embaixada numa operação secreta realizada com o apoio dos Estados Unidos, cujos detalhes nunca foram revelados. A Venezuela alegou na altura que a operação tinha resultado de negociações diplomáticas.
O primeiro a regressar à Venezuela foi Omar González, em 28 de agosto.
Na embaixada estiveram também Pedro Urruchurtu, Magalli Meda e Humberto Villalobos, Fernando Martínez Mottola, que decidiu abandonar o edifício semanas antes da saída dos colegas e morreu em casa, devido a doença, em fevereiro de 2025.
Na passada sexta-feira, o principal negociador do Governo da Venezuela no diálogo com a oposição, Jorge Rodríguez, negou que as autoridades estejam a impedir o regresso de Corina Machado, depois de denúncias feitas pela equipa da líder da oposição.
“Nem pensar, por amor de Deus”, respondeu, quando questionado por jornalistas, Jorge Rodríguez, que é também presidente do Parlamento e irmão da líder interina do país, Delcy Rodríguez.
Segundo a oposição venezuelana, Corina Machado terá tentado sete vezes, sem sucesso, regressar ao país desde que em dezembro – após ter permanecido cerca de um ano na clandestinidade para evitar ser detida –, saiu da Venezuela para receber, na Noruega, o Prémio Nobel da Paz.
Uma das tentativas mais recentes ocorreu logo a seguir ao duplo sismo que assolou a Venezuela no passado dia 24 de junho.
Em 29 de junho, a líder da oposição acusou o Governo venezuelano de ter fechado o espaço aéreo comercial para impedir o seu regresso ao país a partir da Cidade do Panamá, quando planeava viajar para a Venezuela para apoiar as vítimas dos terramotos.
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