Estatal federal bancou cabos eleitorais em convênio de R$ 35 mi
O grupo recebeu de R$ 1.000 a R$ 10.000, por mês, entre janeiro e março deste ano - período alcançado pela folha de pagamentos. Outro bolsista identificado pelo UOL é primo de um ex-vereador de Belford Roxo (RJ) que chegou a ser preso sob suspeita de chefiar uma milícia no município.
"A estatal fez um contrato diretamente com a UFRJ, sem licitação, por sugestão de um dos diretores", conta Julia. "Ele diz: 'olha, a gente aqui tem um pessoal muito bom, mas com capacidade pífia para ajudar em questões de regulação ambiental, alguns problemas que estão levando a multas e ações, então sugiro que a gente faça aqui um convênio com a UFRJ, para a gente poder capacitar melhor as pessoas.'"
Desde meados do ano passado, a estatal é controlada politicamente pelo ex-prefeito de Belford Roxo Wagner Carneiro (Republicanos), o Waguinho, após aval do presidente Lula (PT). Ambos se tornaram aliados nas eleições de 2022.
"Tem um dado curioso sobre o Belfort Roxo, que é uma das cidades com maior concentração de votos para um ou dois candidatos apenas. Quando você pega a votação desse grupo original que incluía o Waguinho, a esposa, vários desses que você citou, e agora os adversários, que são os irmãos Canella, ligados ao Flávio Bolsonaro, só eles tinham voto na cidade. É impressionante, ninguém conseguia", aponta Toledo.
Após a reportagem, UFRJ suspendeu o pagamento do convênio e determinou a "abertura imediata" de uma sindicância. O diretor da PortosRio que havia sugerido a parceria pediu demissão da estatal.
A companhia afirmou estar "comprometida com a correta aplicação dos recursos". Leia a íntegra das manifestações aqui.
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