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Sunday, September 20, 2026

Mais de 16 mil trabalhadores pediram demissão na região de Apucarana entre janeiro e julho deste ano

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Mais de 16 mil trabalhadores pediram demissão na região de Apucarana entre janeiro e julho deste ano

Autor O município com o maior número de desligamentos voluntários é Arapongas seguido por Apucarana - Foto: TNOnline

Por dia, mais de 70 pessoas pedem para deixar seus empregos na região, uma média de 540 por semana. Foram 16,2 mil desligamentos voluntários registrados entre janeiro e julho de 2026 em Apucarana, Arapongas e mais 26 municípios, o que correspondem a 43% do total de 37,5 mil demissões do período. Os dados foram levantados pela Tribuna junto ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), com base nas informações da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

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O município com o maior número de desligamentos voluntários é Arapongas, com 6,9 mil seguido por Apucarana, com 4,8 mil. O economista e professor da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), Rogério Ribeiro, observa que a soma das rescisões voluntárias nesses dois municípios atinge 72,4% do total da região. “Municípios com mais vínculos empregatícios tendem a apresentar mais desligamentos em números absolutos. Essa concentração, isoladamente, não demonstra que a proporção de trabalhadores que pedem demissão seja maior nessas cidades”, analisa. Juntos, Apucarana e Arapongas registraram 26,8 mil demissões, seja por iniciativa do trabalhador ou da empresa no período.

Para a analista de Recursos Humanos Silmara Aparecida Pinheiro, o número regional de demissões voluntárias é bastante significativo. Segundo ela, entre os principais motivos para a saída do emprego estão o cansaço, a busca por melhor remuneração e a insatisfação com a rotina de trabalho. “Hoje, salário é importante, mas não é o único fator. Ambiente de trabalho, respeito, reconhecimento, possibilidade de crescimento e até flexibilidade também pesam bastante. Ao mesmo tempo, acredito que essa relação precisa ser uma via de mão dupla: a empresa precisa oferecer oportunidades, mas o funcionário também precisa demonstrar interesse, comprometimento e vontade de crescer”, avalia.

Programa oferta acordo com pacote de benefícios para saída

Para facilitar a negociação e o desligamento amigável entre empresa e funcionário, existe o Programa de Demissão Voluntária (PDV), mecanismo que oferece um pacote incentivado de vantagens para a transição. “O PDV é uma iniciativa em que a empresa oferece a possibilidade de sair voluntariamente mediante condições e benefícios definidos por ela. É diferente de uma demissão voluntária comum, em que o trabalhador decide pedir desligamento. No PDV, existe uma proposta formal com critérios estabelecidos”, explica a analista de RH Silmara Aparecida Pinheiro. A especialista pontua que a rotatividade exige estratégias além da remuneração no recrutamento. “É importante ter boa imagem como empregadora, ambiente saudável e oportunidades claras. O profissional escolhe onde quer trabalhar, ainda mais com a alta oferta de empregos na região”, conclui.

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Pedido de demissão não é sintoma de crise, afirma economista

Para o economista e professor da Unespar, Rogério Ribeiro, a saída voluntária do emprego não sinaliza um cenário de crise econômica. “Quem pede demissão abre mão do aviso prévio, da multa de 40% do FGTS e do seguro-desemprego. O indivíduo se propõe a pedir demissão quando avalia que a alternativa disponível vale mais do que o vínculo que está deixando”, analisa o economista. Ribeiro destaca o custo de oportunidade no processo de decisão do trabalhador. “É preciso considerar aquilo de que ele abre mão ao permanecer no emprego. A comparação envolve salário líquido, benefícios, jornada, deslocamento, alimentação e cuidados com filhos, além de perspectivas de crescimento. Quando o retorno fica próximo ou abaixo de uma alternativa acessível, aumenta o incentivo para mudar de emprego ou atuar por conta própria”, pontua.

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