Por que o Brasil sempre abre a Assembleia Geral da ONU? Entenda a tradição
RESUMO | Luiz Inácio Lula da Silva viaja no domingo a Nova York para a Assembleia Geral da ONU, onde abrirá o Debate Geral na terça-feira, 22, e pretende pedir a Donald Trump que não interfira nas eleições brasileiras. O Brasil discursa primeiro por uma tradição iniciada em 1949 e consolidada em 1955. A posição amplia a projeção das prioridades diplomáticas do país.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou que viaja no domingo a Nova York para a Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU). Ao anunciar a ida, disse que pretende conversar com o presidente americano, Donald Trump, para pedir que ele não interfira nas eleições brasileiras, e afirmou que o país pertence apenas ao seu povo.
Na terça-feira, 22, Lula será o primeiro chefe de Estado a discursar na edição de 2026, posição que o Brasil ocupa todos os anos no principal fórum diplomático do planeta. A origem desse privilégio está mais na tradição do que em qualquer regra escrita.
De acordo com "O Brasil nas Nações Unidas, 1946-2011", obra editada pela Fundação Alexandre de Gusmão nos 50 anos da ONU, o costume começou em 1949. Com a Guerra Fria em andamento, a ideia era impedir que Estados Unidos ou União Soviética tivessem a primazia de abrir os trabalhos.
Desde então, antes de fechar a lista de oradores, o secretário-geral envia uma nota à missão brasileira perguntando se o país quer manter a prática. A resposta sempre positiva preserva um hábito que a publicação considera uma distinção para o Brasil. Segundo o livro, isso fez a diplomacia brasileira encarar o discurso inaugural como algo de peso estratégico.
Enquanto a maioria das delegações se concentra em assuntos do momento, o Brasil passou a usar a abertura para análises mais amplas do cenário internacional. Nelas, apresenta sua visão de mundo e defende pautas estruturais, como o combate à fome, o desenvolvimento e a reforma das instituições multilaterais.
A partir de 1955, o Brasil passou a abrir o Debate Geral de forma regular, seguido pelo país-sede, os Estados Unidos. Esse arranjo deu estabilidade ao protocolo. Depois dos dois, a sequência segue critérios como o nível da autoridade presente, o equilíbrio geográfico e a ordem de inscrição.
As exceções são raras e costumam vir de atrasos ou ajustes de agenda. Em 1983 e 1984, os EUA falaram antes do Brasil. Em 2016, o segundo lugar ficou com o Chade, porque o presidente americano não chegou a tempo.
Mais do que uma curiosidade protocolar, falar primeiro dá ao Brasil uma vitrine singular. O país pode projetar sua política externa, expor suas prioridades e marcar posição em temas globais diante de chefes de Estado, diplomatas e da imprensa internacional.
Por que o Brasil abre a Assembleia Geral da ONU?
O Brasil abre o Debate Geral da Assembleia Geral da ONU por uma tradição iniciada em 1949. Segundo o livro O Brasil nas Nações Unidas, 1946-2011, a escolha buscava evitar que Estados Unidos ou União Soviética abrissem os trabalhos durante a Guerra Fria.
Existe uma regra que obriga o Brasil a discursar primeiro na ONU?
Não existe uma regra escrita que garanta ao Brasil o primeiro discurso. Antes de fechar a lista de oradores, o secretário-geral consulta a missão brasileira, que sempre confirma o interesse em manter a tradição.
Quem discursa depois do Brasil na Assembleia Geral da ONU?
Os Estados Unidos, país-sede da ONU, costumam discursar depois do Brasil desde 1955. A ordem seguinte considera o nível da autoridade presente, o equilíbrio geográfico e a ordem de inscrição.
O Brasil sempre foi o primeiro país a discursar na Assembleia Geral?
As exceções são raras e costumam ocorrer por atrasos ou ajustes de agenda. Os Estados Unidos falaram antes do Brasil em 1983 e 1984, enquanto o Chade ocupou o segundo lugar em 2016 porque o presidente americano não chegou a tempo.
Quais temas o Brasil costuma abordar no discurso de abertura da ONU?
O Brasil costuma apresentar análises amplas do cenário internacional e defender temas como combate à fome, desenvolvimento e reforma das instituições multilaterais. Segundo "O Brasil nas Nações Unidas, 1946-2011", a diplomacia brasileira atribui peso estratégico ao discurso inaugural.
O que Lula pretende dizer a Donald Trump em Nova York?
Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que pretende pedir ao presidente Donald Trump que não interfira nas eleições brasileiras. Lula também declarou que o Brasil pertence apenas ao seu povo.
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