Em noite só para a comunidade da Saint Paul, CEO da Eve conta quando o carro voador vai decolar
Quando o eVTOL, apelidado de carro voador, vai começar a transportar passageiros em São Paulo? A pergunta conduziu a noite de 26 de outubro na Saint Paul Escola de Negócios, na Consolação, região central da capital paulista. Em encontro fechado para a comunidade dos High Impact Programs (HIPs), o francês Johann Bordais, CEO da Eve Air Mobility, contou os bastidores de um dos projetos mais complexos da aviação brasileira.
A resposta oficial da empresa aponta para 2028. É esse o prazo que a Eve, controlada pela Embraer, tem para certificar e colocar em operação comercial suas aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical, segundo a teleconferência de resultados do segundo trimestre de 2026.
Uma roda com quase 1.500 líderes por trás
O encontro fez parte do Líderes de Alto Impacto, série que leva grandes executivos do país para conversar com a comunidade dos HIPs. Segundo José Cláudio Securato, CEO da EXAME Educação e da Saint Paul, essa rede já reúne quase 1.500 membros e promoveu cerca de 40 eventos em 2026.
No formato de roda-viva, Bordais foi entrevistado por alunos da graduação e do MBA Executivo, embaixadores dos HIPs e jornalistas da EXAME. “A gente traz as principais lideranças do Brasil para contar sobre suas empresas e suas histórias e inspirar toda a nossa comunidade”, diz Securato.

Para Lucas Amorim, diretor de redação da EXAME, a hora e meia de conversa foi uma oportunidade rara. “Mesmo para a gente, que todo dia conversa com as maiores empresas do Brasil, é muito raro ter um acesso tão privilegiado a uma empresa de tecnologia de ponta que está desenhando o futuro”, afirma.
Mais que um veículo, um ecossistema
Logo na abertura, Bordais deixou claro que a aeronave é só uma parte do desafio. “Não é só o veículo, é sobre o ecossistema, como a gente vai integrar essa nova alternativa de transitar na cidade”, diz.
Securato resume a complexidade em três frentes: criar uma categoria nova de aeronave, construir a regulamentação que permita a ela voar e abrir um mercado em que mais pessoas possam se deslocar pelo ar a um custo menor que o atual.
O cronograma do carro voador
O protótipo em escala real fez o primeiro voo em dezembro de 2025, nas instalações da Embraer em Gavião Peixoto, no interior paulista. Até agosto, havia somado 66 voos de teste e iniciado a fase de transição, quando a aeronave deixa de depender só dos rotores verticais e passa a voar sustentada pela asa.
A transição completa está prevista para o fim de 2026. Depois disso, a Eve precisa voar protótipos fiéis ao projeto final por cerca de um ano antes de obter a certificação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O prazo, antes estimado para 2027, passou para 2028.
“Não quero que sejamos os primeiros. Quero que sejamos os certos”, disse Bordais à Aviation Week em 2023.
US$ 13,5 bilhões em intenções de compra
A Eve soma cerca de 2.700 aeronaves em pré-pedidos, avaliados em US$ 13,5 bilhões a preço de tabela, incluindo cartas de intenção. Os pedidos firmes giram em torno de 100 unidades, de operadoras como a brasileira Revo e a japonesa AirX. A fábrica de Taubaté, no Vale do Paraíba, foi desenhada para crescer de forma modular até 480 aeronaves por ano.
A aposta não se limita à Eve. O Morgan Stanley estima que o mercado de mobilidade aérea urbana pode chegar a US$ 1 trilhão por volta de 2040.
Da Normandia à Eve
Natural da Normandia, na França, Bordais tem mais de duas décadas na indústria aeronáutica. Na Embraer, comandou a unidade global de Serviços & Suporte, de US$ 1,4 bilhão, antes de assumir a Eve em 2023.
Para Isabela Porto, aluna da graduação da Saint Paul, o que mais chamou atenção foi a forma como ele se comunicou com uma plateia tão diversa. “As palavras que ele utiliza, todos conseguem entender. É uma conversa que você acompanha sem muitas dificuldades”, diz.
Mais de um século depois de Santos Dumont, o próximo capítulo da aviação brasileira está sendo testado no interior paulista.
Inovação, regulação e tomada de decisão em projetos de alta complexidade estão no centro dos High Impact Programs, os programas da Saint Paul para CEOs, conselheiros e executivos do C-level, com trilhas em inteligência artificial, finanças estratégicas, governança e liderança. Conheça os programas
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