Há 50 anos, Vitória-ES encerrava jejum de duas décadas e era campeão capixaba


Os gols de Vitória-ES 3 x 1 Estrela do Norte pelo Campeonato Capixaba 2006
O título de 1976 foi tratado por A Gazeta na época como o fim de uma espera que mobilizou a torcida alvianil. Nas páginas do jornal, o que era dito "é que a conquista não era só uma quebra de tabu, mas a mudança de patamar de um clube que antes era considerada terceira força do futebol capixaba".
Outro destaque foi a festa em Jardim América, com os torcedores alvianis invadindo o gramado e carregando o presidente Sizenando Pechincha após a confirmação da conquista, que seguiu até Bento Ferreira, no estádio Salvador Costa. O que ninguém sabia naquele momento é que viria um jejum ainda maior pela frente, e o clube só voltaria a ser campeão capixaba 30 anos depois.
Página de jornal do título capixaba do Vitória-ES de 1976 — Foto: Cedoc/A Gazeta
De torcedor de arquibancada a herói do título
Considerado um dos maiores jogadores da história do Vitória-ES, Luiz Carlos era torcedor de arquibancada do Alvianil e iniciou a trajetória no futebol ainda muito jovem, atuando como meia-direita. Aos 18 anos, seu talento chamou a atenção durante uma competição amadora organizada pela Federação Capixaba de Futebol, torneio tinha um nível técnico próximo ao de uma segunda divisão profissional e chegou ao Vitória em 1975.
Em sua primeira avaliação, Luiz não foi aprovado e sequer teve a chance de trabalhar com bola. Porém, seguiu se destacando no time 3 de Maio, de Goiabeiras, foi observado por um dirigente e recebeu outra oportunidade. Após um tempo, fez um teste em um amistoso contra a Desportiva no fim daquele ano, quando o Vitória-ES venceu por 1 a 0, com gol dele. Diante da boa atuação, ganhou a oportunidade de se apresentar entre os profissionais na temporada seguinte.
- Ainda era amador, só tinha o registro na Federação. O Vitória-ES tinha sido campeão em 1956, ano que eu nasci. Em 1976, eu tinha feito 20 anos de idade, e o Estadual já foi o primeiro campeonato que eu disputei e já fomos campeões. Eu era um torcedor de arquibancada, eu ia assistir muitos jogos no Governador Bley, tinha meus ídolos que jogavam no Vitória-ES... Depois, eu chegando aqui, fui jogar junto com eles, e foi uma satisfação muito grande, ainda mais por fazer o gol do título - disse Luiz Carlos, ao ge.globo.
Luiz Carlos Sá, ex-jogador do Vitória-ES — Foto: Arquivo
Vitória-ES desbanca os favoritos
A Desportiva Ferroviária e o Rio Branco-ES eram os grandes favoritos ao título de 1976. Havia mais de uma década que os dois clubes dividiam o protagonismo do futebol capixaba e eram os principais representantes do Estado no Campeonato Brasileiro. O Vitória-ES, visto como a terceira força, terminou a primeira fase justamente atrás dos dois rivais, mas cresceu nos momentos decisivos.
Na abertura do quadrangular final, a Desportiva, líder da primeira fase com certa folga, poupou titulares diante do Santo Antônio, vencedor da repescagem, e ficou no 0 a 0. O Vitória-ES aproveitou. No clássico contra o Rio Branco, venceu por 2 a 1, com gols de Luiz Carlos e Didi, e largou na frente. Na rodada seguinte, o Alvianil voltou a mostrar força. Depois de sofrer a virada da Desportiva, buscou o empate por 2 a 2, resultado deixou o Vitória-ES dependendo apenas de si para ser campeão na última rodada.
Vitória-ES x Rio Branco - Campeonato Capixaba 1976 — Foto: Cedoc/A Gazeta
Na rodada decisiva, o time de Bento Ferreira precisava de apenas uma vitória simples diante do Santo Antônio para confirmar o título. Aos 12 minutos, Gaúcho acertou um chute de fora da área e abriu o placar. Aos 38, foi a vez de Luiz Carlos, que também acertou uma finalização de longe para fazer o 2 a 0 e encerrar o jejum alvianil de 20 anos sem levantar a taça do Estadual.
- Nós começamos um pouco devagar no campeonato, mas no decorrer do campeonato, o time foi se entrosando, foi ganhando força, chegamos ao quadrangular, e chegamos na frente dos outros clubes, que também eram fortes. Sinceramente, eu sempre fui forte em batidas de fora da área, e naquele dia chuvoso, no campo molhado da Desportiva, eu acertei um bom chute e fomos felizes - disse Luiz.
Em 1976: Armando (prep.), Ferreti, Wilson, Getúlio, Osvaldir, Gaúcho, Pereira, Reginaldo, Adalberto Sousa, Jair Bragança, João Vicente (méd.), S.Pechincha (pres.), Monclair, Carlos Romeiro (sup.); Machado, Batista, Morango, Luís Carlos Sá, Moreiro, Didi, Ciro, Isaías, Zamith, Laerte e Rubens — Foto: Acervo do Vitória-ES
Mais 30 anos de jejum
A festa de 1976 marcou a quebra de um jejum na história do Vitória-ES, mas também marcou o início de outro mais longo. Depois do título, o Alvianil ainda foi vice-campeão em 1979, 1980 e 1984, perdendo nas três decisões para a Desportiva Ferroviária. Depois disso, só chegou em outra final em 2006, quando levantou o nono troféu do Estadual.
Luiz Carlos se afastou do clube como jogador, voltou em 1988 para encerrar a carreira e, cinco anos depois, passou a trabalhar nas categorias de base. De dentro do Vitória-ES, acompanhou a formação de jogadores, e assumiu o time profissional em 2002 e ajudou na campanha que levou o clube de volta à primeira divisão.
- Foram 30 anos, mas às vezes não é que fizemos equipes ruins. Tinham equipes boas, mas não conseguia chegar na final e ser campeão. Mas realmente foi muito tempo para voltar a ganhar um título Estadual. Em 2006 eu estava aqui. Não fazia parte da comissão técnica, mas estava aqui no clube, trabalhando com a base, e acompanhava de perto. Depois vieram outros e conseguimos ganhar outros títulos aí, mas com o tempo mais curto - concluiu Luiz.
Jogadores do Vitória-ES comemoram a conquista do Campeonato Capixaba 2006 — Foto: Chico Guedes/Arquivo/A Gazeta
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