Ensino em crise expõe os limites do modelo social francês
A onda de protestos de estudantes na França, que expõe uma educação há anos negligenciada no país, e o agravamento da crise fiscal francesa evidenciam como o elevado endividamento e a ausência de reformas estruturais pressionam as contas públicas e reduzem a margem de manobra do Estado, com impactos diretos sobre os serviços públicos, a juventude e os estudantes.
Segundo a revista Le Point, a França atravessa "os últimos dias do modelo francês" e tornou-se, aos olhos dos mercados financeiros, o novo "doente da Europa". Com uma dívida pública de € 3.595,5 bilhões, equivalente a 119% do PIB, e uma carga da dívida que deve ultrapassar € 90 bilhões em 2027 - mais do que os gastos destinados à Educação -, a publicação retrata anos de medidas destinadas a preservar a paz social e adiar reformas estruturais.
Essa situação se combina com um ambiente social altamente inflamável, marcado por protestos de alunos do Ensino Médio e ameaças de novas greves, enquanto os investidores questionam a capacidade do país de controlar suas contas.
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