SCP-CSM. “É preciso mais cuidado com a cor dos equipamentos”

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Sporting 2, Marítimo 1. Jogo a contar para os quartos de final da Taça da Liga. Arbitragem de Anco Vasilica. Arbitragem que vai ser analisada nos próximos minutos pelo Pedro Henriques nesta edição do "Sem Falta". Pedro, boa noite. Jogo com muito poucos casos. E vamos começar por algo que se notou, ainda a bola não tinha começado a rolar: as cores dos equipamentos.
Exato. O que há a dizer? Lei 4, equipamentos jogadores, a página 68, 1.3 fala exatamente disso e diz aquilo que todos nós sabemos, é que as duas equipas devem usar cores que se distingam entre si. Depois também faz a referência que os guarda-redes não podem ter cores iguais e também têm que estar distintos em relação à equipa de arbitragem. Mas aqui tratava-se do Marítimo e do Sporting, jogadores de campo, ou seja, o Marítimo a jogar com a parte de cima com muito realce do vermelho e a parte de baixo muito branco, calções e meias, o Sporting, em sentido contrário, também com muito rosa, mas também com muito branco, sobretudo na parte superior. O que é que isto dava? Eu acredito que dentro do terreno de jogo, os jogadores também tinham reclamado, para os jogadores, isso não tenha gerado dúvidas nem dificuldades e obviamente para a equipa de arbitragem também não, porque a nível do terreno de jogo, acredito que aquele vermelho do Marítimo distinguia-se do rosa do Sporting, embora depois houvesse ali muita mancha branca, uns na parte de baixo, outros na parte de cima do equipamento. Mas para nós, em termos televisivos, muitas vezes tinha que fixar o olhar para tentar perceber. Claro, depois com o tempo fomo-nos adaptando. Mas aquilo, quando era aqueles planos gerais, só se via manchas, vamos chamar avermelhadas e brancas a correr, porque aquele rosa quase se tornava vermelho. Portanto, dentro dessa perspectiva, não sendo um erro, é algo que eu acho que devia haver esse cuidado, porque toda a gente reparou. De resto, há alguns memes muito engraçados na internet. É sinal que as pessoas repararam que aquelas cores, pelo menos em termos televisivos, não eram as mais adequadas.
Sim, não foi feliz. Vamos ao que aconteceu no jogo jogado. Ao minuto cinco, há um golo anulado do Sporting. A decisão é correta?
Golo bem anulado. É aquela situação em que a bola acaba por tocar no pé esquerdo de João Simões, vai sobrar para Jessé Derré, que acaba por finalizar. E não é preciso linhas, porque ele estava claramente adiantado em relação ao último adversário, portanto o assistente bem a levantar a bandeirola. Dá-me ideia que demorou ali um bocadinho a fazê-lo, mas a levantar a bandeirola e depois o árbitro a dizer que sim, fora de jogo, e depois à espera do VAR, e o VAR depois entrou aqui em ação a dizer: "Sim, senhor, está tudo certo".
Saltamos diretamente para o minuto 39. Há um cartão amarelo para Rafael Fernandes.
Fernandes, exatamente. É sobre o Zé Cri. O Zé Cri fintou três adversários e quando ia entrar na área, vem um quarto jogador, que é o Rafael Fernandes, e com a sua perna esquerda acaba por tocar e rasteirar toda a perna esquerda do lateral do Sporting. E portanto, livre direto, foi à entrada da área, fora da área, e como corta uma jogada de perigo, que nós chamamos ataque promissor, daí a sanção disciplinar do cartão amarelo.
Vamos já para a segunda parte. Isto foram mesmo muito poucos casos. Ao minuto 56, cartão amarelo para Quaresma.
Certo, o Ricardo Quaresma agarrou com ambas as mãos o Morís Bocay, acho que é assim que se diz, e impediu que o jogador do Marítimo entrasse pela área lateral, portanto, da zona lateral e no bico da área, do lado direito, conforme atacava a equipa do Marítimo. Foi fora da área e daí livre direto, e é só cartão amarelo, porque corta uma jogada de perigo, um ataque promissor. Não há a situação de clara oportunidade de golo. Não se pode dizer que o jogador não sofreu essa infração, ficava isolado. Até porque ficaria em boa situação, mas tem dois jogadores do Sporting a acompanhar o movimento pela parte de dentro. Portanto, esta posição puxada para lateral e exterior da própria área, mais próxima ali até da zona da linha lateral, e o facto de haver jogadores do Sporting que estão a correr por dentro e que poderão, numa situação de dobragem, intervir no lance, fazem com que não haja clara oportunidade de golo, que tem sido um dos temas muito analisados esta semana por lances até relativamente parecidos do jogo do Porto e jogo do Benfica, que tiveram critérios diferentes em termos de vermelhos e amarelos, no que diz respeito à decisão. Neste caso concreto, e isso é que nos interessa, é só cartão amarelo porque corta um ataque promissor, não uma clara oportunidade de golo.
Minuto 60, há um lance em que faltou aqui mostrar um cartão amarelo a Paulo Henrique.
Certo. É um lance que para o árbitro é quase impossível de ver, porque o Paulo Henrique, depois de há duas repetições, e o VAR é feliz nesse aspecto, o que faz é que sem bola, a bola não está a ser disputada ali, está uns metros largos com o jogador do Sporting a sair da sua área, a jogar a bola, e o Gianni Katambo ia-se a tentar, também nessa saída de área, noutro local, ia-se a tentar desmarcar para eventualmente vir a receber o passe. E o Paulo Henrique, de forma deliberada, faz aquele movimento com o corpo e com a zona do ombro para interromper a trajetória do Gianni Katambo. Ou seja, foi deliberado, foi intencional este obstruir da progressão do Gianni Katambo, que não sequer tinha a bola, a bola estava noutro local. E eu relembro que mesmo que tivesse feito uma carga correta, tipo ombro contra o ombro ou contra a zona da omoplatra, que são os únicos sítios onde um jogador pode carregar o outro, o facto de a bola não estar à distância jogável, ou seja, não estar ali naquele espaço, que dantes nós dizíamos dois, três metros, mas isso agora saiu da lei, o facto de a bola estar noutro local, mesmo que seja uma carga correta, torna-se incorreta e portanto, por si só, é punida com livre direto. O árbitro deu supostamente lei da vantagem, ou pelo menos não terá visto o lance, porque o Sporting também saiu com bola e só foi perder mais à frente no meio-campo. Não tem hipótese de ver aquilo que a gente viu, e o que a gente viu é um complemento incorreto por parte do Paulo Henrique, que fez este movimento deliberado, intencional, para obstruir a progressão. Portanto, há um complemento desportivo e devia ser punido nessa interrupção de jogo com o respectivo cartão amarelo.
Aos 76, há um lance de possível grande penalidade, mas não há razões para isso, não?
Tudo legal. É o Romano Correia que está em situação defensiva, é o Gianni Katambo que está a atacar e já está na interior da área do Marítimo, pelo lado direito, conforme o Sporting atacava. E o que acontece é que o Romano Correia, naquele momento de contenção, ao fazer a rotação sobre ele próprio para ir disputar a bola, ocupa por antecipação o espaço por onde o Gianni vai passar. E o Gianni quando vai fazer a finta, já lá está o Romano Correia e dá-se esse momento de contacto. Não é obstrução, não há aquela situação que é eu vou claramente desligando a bola e vou obstruir a tua passagem, vou me pôr à frente da tua trajetória. Não, é no momento de rotação, na disputa do lance, em que eles primeiro ocupam esse espaço. Há um contacto absolutamente normal e não há motivo para pontapé de penalty, não obstante o Geny ter caído.
Vamos para o minuto 90. Não é um lance concreto, é o tempo extra. Foram dados três minutos.
Sim. Eu já na primeira parte tinha feito a referência, aliás, não tinha feito a referência, porque praticamente fomos todos surpreendidos com o final da primeira parte, em que tinha havido um cartão amarelo e um gol na primeira parte, e o árbitro deu zero minutos de tempo extra. Com um gol, respetiva comemoração, porque isto está na lei sete, não sou eu que estou a inventar. A lei sete diz que tudo o que é ações disciplinares, o tempo que se perde nas ações disciplinares é para se acrescentar tempo, tudo o que seja gols e respetiva comemoração é para acrescentar tempo. Se tens um gol e tens um amarelo, pelo menos um minuto tens que dar. Ok, o árbitro não deu. Agora, o que acontece? É que o Marítimo faz o gol, isto é uma competição a eliminar. Para já, os árbitros devem dar o tempo certo, não devem estar a inventar. Mas se o Sporting estivesse a ganhar de 2 x 0 e chegássemos ao minuto 90, eu até poderia aceitar que o árbitro pudesse dar um tempo menor relativamente àquilo que merecia esta segunda parte, que não devia fazer. Agora, o Marítimo acaba de fazer um gol, reduziu o resultado para 2 x 1 e tu tens de ser muito rigoroso neste tempo, porque está em causa a possibilidade de um empate e ir para penaltis ou a vitória da outra equipa. Nós tivemos, neste segundo tempo, dois gols com as respetivas comemorações, o segundo do Sporting e o 2 x 1 do Marítimo. Tivemos a mostragem de um cartão amarelo, tivemos a tal interrupção de jogo por causa daquele lance que falámos sobre o Geny Catame, em que o árbitro foi ter com o Geny para ver o que se passava. Interrompeu mesmo o jogo para ver o que se passava com o Geny e depois, a seguir, o Geny levantou-se e teve que ficar até um minuto, conforme a nova lei, fora do terreno de jogo. Mas o facto de ter lá ido, de ter parado o jogo e depois ter recomeçado com a bola a rolar, é uma interrupção, uma paragem. Eu à altura tinha dito cinco, não tinha somado a última paragem. Tivemos seis paragens para substituições, onde entraram 10 jogadores. Obviamente, se fizermos as contas a isto, temos pelo menos aqui cinco minutos. É um facto que o árbitro acabou por ir para além do minuto quatro, porque se deu um pontapé de canto e o Marítimo ali na área do Sporting e até foi um pouco mais além. Mas, de qualquer maneira, estes três minutos completamente errados naquilo que é o tempo extra.
Nota final para Iancu Vasilesca.
Vou dar nota positiva, obviamente, nota seis, porque o que esteve menos bem aqui, a cor dos equipamentos, os jogadores não tiveram dúvidas em relação a isso, não é um erro propriamente dito. O tempo extra dado, sendo um pormenor com alguma importância, não tem impacto no jogo, e um amarelo perde aqui dimensão num jogo com 29 faltas e três cartões amarelos. Isto para dizer a parte menos positiva. O resto foi tudo positivo, não há pênalti sobre o Geny, os dois amarelos mostrados foram corretos, os gols foram legais, a decisão na área, como aquela que vimos do Geny e outras, até na parte final, foi tudo assertivo e isso é o lado positivo de um jogo relativamente simples de arbitrar. A intensidade também não foi muito elevada, conforme vocês também foram descrevendo no direto, e por isso vou dar nota positiva, nota seis, à equipa liderada por Iancu Vasilesca.
Sem falta, assinado pelo Pedro Henriques, este jogo entre Sporting e Marítimo. Pedro, um abraço.
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