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Saturday, October 10, 2026

Cotado por Flávio para STF era 'distribuidor' de livros de Ustra entre bolsonaristas

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Um dos nomes mais cotados a serem indicados como ministro do Supremo Tribunal Federal num eventual governo Flávio Bolsonaro (PL), o ministro do TCU Jorge Oliveira ajudou a difundir as ideias do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra entre os apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Oliveira é major da reserva da PM e, antes de ser indicado por Bolsonaro para o TCU, foi ministro da Secretaria-Geral da Presidência do governo dele (2019 a 2020). Ele é filho de Jorge Francisco, capitão do Exército morto em 2018, que trabalhou por mais de 20 anos no gabinete de Bolsonaro na Câmara.

Bolsonaro sempre foi um entusiasta e difusor de "A Verdade Sufocada", livro de memórias de Ustra, em que ele defende seu papel na ditadura. De setembro de 1970 a janeiro de 1974, Ustra (na época major) comandou o DOI-Codi do 2º Exército, em São Paulo, um dos principais centros de tortura do regime. Mais tarde, seria reconhecido pela Justiça como torturador.

Ustra é tido como um herói pelo ex-presidente, que homenageou o coronel ao votar pela abertura do processo de impeachment contra Dilma Rousseff em 2016. Presa política, Dilma foi torturada na ditadura.

Na campanha à Presidência de 2018, Bolsonaro afirmou que "A Verdade Sufocada" era seu livro de cabeceira. Comprou às carradas exemplares diretamente à viúva de Ustra, Joseíta Ustra, para distribuir entre apoiadores. Joseíta teve papel central nas memórias do marido, sendo revisora e coeditora da obra e por anos a responsável por distribuí-la.

O enviado de Bolsonaro à casa de Joseíta em Brasília para comprar os livros era Jorge Oliveira, conforme depoimento da viúva a este repórter, detalhado no livro "Poder Camuflado".

Joseíta relatou que certa vez tentou dar algumas caixas de presente a Bolsonaro, mas que o então candidato não aceitou –devolveu o regalo via Oliveira. Fazia questão de pagar pelo material.

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