O fenômeno Cleitinho: de verdureiro a líder nas pesquisas em Minas

Foi eleito vereador pela primeira vez em 2016, com 3.000 votos. Na metade do mandato, migrou para a Assembleia Legislativa, em 2018, com o apoio de 115 mil eleitores. De lá para o Senado, o salto foi exponencial: foram 4,2 milhões de votos, que lhe garantiram o segundo melhor desempenho entre os senadores eleitos no Brasil em 2022.
Nos bastidores, o entendimento é que Cleitinho ganha adesão com um discurso de "outsider" semelhante ao que elegeu o ex-governador de Minas Romeu Zema (Novo) em 2018 e o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil em 2016. Ambos os empresários souberam transformar o sentimento de indignação em sucesso nas urnas. Cleitinho tem a diferença de vir de origem mais humilde.
"É um voto um pouco de revolta, uma atitude de desespero. Sua vida não está indo bem, e você acaba buscando algo que seja extraordinário, fora da política tradicional, sem sobrenomes ou títulos", aposta um interlocutor.
Ocupando espaço
"Ele chega em tudo quanto é casa, em todo celular de Minas Gerais, e fala o que as pessoas querem ouvir. É muito inteligente e tem um discurso populista, demagogo mesmo. Esses fatores, misturados com a massificação das redes sociais e a ausência de lideranças políticas, foram os motivos que fizeram ele chegar aonde está chegando", afirma um deputado mineiro, sob reservas. Ele acredita que Minas vive uma ausência completa de líderes políticos, e foi justamente nesse vácuo de lideranças que Cleitinho conseguiu emergir e se potencializar.
O cenário da disputa ao governo de Minas demorou a se fechar. Enquanto o PT tentava lançar o então senador Rodrigo Pacheco (PSB), que acabou optando por encerrar a carreira política, a direita não tinha um nome forte para consolidar uma alternativa unificada no estado, e avaliava opções de composição com o atual governador Mateus Simões (PSD), sucessor de Romeu Zema (Novo) no estado. Foi nesse contexto que Cleitinho teve campo para crescer, preenchendo um espaço vazio de forças políticas.
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