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Sunday, August 23, 2026

Análise: Nova pesquisa Datafolha evidencia eleição polarizada

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A primeira pesquisa Datafolha realizada no período oficial da campanha presidencial foi divulgada na última sexta-feira (21). O levantamento, que ouviu 2.058 eleitores de todo o país entre os dias 18 e 20 de agosto, aponta Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 47% das intenções de voto no segundo turno, contra 43% de Flávio Bolsonaro (PL). Os dois candidatos estão tecnicamente empatados dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

Analistas avaliaram, ao WW, os dados do levantamento que evidenciam uma eleição polarizada. A pesquisa, contratada pelo jornal Folha de São Paulo e pelo Grupo Globo e registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), foi realizada em meio aos vazamentos das investigações da PF (Polícia Federal) sobre Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, filho de Lula, suspeito de tráfico de influência e corrupção.

Ainda assim, as intenções de voto em Lula permaneceram estáveis, oscilando apenas um ponto para baixo em relação ao levantamento anterior, de julho, que também registrava Flávio Bolsonaro com os mesmos 43%.

Eleitor ainda não se engajou na disputa

Leonardo Barreto, sócio da consultoria Think Policy, avaliou que o eleitorado ainda não demonstra grande mobilização em relação à escolha eleitoral. "Os eleitores estão ainda um pouco preguiçosos", afirmou, explicando que pesquisas anteriores indicavam que 73% dos eleitores já tinham convicção sobre sua decisão, mas 60% declaravam não ter interesse na eleição.

Segundo o especialista, o eleitor já identifica Lula como tendo um modelo de atuação e reconhece Flávio como uma opção de oposição, sem necessariamente conhecê-lo em profundidade.

Barreto destacou ainda que o cenário atual é de baixa variância entre os eleitores de base dos dois candidatos. Em um teste de variância realizado por ele, o eleitor lulista mudou apenas 11 pontos em uma escala de 0 a 100 desde janeiro, enquanto o eleitor bolsonarista oscilou 18 pontos.

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Já o eleitor de centro apresentou variação de 76 pontos, sendo este o segmento mais disputado da eleição. "Quem vai mudar é o tal do eleitor independente", disse, acrescentando que esse grupo está atualmente dividido com 23% para Lula, 18% para Flávio e a maior parte optando pelo voto nulo ou em branco.

Resultado é lido de formas distintas pelos dois campos

O analista de Política da CNN Caio Junqueira avaliou que o resultado do Datafolha é positivo para a campanha de Lula e negativo para Flávio Bolsonaro. "A campanha do presidente Lula foi submetida, de 7 a 10 dias para cá, a uma artilharia pesada, denúncias, vazamentos", afirmou.

Para ele, mesmo diante desse cenário adverso, Lula ainda aparece à frente, o que indica que a campanha de Flávio esperava um resultado mais favorável. "Não dá para a campanha do Flávio Bolsonaro achar que só vai ganhar com Lulinha. Precisa um algo mais", concluiu.

Economia como eixo central da campanha de Flávio

A analista de Política da CNN Jussara Soares destacou que as duas principais campanhas vivem um momento de incerteza diante de casos em aberto. Ela lembrou que, além das investigações envolvendo o filho de Lula, Flávio Bolsonaro (PL) também ainda precisa dar explicações sobre o caso Dark Horse, ocorrido em maio, com inquérito ainda em andamento.

"São duas campanhas que estão vivendo a reboque do que pode acontecer e elas não sabem muito exatamente o que vai acontecer", afirmou. Jussara também observou que a eleição transmite uma sensação de desalento, com pouco entusiasmo nas ruas e eleitores desencantados de ambos os lados.

Segundo a analista, a campanha de Flávio pretende apostar fortemente no tema econômico, atacando o consumo e o poder de compra das famílias, o endividamento e as promessas feitas em 2022. Ela citou como exemplo a visita de Flávio a Taguatinga, no Distrito Federal, em frente a uma loja das Casas Bahia fechada.

"A aposta é muito pelo caminho da economia mesmo, tentando mostrar ataques à política econômica do governo Lula e, assim, buscar também abrir portas nos setores do PIB", disse. A estratégia inclui tentar reduzir a diferença em regiões como o Nordeste, onde Lula tem vantagem histórica.

Para Leonardo Barreto, a estratégia mais eficaz para Flávio seria mostrar concretamente os preços ao eleitor, conectando-se diretamente com a questão do bolso.

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