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Sunday, August 23, 2026

Retorno de Harry e Meghan ao Reino Unido reacende tensão na monarquia

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Quinze meses atrás, o príncipe Harry disse que não conseguia "imaginar um mundo em que eu trouxesse minha esposa e meus filhos de volta ao Reino Unido".

O duque e a duquesa de Sussex haviam fugido para os Estados Unidos em meio a uma ruptura aparentemente irreparável com a família real, a um ambiente hostil na imprensa e a um público britânico que estava irritado com as críticas deles à monarquia. Harry disse à BBC que era "realmente muito triste não poder mostrar aos meus filhos a minha terra natal".

Agora, ele poderá fazer isso. Em uma decisão que parece ter surpreendido até mesmo o rei Charles 3º, Harry e Meghan estão planejando se estabelecer novamente na Inglaterra nas próximas semanas. Seus filhos, Archie, 7, e Lilibet, 5, serão matriculados em uma escola no país. Segundo observadores da realeza, a família viverá em uma residência particular nos arredores de Londres.

A pergunta que muitas pessoas estão fazendo é: o que mudou? A resposta, segundo especialistas que acompanham a família, pode estar relacionada ao desejo de Harry de proporcionar aos filhos o tipo de criação que ele recorda com carinho —sem a atenção pública e a apuração incessante da imprensa que ele denunciou repetidamente.

Em 2023, Harry descreveu o Reino Unido como "central para a herança dos meus filhos e um lugar onde quero que eles se sintam em casa tanto quanto no lugar onde vivem atualmente, nos EUA", em uma declaração lida por seu advogado durante uma audiência judicial sobre a segurança de sua família.

"Eles querem que os filhos cresçam como cidadãos britânicos tanto quanto americanos", disse Ed Owens, autor de "After Elizabeth: Can the Monarchy Save Itself?" (Depois de Elizabeth: a monarquia pode salvar a si mesma?) e membro da Sociedade Histórica Real. "Eles querem que seus filhos absorvam a tradição, a cultura, a história e a herança do país de seu pai."

"É claro", acrescentou rapidamente, "que há outros fatores em jogo aqui".

O mais significativo deles pode ser a oportunidade de continuar reconstruindo o relacionamento de Harry com o pai, que foi diagnosticado com câncer em fevereiro de 2024. O Palácio de Buckingham afirmou que Charles está respondendo bem ao tratamento, mas, na entrevista à BBC no ano passado, Harry disse: "Não sei quanto tempo mais meu pai tem".

Lá Fora

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A entrevista foi o episódio mais recente de uma guerra de palavras extraordinariamente pública travada do outro lado do Atlântico por Harry e Meghan nos últimos seis anos.

Em uma entrevista com Oprah Winfrey, em um livro chamado "Spare" ("O que Sobra") e em um documentário de seis episódios da Netflix, Harry fez duras críticas à monarquia de maneiras que nenhum ex-integrante da família real havia ousado fazer.

Isso criou um rompimento do qual algumas famílias dificilmente conseguem se recuperar.

Em 2025, Harry se encontrou com o pai para tomar chá na residência real em Londres, no que pareceu ser o primeiro passo para a recuperação do relacionamento entre os dois. E, no mês passado, a frieza entre pai e filho pareceu diminuir um pouco mais quando Harry e Meghan levaram os filhos em uma viagem ao Reino Unido.

A família se encontrou em particular com Charles e a rainha Camilla em Highgrove House, embora uma pessoa familiarizada com o encontro tenha dito que a possibilidade de uma mudança permanente de volta para o Reino Unido não foi discutida naquela ocasião.

Se a possibilidade de passar mais tempo com o rei foi uma das motivações para a próxima mudança, parece improvável que uma reaproximação semelhante esteja sendo planejada com seu irmão William, príncipe de Gales.

Segundo relatos, William está furioso com a decisão de Harry de escrever um livro revelador sobre a família. Na entrevista à BBC, Harry admitiu que "alguns membros da minha família nunca me perdoarão".

Catherine Mayer, autora de "Divide and Rule: Royal Women and Their Battles", disse que, com base no silêncio público de William e em sua relutância de se encontrar com Harry, parecia que ele "não está pronto para consertar as coisas, que não tem o nível de confiança necessário para fazer isso".

Ela acrescentou: "Tanto William quanto Harry devem carregar o trauma de sua infância, e isso vai complicar a maneira como reagem a qualquer coisa".

Há também a questão da segurança da família. Há anos Harry afirma que não poderia retornar à Grã-Bretanha até que o governo restabelecesse a proteção policial que foi retirada quando ele deixou de ser um membro atuante da família real.

Harry perdeu, neste ano, uma ação judicial contra essa decisão. Questionado sobre o assunto na quinta-feira (20), o primeiro-ministro Andy Burnham disse que a questão sobre o nível adequado de segurança era um "assunto privado" da família.

Owens comparou a decisão de Harry à história de Eduardo 8º, que abdicou do trono em 1936 para se casar com Wallis Simpson. "Eles nunca conseguiram se reconciliar com o restante da família real britânica", disse. "Morreram de certa forma amargurados e sozinhos, afastados da família e vivendo no exterior."

E então há a imprensa britânica.

Harry praticamente declarou guerra aos jornalistas dos tabloides do país na última década, acusando-os de promover uma espécie de agitação midiática às custas de sua família.

Ele venceu processos judiciais contra as editoras do The Daily Mirror e do The Sun por invasão de telefone e uso de investigadores particulares. Mais recentemente, suas alegações de grampos e escutas ilegais por parte do The Daily Mail foram rejeitadas pelo tribunal.

Agora que esses casos foram encerrados, resta saber como Harry e Meghan serão tratados por seus críticos na imprensa.

Observadores disseram na quinta-feira que esperam que a família tente manter um perfil discreto, em parte provavelmente escolhendo um lugar para morar bem distante de Londres e dos tabloides que se concentram na capital.

Mas isso pode ser difícil na prática, considerando as formas que Harry e Meghan escolheram para financiar seu estilo de vida, que inclui instituições de caridade de grande visibilidade, o acordo com a Netflix e outras atividades públicas.

Mayer observou que a maior parte do trabalho deles tinha "bastante visibilidade", acrescentando: "Não acho que vocês vão vê-los desaparecer".

De qualquer maneira, o retorno da família à Grã-Bretanha certamente será notado pelo público, que continua dividido em relação a Harry e Meghan.

Pesquisas recentes mostraram que o público em geral tem uma visão negativa dos dois, especialmente quando comparados ao irmão de Harry e à esposa dele, Kate. Mas o casal continua popular entre as gerações britânicas mais jovens.

"Nesse sentido, parte da percepção positiva que pode surgir dessa mudança também poderia beneficiar a monarquia", disse Owens, "em um momento em que ela continua tendo dificuldades para se conectar com os jovens".

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