Lula da Silva compara próprio clube a Bolsonaro: "Só perde"

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Este é o Três Toques da Rádio Observador, hoje com o jornalista Carlos Pedro. Olá, Carlos. Devemos falar com sotaque hoje ou não?
Olá, bom dia. Podem falar à vontade.
Bom dia. Tudo legal?
Tudo legal. Tal como grande parte dos brasileiros, Lula da Silva e Flávio Bolsonaro são fãs de futebol e não o escondem. Não é vergonha nenhuma e não há nada no Brasil que aproxime tanto as pessoas como, por exemplo, a seleção brasileira, o futebol. Mas ambos têm também os respectivos clubes. Lula é adepto do Corinthians, enquanto Bolsonaro é adepto do Vasco da Gama. E então, o que é que aconteceu este fim de semana? Precisamente o jogo Vasco da Gama e Corinthians. Aconteceu este fim de semana.
As probabilidades, não é, disso acontecer na segunda volta das eleições.
É a terceira volta das eleições.
Exato.
Exato. Aconteceu primeiro e ganhou o Vasco da Gama. O Vasco da Gama de Flávio Bolsonaro ganhou por 3 x 2, com uma reviravolta já perto do final do jogo.
E o contrário, então.
Exatamente o contrário, porque nas eleições do Brasil também houve uma reviravolta, uma virada, como dizem os brasileiros, mas foi ao contrário, foi Lula da Silva que venceu. E eu comecei aqui a dizer que os dois gostavam de futebol. Já vamos ver algumas analogias que Lula da Silva já fez enquanto presidente utilizando o futebol, mas o presidente do Brasil decidiu também fazer uma já esta madrugada. Vamos ouvir.
Me reuni com as mulheres. Querem mesmo? Vou me reunir com o Corinthians também. Porra, o Corinthians perdeu outra, cara. Onde que a gente vai? Está parecendo Bolsonaro, só perde, porra!
Isto é que é gostar de futebol, não é? És eleito presidente do teu país pela quarta vez, mas não consegue esconder a azia de uma derrota no fim de semana. Imagine-se agora um bolsonarista adepto do Corinthians. Ou se quisermos falar de Portugal, do Sporting, neste caso. Mas Lula diz que vai falar com o Corinthians e talvez bem que precise, porque o Timão, como é conhecido no Brasil, está em zona de descida, está no 17º lugar. Portanto, a situação não é fácil, precisa de uma virada à Lula da Silva. Mas como dizia, já vai longo o histórico de declarações de Lula da Silva com o futebol à mistura, e ele até explicou o porquê em 2008. Diz que: "Todo mundo sabe que eu gosto de futebol, sigo futebol, já joguei futebol, não fui bom, mas já joguei. E utilizo muito o futebol nas minhas falas porque é coisa que pelo menos 90% dos brasileiros entendem ou pensam que entendem." Este pensam que entendem é muito bom e pertinente. Destaco também outra declaração que é pertinente, tendo em conta que perdeu a primeira volta das eleições e depois recuperou na segunda. Lula disse em 2010: "Vamos trabalhar para ganhar as eleições. Não é uma eleição fácil, é como uma equipa de futebol. Quando a equipa está a ganhar, recua, não quer fazer mais faltas, pênaltis, fica só a rebater a bola. E quem está a perder, vem para cima com tudo, com gol de mão, de cabeça, de chute, de canela."
Com a mão de Deus.
Exatamente. Não tem jogo ganho ou jogo fácil. E Lula já tinha dito algo assim também depois de apurados os resultados da primeira volta. Veio-se, de facto, a confirmar a reviravolta. Parece que já estava a adivinhar. Não sei se falou com algum bruxo, com o bruxo de Fafe, talvez, não sei, mas adivinhou. Apesar deste amor pelo futebol, dizer também que Lula da Silva teve há semanas uma decisão muito controversa e que pode dar pano pra mangas no Brasil, que é: proibiu as apostas desportivas, dizendo que é um tumor na sociedade brasileira. Parece-me evidente que o problema, de facto, existe e não é só no Brasil.
Em Portugal também.
Exatamente, em todo o lado. Mas para termos uma noção, 34% das receitas de marketing das equipas da primeira divisão brasileira vêm precisamente de casas de apostas. E estas casas de apostas ocupam também o espaço principal de patrocinador na camisola dos clubes em 14 das 20 equipas da Série A brasileira. O caso tem merecido uma forte contestação. Por exemplo, o São Paulo já começou um jogo recentemente com a frase: "Proibir não é proteger" estampada na frente da camisola. Portanto, é uma situação complicada que os clubes brasileiros têm pela frente e que Lula da Silva terá de resolver. Falemos agora de Neymar, que também dá sempre pano pra mangas.
Sempre. E até nesta vez.
No seu mítico Santos, vai jogando de vez em quando, às vezes lesiona-se e tem de parar, às vezes marca e decide o jogo, e outras vezes é expulso, como aconteceu este fim de semana. Neymar foi mais uma vítima da lei Prestianni, que impede que um jogador coloque a mão na boca para falar com o adversário, sendo que isso é mais destinado a um contexto de discussão. A lei Prestianni nasceu do alegado insulto Prestianni a Vini Jr. E Neymar foi mais uma das vítimas este fim de semana, foi expulso contra o Bahia. O árbitro não viu o momento em que o brasileiro leva a mão à boca para insultar o adversário, mas foi alertado pelo VAR. No vídeo, vê-se que Neymar estava picado com o Rodrigo Nestor, o adversário, que nem estava a ligar muito à situação, mas Neymar insistiu até que se chegou perto dele e colocou a mão na boca para falar com o Rodrigo Nestor.
Para não se ver. Agora é uma estratégia utilizada por ele.
Exatamente, não muito inteligente.
Pois, não é muito inteligente, porque ainda chama mais a atenção.
Porque foi, de facto, o jogador do Bahia que depois alertou o árbitro. Dá a entender que ele nem sequer percebe o que é que foi dito pelo Neymar, mas que viu a mão na boca e fez chamadas queixinhas ao árbitro. O árbitro foi ver ao monitor e expulsou logo Neymar. Depois do jogo, Neymar voltou a ser Neymar, foi para as redes sociais, agora ele a fazer queixinhas, criticou tudo o que mexia, criticou o árbitro pela decisão, o jogador com quem estava a discutir por ter alertado o árbitro. E diz também que esta lei está a ser banalizada porque foi criada para o contexto de insultos racistas, o que não é verdade, foi criada para todo o tipo de insulto, e diz que esta lei está a ser utilizada por safados. É a expressão utilizada por Neymar, que garante não ter dito nada de especial. A verdade é que depois eu vi um vídeo de um especialista em leitura labial, o Veloso, na rede social X, para quem quiser ver. Fez um vídeo a deborar a discussão e o que é engraçado é que logo ali aos 30 segundos do vídeo vê-se o Neymar a atirar uma bola contra o adversário. Portanto, logo ali levou amarelo, mas já podia ter sido expulso. Mais tarde empurrou um treinador e depois ainda foi atrás do Rodrigo Nestor, o adversário que o expulsou.
Portanto, se não fosse por uma coisa, seria por outra.
Exatamente. De facto, foram vários insultos durante o jogo. Não foi muito criativo o Neymar na questão dos insultos, parece-me que é mais criativo com a bola nos pés do que nos insultos, mas a certo ponto o Neymar diz assim: "Eu posso dizer o que eu quiser." Parece que não, e se quiseres tens que tirar a mão da boca, não é verdade?
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