Cleitinho (Republicanos) é eleito governador de MG no 1º turno


O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) vai governar Minas Gerais a partir de 2027. Ele derrotou no primeiro turno outros dez candidatos, entre eles o atual governador Mateus Simões (PSD) e o deputado federal Patrus Ananias (PT), candidato do presidente Lula que cresceu nas pesquisas nos últimos dias antes da eleição.
Cleitinho, que declarou apoio a Flávio Bolsonaro já no início da corrida eleitoral, reuniu apoiadores de todos os lados do espectro político.
Apesar do posicionamento mais alinhado à direita, o senador defende algumas pautas associadas à esquerda, como o fim da escala 6x1. Oficialmente, tem dito que quer dialogar com qualquer que seja o presidente eleito. Sua chapa tem o apoio do Podemos e faz parte da coligação "Minas é do Povo".
Ao longo da campanha, o senador angariou adesões informais até de concorrentes e políticos do PL ao PT, que tinham seus nomes próprios na disputa pelo governo.
A sigla de Flávio Bolsonaro lançou o estreante Flávio Roscoe na disputa, enquanto o PT de Lula apostou no deputado federal Patrus Ananias. Desconhecido, Roscoe, ex-presidente da Fiemg (Federação das Indústrias de Minas Gerais), não avançou. Patrus chegou a crescer no final da campanha, mas não o suficiente para chegar ao segundo turno.
A candidatura do atual governador Mateus Simões (PSD), sucessor de Romeu Zema (Novo) no estado, também não decolou.
Cleitinho venceu ainda o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), e o ex-presidente da Câmara Municipal de BH Gabriel Azevedo (MDB).
Uma das estratégias de sua campanha foi evitar debates e confronto direto com os adversários, direcionando a busca por votos nas ruas e nas redes sociais.
Nos 50 dias de campanha, Cleitinho concentrou suas agendas no interior, boa parte delas no entorno de Divinópolis, seu reduto eleitoral.
Como estratégia de campanha, afirma que abriu mão de R$ 17 milhões do Fundo Eleitoral e do Fundo Partidário "para mostrar que dá para fazer uma campanha limpa, honesta e sem gastar dinheiro público". Dizia que faria a campanha mais barata da história de Minas Gerais.
Esta é uma bandeira que carrega desde que era vereador em Divinópolis, quando defendia que os políticos deviam dar o exemplo e recusar verbas públicas de campanha, destinando os valores para investimentos na população.
A renúncia aos valores foi oficializada por Cleitinho em carta que enviou à direção do Republicanos. Nas campanhas de 2022 ao Senado e de 2018 à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), ele também não utilizou os fundos, financiando sua campanha exclusivamente por meio de doações de pessoas físicas.
Vaivém
A candidatura de Cleitinho foi registrada na véspera do término do prazo da Justiça Eleitoral. Foram meses de indefinição e de impasses com o Republicanos. Em seu primeiro mandato como senador, ele tem mais quatro anos no parlamento.
Cleitinho chegou a gravar um vídeo ao lado do presidente do partido, o deputado federal Marcos Pereira (SP), pedindo desculpas por não se candidatar e alegando luto pelo irmão caçula, Matheus, que faleceu em julho por leucemia. Mas, recuou no dia seguinte.
Foram dias de negociação e vaivém até a candidatura ser registrada oficialmente. O senador exigiu como vice Luís Eduardo Falcão (Republicanos), ex-prefeito de Patos de Minas e ex-presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), com quem havia firmado parceria meses antes.
O verdureiro "outsider"
Natural de Divinópolis, no centro-oeste de MG, Cleitinho tem 44 anos, é casado e pai de dois filhos. Estudou até o ensino fundamental, trabalhava no sacolão da família e foi cantor em uma banda de pagode antes de entrar para a política.
Foi eleito pela primeira vez em 2016, como vereador, pelo PPS (atual Cidadania), mesmo partido que o elegeu deputado estadual em 2018. Em 2022, foi eleito senador com 4,2 milhões de votos pelo PSC (atual Podemos), mas migrou para o Republicanos antes de assumir o mandato em 2023.
Com 11 milhões de seguidores nas redes sociais, Cleitinho ele se coloca como "outsider", um verdureiro que entrou para a política sem deixar de ser do povo. Seus vídeos indignados e com críticas aos privilégios e mordomias dos políticos viralizaram.
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