Tudo o que já sabemos sobre "You Can See Everything"

No agregador de notas e críticas de cinema Rotten Tomatoes, You Can See Everything tem 97%, sendo a pontuação exatamente a mesma no Metacritic. A originalidade, a dúvida que faz o espectador questionar o que é real ou não e as reviravoltas são as características mais elogiadas.
A revista Variety diz que é “é praticamente a coisa mais distante de um documentário ‘puro’ que alguma vez se tenha visto. E isso faz parte do seu encanto — um psicodrama circense único, entre um reality show e filme hangout [termo que se refere a um enredo minimalista, onde nada de extraordinário acontece]”.
“You Can See Everything procura a precisão na sua representação de uma figura muito comentada. Acaba por questionar, com muito humor, mas também com uma boa dose de sabedoria, o que seria, afinal, essa ideia de ‘precisão’, escreve o The Hollywood Reporter.
“Quase de imediato, torna-se evidente que You Can See Everything ultrapassa os limites do cinema documental e, de alguma forma, mesmo após 174 minutos, deixa-nos com curiosidade e fome de mais”, considera Cortlyn Kelly no site IndieWire.
Ainda assim, nem toda a gente ficou impressionada. Na revista Time, Stephanie Zacharek questiona se o filme será assim tão inovador e se faz sentido filmar um documentário desta forma. “Holmes é fascinante e, de uma forma estranha, cativante. Mas, por definição, Fielder é uma figura tão importante em You Can See Everything quanto Holmes, e a vossa opinião geral sobre o filme dependerá do quanto conseguem suportá-lo.” Shane O’Neill escreve no The Washington Post que “mesmo para quem adora situações extremamente constrangedoras, é difícil de ver”.
Pode lutar pelo Óscar de Melhor Filme?
Há muitos zunzuns pela Internet fora, especulando que este poderá vir a ser o primeiro documentário a competir na categoria de Melhor Filme, coisa que nunca aconteceu até hoje nos Óscares. O facto de juntar sequências em que a atriz Amanda Seyfried retoma o papel que fez na série The Dropout: A História de uma Fraude abre a porta da ficção, mas não é claro se isso será suficiente para ser considerado para a corrida ao Óscar mais importante.
A verdade é que, apesar de ser inédito um documentário competir com filmes de ficção, as regras da Academia não excluem essa possibilidade. Para que um projeto possa ser nomeado para o Óscar de Melhor Filme tem de ser distribuído por um estúdio ou produtora (são eles que submetem a inscrição), tem de ter distribuição alargada nos EUA e cumprir pelo menos dois de quatro padrões (representatividade, liderança criativa, acesso à indústria e oportunidades e desenvolvimento do público). Por fim, tem de obter votos suficientes dos membros da Academia para entrar na lista final de dez nomeados.
É um fenómeno nas redes sociais?
Só o trailer ultrapassou mais de 14 milhões de visualizações, tendo a pergunta “Why would I deceive you (porque haveria de te enganar)?”, que Elizabeth Holmes dirige a Fielder, virado meme entretanto. No Tik Tok multiplicam-se imitações, reações e teorias sobre a sinceridade da antiga empresária.
Também para o Halloween, uma festividade com muita importância nos EUA, estão a surgir ideias de disfarces inspirados na mesma dupla, com a Variety a sugerir até adereços para recriar Elizabeth Holmes e Nathan Fielder.
E em Portugal?
A primeira exibição do documentário acontece em Lisboa, no LEFFEST (Lisboa Film Festival), a 7 de novembro, e esgotou assim que os bilhetes ficaram disponíveis. Segue-se um dia de sessões especiais no dia 8, no cinema Trindade, no Porto, e em salas Cinema City e NOS. O mais certo é que, a partir daí, também em Portugal se comece a espalhar o fenómeno. A 12 de novembro, You Can See Everything chega às salas de todo o País.
O que renasceu com o documentário?
Muita coisa já se escreveu e produziu sobre Elizabeth Holmes e a empresa Theranos. Tudo isso já tem alguns anos, mas o documentário está a fazer com que esses conteúdos mexam novamente. As vendas do livro Bad Blood, de John Carreyrou, duplicaram numa semana e estão 55% acima daquelas registadas no mesmo período de 2025. De acordo com o Spotify, as reproduções do podcast The Dropout subiram 673%, enquanto as do podcast Bad Blood: The Final Chapter aumentaram 342%. A série The Dropout: A História de uma Fraude, que se estreou em 2022, regressou aos tops das mais vistas e teve um aumento de 700% nas visualizações numa semana, diz a Forbes. No IMDb ocupa o 47.º lugar (em 100) das séries mais populares. Com tudo isto, é difícil que, nos próximos tempos, alguém diga que não sabe quem é Elizabeth Holmes.
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