FCP x Napoli. "Gabri Veiga atingiu uma dimensão especial”

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Futebol Clube do Porto 4, Nápoles 1. Primeira vitória do Dragão esta época na Liga dos Campeões, primeira vitória também de Farioli e muito importante, de certeza, Felipe Coelho, esta vitória para os lados do Dragão, porque em sete campeonato absolutamente irrepreensível, 10 vitórias, 10 jogos, até aqui trazia três derrotas da Liga dos Campeões, mas Farioli mencionou e também citou Costinha, que o Futebol Clube do Porto fez muito boas exibições, mas foi com nada para casa. Hoje tudo mudou, o Porto foi superior e Farioli disse que teve algumas dificuldades inicialmente em adaptar-se a uma certa anarquia da equipa do Nápoles, mas orgulhoso da equipa que conseguiu gerir e também dos jogadores que, diz o treinador, falaram entre si para perceber como é que o Nápoles ia abordar o jogo. Numa primeira parte em que o Porto dominou quase o tempo inteiro, até aos 10 minutos finais, em que sofreu o gol, de resto, foi sempre Porto. Mais.
Sem dúvida, em termos gerais, creio que é um jogo que pode significar o clique exibiçional na Liga dos Campeões. É, desde logo, também um resultado inequívoco e que serve para afastar algumas dúvidas sobre a incapacidade que o Porto estava a ter de fazer o transfer, pelo menos a nível de competitividade geral do campeonato para a Champions, e recoloca-se na luta pelo apuramento para o playoff. O Farioli lançou o André Silva na frente, sem grande surpresa, e apostou no Martim Fernandes na lateral esquerda. E creio que do ponto de vista defensivo, o Martim esteve bem no duelo com o Politano, que é um dos principais criativos desta equipa do Nápoles. Nesse sentido, foi uma mais-valia. O Porto, de facto, assumiu o jogo desde o início, teve uma boa entrada na partida, procurou sair desde trás de forma curta e com uma nuance em termos de saída para jogo. O Porto saiu com o Diogo Costa e os dois centrais, depois afastava toda a equipa, fazia subir toda a equipa para tentar, no fundo, partir o Nápoles e ganhar vantagem para depois acelerar o jogo mais à frente. De resto, o Nápoles, até pela forma como apareceu no Dragão, com o encaixe no meio-campo, libertava algum espaço nos corredores laterais. Também pela circunstância de ter o Politano e o Vergara, que são extremos de origem adaptados a essas posições, houve aqui alguma margem para os laterais do Porto, imediatamente para o Alberto Costa subir. E o Alberto Costa está precisamente na origem do gol ou do canto que veio a dar um a zero para o Porto, logo a abrir a partida, mas premiando essa boa entrada portista. Parece-me também que a equipa do Farioli hoje apareceu um pouco mais flexível e com pouco mais de mobilidade. Vi vários movimentos do Gabriel Veiga a sair da sua posição base na meia-esquerda, a vir para o lado direito, o Borra Sáenz ir em aspas, o próprio Martim com alguma liberdade, e o Porto conseguiu, de facto, ter um jogo atacante mais fluido, com várias jogadas combinativas. Depois, à semelhança do que já aconteceu noutras partidas, creio que falta traduzir as melhores fases do Porto nos jogos em algo mais palpável, em termos de criação de oportunidades e de gols, porque o Porto, de facto, teve ascendente naquela primeira meia hora, mas só marcou de bola parada pelo Bednarek e as aproximações que teve-
E hoje a bola parada foi fundamental. Houve também o segundo gol na segunda parte que selou o marcador, mas Farioli destacou isso mesmo, a capacidade dos jogadores para bater o canto, mas também a dos que o cabeceiam para se desmarcar dentro da área e ficou feliz, visivelmente, ou divivelmente, neste caso, que estamos na rádio, divivelmente feliz.
Sim, há várias dimensões nesse tipo de lance. O Porto é uma equipa muito forte no contexto interno e tem marcado diferenças nesses lances particulares dos jogos, mas o transfer para as competições europeias não estava a surgir. Aliás, é a primeira vez que o Porto marca de canto nas competições europeias, desde que o Francisco Farioli é treinador portista, e falo duplamente. Primeiro o Bednarek e depois o Kiver. O Porto também beneficia de ter excelentes executantes, Gabriel Veiga, por um lado, o Wang na segunda parte, são jogadores que batem muito bem e também aproveitou a circunstância do Nápoles ser uma equipa débil na bola parada defensiva. Isso ficou visível, desde logo, no lance do segundo gol. Faz uma marcação mista, mas depois não é uma equipa agressiva. O Kevin de Bruyne deixa a bola passar no segundo gol, no gol do Kiver, melhor dizendo, nem salta a bola. Portanto, é uma equipa que permitiu também que o Porto tivesse esse ascendente ao nível de bola parada. Mas para concluir aquela ideia, o Porto é uma equipa que teve alguma infelicidade, é certo, na conclusão de lances, mete duas bolas nas traves, mas é uma equipa também algo que sofre nas situações em que aparece em vantagem no último terço e nem sempre toma as melhores decisões e teve outra vez, como noutras partidas, vários lances em que podia ter traduzido, de facto, essas jogadas em algo de mais positivo, nomeadamente o Samuna na segunda parte. Mas creio que, enfim, aquela-
Só para perguntar, que na primeira parte, talvez não tão positivo aquele final de 10 minutos, como falavas, em que o Porto concediu alguma coisa ao Nápoles, acaba por sofrer e talvez essa seja uma das notas mais negativas da noite de hoje. O Porto volta a sofrer gol. O Porto, na época passada, tinha como quase apanágio ser a equipa a quem ninguém conseguia marcar.
Sim, o Porto tem sofrido bastante. Aliás, nos três jogos na Champions em casa, sofre nos três, desde logo. Enfim, hoje não com tantas oportunidades para o Nápoles, como aconteceu com o Man City e PSV, é certo, mas de acordo, ou seja, aquela reta final da primeira parte, creio que foi mal gerida pelo Porto. O Porto estava em vantagem, estava por cima, poderia ter colocado o ritmo do jogo mais em seu favor e não, permitiu que o campo se partisse em algumas circunstâncias. O Nápoles teve campo aberto para sair para ataque e depois chegou ao empate também, de certa forma, com alguma naturalidade, porque eu vi o Porto a perder alguns posicionamentos no meio-campo, nomeadamente o Pablo Rosário, o Frau também longe do seu nível e com o Kevin de Bruyne um pouco mais dentro do jogo. Dentro do tal aspecto que o Farioli falou, que é o facto do Nápoles ter aparecido com três médios puros, mas o Kevin de Bruyne era uma espécie de joker. Em algumas circunstâncias, o Kevin de Bruyne baixava no terreno, o McTominay avançava e isso gerava alguma dúvida a nível defensivo no Porto e creio que esse é, de facto, o pior período da exibição portista.
E tivemos na segunda parte um Porto que entrou a todo o gás, voltou a tomar controle do jogo, não foi imediato a fazer o gol, mas conseguiu fazê-lo, sobretudo depois das mexidas de Farioli. Farioli aqui também acabou por resolver o jogo a partir do banco. Não sei se concordas, Filipe.
Sim. O Porto entrou bem na segunda parte, tem ali uma série de lances perigosos, inclusivamente um cabeceamento de Ureñá que há trave. Depois há um período em que o Nápoles consegue reagir com um pouco mais de circulação de bola, pondo o bloco do Porto a dançar para depois meter a bola no Højlund, e aí o Porto voltou a ficar um pouco por baixo, mas creio que o Farioli mexeu quando a equipe precisava e mexeu de forma acertada. Primeiro com a entrada do Samu para trazer um pouco mais de força física e de presença ao ataque, coisa que o André Silva não estava a mostrar, e mais tarde com o Jiménez e o Zaidu. Ambos acrescentaram. O Porto melhorou e houve esse impacto das alterações e há uma nota clara de destaque para o Francesco Farioli. Repara que o Jiménez entra e passado quatro minutos faz a assistência para o gol do Gabri Veiga, o 2 x 1, que acaba por ser também o momento definidor desta partida, porque aí o Nápoles já era uma equipe descrente, com pouca energia, com poucas soluções também no banco para o Allegri mexer. Foi uma equipe que foi deixando cada vez mais espaços para o Porto atacar e, de fato, naquela reta final o Porto conseguiu ter vários lances, marcou mais dois gols. Enfim, até poderia ter chegado outro tipo de vantagem. Estou a lembrar-me, por exemplo, de um lance mal definido pelo Samu. Portanto, foi uma segunda parte de amplo domínio portista.
E Samu também conseguiu fazer o gosto ao pé pela segunda vez nesta edição da Champions, ganhou o pênalti que depois converteu. Um jogador que mostra muita vontade de marcar o gol, mas o que eu te pergunto é se às vezes isso não é um pouco contraproducente, porque com tanta ansiedade para marcar, às vezes há um colega melhor posicionado e isso seria bem em prol da equipe. Bem sabemos que Farioli gosta desta ambição, mas não poderá ser aqui um problema este tipo de atitude que às vezes Samu apresenta. Vontade é sempre boa, mas às vezes também temos de olhar pro lado, pros colegas e ter alguma consciência do jogo.
Sem dúvida, eu creio que este gol até pode ser libertador para o Samu.
Para que Samu agora consiga ser mais de ligação.
Sim, é um ponta de lança que estava a necessitar deste momento, deste gol. Ele é um pouco sôfrego na forma como aborda a finalização, precipita-se de certa forma. Creio que até evoluiu em termos de relacionamento com a equipe, é um jogador que está mais confortável a relacionar-se com os médios, a sair para o jogo, liga melhor do que quando chegou ao Dragão, desde logo. Essa evolução parece-me evidente, mas a lesão foi grave. Ele regressou até de forma antecipada, mas depois faltou-lhe esse gol para o tranquilizar, de certa forma. E creio que, nesse sentido, pode ser importante, porque é como te digo, ele teve aqui dois, três lances em que poderia ter definido a melhor forma. Há um que é clarinho como água, uma superioridade numérica do Porto, em que o Samu assina o arremate quando tinha claramente, creio que é o Pepe, em melhor posição. Mas pode ter esse efeito, o efeito libertador, para trazer a melhor versão de Samu.
E para fecharmos este relatório do jogo, Filipe Coelho, na tua opinião, o que é que foi o pior, antes de irmos ao melhor desta noite?
O pior? A gestão daquela reta final da primeira parte do lado do Porto. Creio que, de fato, não se soube adaptar à circunstância do Kevin da Bruno estar um pouco mais presente no jogo. Também não diminuiu o ritmo da partida nessa fase. Creio que o meio-campo poderia ter estado um pouco mais junto para fechar melhor as incursões italianas. O Porto foi uma equipe até algo desnorteada nesse período e creio que dentro de uma exibição muito interessante da equipe de Francesco Farioli, que eu creio que está numa toada ascendente depois da goleada também ao Estoril, essa fase fica como nota menos positiva da exibição dos Dragões.
E o que foi o melhor esta noite? A testa polaca, que pode sair daqui desta noite do Dragão como marca registrada?
O melhor, os dois gols dos centrais polacos, o melhor mais, Pablo Rosário, ou se quiseres supremo, Gabri Veiga. Creio que faz uma exibição fenomenal, uma exibição de mão cheia do médio espanhol. Pressionou, transportou o jogo, abriu os ataques do Porto, assistiu, marcou, esteve em todo lado. Foi de fato uma noite memorável de Gabri Veiga. Creio que é a melhor exibição de Gabri Veiga desde que assinou pelo Porto. Já tinha estado muito bem contra o Estoril, mas creio que hoje atingiu uma dimensão especial e ainda por cima faz o gol, que eu creio que é definidor desta vantagem para o Porto, deste triunfo do Porto, que é o lance 2 x 1, com uma frieza muito típica do Gabri Veiga, do Gabri Veiga que apareceu no Salta de Vigo, que aparecia de trás com surpresa, capaz de finalizar. Esse é o resumo daquele lance do segundo gol e, portanto, fica o melhor para Gabri Veiga, o melhor da noite da Liga dos Campeões no Dragão.
Está feito e entregue o relatório de jogo. Porto 4, Nápoles 1. Primeira vitória do Porto esta época na Liga dos Campeões. Estreia de Farioli a vencer na liga milionária. Filipe Coelho, um grande gosto, um abraço e até breve.
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