Mulher na urna, homem no poder

Na estreia da propaganda eleitoral, exibida também neste sábado, Flávio fez pose de anti-Bolsonaro. Gastou boa parte do primeiro programa de 4 minutos e 20 segundos para acenar às mulheres. Disse ter herdado da mãe, Rogéria Bolsonaro, sua visão de mundo e sensibilidade. Celebrou as filhas Luísa e Carol. Deu voz à esposa Fernanda: "Reeduquei ele. Não é à toa que você é o Bolsonaro moderado".
O filho do capitão caprichou na retórica: "O Brasil só vai vencer se as mulheres forem mais fortes". Para que a teatralidade se traduzisse em gestos práticos, o candidato precisaria virar do avesso a misoginia do pai caso chegasse ao Planalto.
O governo Bolsonaro tinha 22 ministérios. Na largada, as mulheres ocupavam irrisórios 9% das vagas. Apenas duas: Tereza Cristina (Agricultura) e Damares Alves (Direitos Humanos). Ao longo do mandato, passou pela Secretaria de Governo Flávia Arruda. E ficou nisso.
No ato político de Belo Horizonte, Lula também se esmerou na cenografia. Cantou um trecho da música "Como é grande o meu amor por você". A certa altura, fez um "chamamento" às mulheres: "Veja a contradição, vocês são a maioria. Se todas as mulheres votassem em mulheres, a gente teria no Congresso uma maioria de mulheres. Exerçam esse direito de vocês".
Quatro mulheres deixaram a equipe de Lula para disputar vagas no Congresso. Ironicamente, todas foram substituídas por homens. No Planejamento, Simone Tebet deu lugar a Bruno Moretti. No Meio Ambiente, saiu Marina Silva e entrou João Paulo Capobianco. No Ministério dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara foi substituída por Eloy Terena.
Numa pasta palaciana, a de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann — "mulher bonita" que Lula nomeara para "melhorar a relação" com o Congresso — foi trocada por José Guimarães. Para atenuar o vexame, Miriam Belchior substituiu Rui Costa na Casa Civil.
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