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Thursday, November 5, 2026

Como a vitória democrata nas Midterms pode mudar a política externa dos EUA

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Os democratas conquistaram o controle do Senado e da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos nas Midterms, as Eleições de Meio de Mandato, na terça-feira (3), garantindo uma parcela significativa de poder em Washington, D.C., após dois anos de domínio republicano.

Durante a campanha, os democratas argumentaram que os republicanos cederam ao governo do presidente Donald Trump as prerrogativas constitucionais do Congresso sobre a declaração de guerra e os gastos públicos. Agora, espera-se que eles limitem esses poderes.

Veja algumas maneiras pelas quais um Congresso sob controle democrata poderia restringir a política externa de Trump.

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Conter a guerra contra o Irã

Trump não pediu a aprovação do Congresso antes de iniciar, ao lado de Israel, a guerra contra o Irã em 28 de fevereiro deste ano.

Os democratas votaram repetidamente pelo encerramento do conflito, a menos que o presidente buscasse autorização do Legislativo.

Uma dessas resoluções foi aprovada tanto na Câmara quanto no Senado, contando, inclusive, com o apoio de alguns republicanos, mas o governo Trump a ignorou.

Com sua nova influência, os democratas poderiam cortar gastos com defesa ou barrar nomeações, pressionando Trump a obter permissão do Congresso para dar continuidade à guerra.

Eles também poderiam exigir que autoridades do governo mantenham os parlamentares e a população informados sobre seus planos, inclusive por meio de audiências públicas.

Novo apoio à Ucrânia

Trump suspendeu em grande parte a ajuda financeira e militar direta à Ucrânia, apesar de o auxílio norte-americano contar com amplo apoio de legisladores tanto democratas quanto republicanos.

Mais recentemente, ele provocou a indignação de integrantes do Congresso — incluindo muitos republicanos — ao suspender sanções sobre o diesel russo e abrir exceções para o setor energético da Rússia, poucas semanas após ter sancionado essas mesmas medidas.

Com o controle de ambas as casas a partir de janeiro, os democratas poderão definir o que será votado e quando.

Isso lhes permitiria aprovar um novo pacote de ajuda à Ucrânia, uma medida que, provavelmente, obteria a maioria de dois terços necessária para derrubar um eventual veto de Trump.

Assessores democratas afirmaram que prestar assistência às forças ucranianas é uma prioridade.

Eles também poderiam focar em outras ações de Trump. Por exemplo, o deputado democrata Gregory Meeks, de Nova York — cotado para presidir a Comissão de Relações Exteriores da Câmara —, apresentou um projeto de lei bipartidário que visa bloquear o plano do presidente de permitir o retorno do diesel russo ao mercado global.

Embora o tamanho final das maiorias democratas ainda não tenha sido definido, o apoio à Ucrânia tem sido historicamente tão sólido — tanto por parte desse partido quanto de muitos dos republicanos alinhados a Trump — que o Congresso pode conseguir formar maiorias amplas o suficiente para derrubar um eventual veto de Trump.

Fim da ajuda militar a Israel

O apoio a Israel despencou entre os democratas devido à conduta do país na guerra na Faixa de Gaza, que resultou na morte de dezenas de milhares de civis palestinos.

A violência contínua na Cisjordânia, que é um território ocupado por Israel, e a estreita aliança do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, com os republicanos também foram fatores determinantes.

Os democratas poderiam limitar ou encerrar a ajuda militar a Israel, que inclui uma base de US$ 3,8 bilhões (equivalente a cerca de R$ 20,7 bilhões) anuais, além de bilhões de dólares adicionais liberados desde os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023 — episódios que desencadearam a devastadora campanha israelense em Gaza.

No passado, quase metade dos democratas na Câmara dos Representantes votou pelo corte da ajuda a Israel. Alguns dos que votaram contra essa medida, como Meeks, defenderam a imposição de limites ao fornecimento de armamentos, a exemplo de bombas de grande porte, ao país.

Limitação dos gastos militares e restauração da ajuda externa

Os democratas são muito mais propensos do que os republicanos alinhados a Trump a defender a limitação dos gastos militares.

Este ano, o presidente solicitou um aumento sem precedentes de 67% no orçamento militar, elevando-o para US$ 1,5 trilhão (equivalente a cerca de R$ 8,1 trilhões).

No entanto, os representantes da oposição bloquearam a proposta no Senado, justificando a decisão pela recusa de Trump em consultar o Congresso sobre um possível conflito com o Irã e pelos cortes drásticos que ele promoveu em programas sociais.

Trump também reteve ou cancelou bilhões de dólares em ajuda externa que haviam sido aprovados pelo Congresso.

Muitos democratas reagiram com indignação a esses cortes e afirmam que buscarão restaurar o financiamento. Historicamente — inclusive durante o primeiro mandato de Trump como presidente —, tanto democratas quanto republicanos apoiavam de forma expressiva a ajuda externa.

Maior escrutínio sobre a política para a América Latina

Em relação ao Hemisfério Ocidental, Trump adotou uma postura muito mais agressiva do que presidentes anteriores — incluindo ações como a articulação para a destituição do presidente da Venezuela e a realização, ao longo de mais de um ano, de ataques letais contra embarcações na costa venezuelana.

Além disso, ele impôs sanções com o objetivo de prejudicar o governo de Cuba, chegando a ameaçar com uma intervenção militar para forçar uma mudança de regime no país.

O governo dos EUA também buscou influenciar eleições em Honduras, na Argentina, na Colômbia e no Brasil.

Alguns democratas pediram investigações e audiências sobre as ações de Trump na Venezuela. Outros denunciaram o que classificam como sanções cruéis que punem civis em Cuba e defenderam o fim do envolvimento em eleições estrangeiras.

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