Everblue planeja R$ 10 bilhões em crédito com 'fábrica de fundos' para empresas
Companhia quer quadruplicar volume em fundos exclusivos até 2027; modelo permite a empresas participar do financiamento de sua cadeia produtiva

Publicado em 31 de outubro de 2026 às 07:00.
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A Everblue, empresa especializada em crédito corporativo e estruturação de FIDCs, pretende viabilizar R$ 10 bilhões em financiamento para a indústria nos próximos três anos. A companhia quer elevar seus FIDCs exclusivos de R$ 200 milhões para R$ 800 milhões até o fim de 2027. A estratégia inclui fundos que antecipam pagamentos a fornecedores e podem repassar às compradoras parte do resultado financeiro.
A Everblue, empresa especializada em crédito para companhias e na estruturação de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), pretende viabilizar R$ 10 bilhões em financiamento para a indústria nos próximos três anos. Uma das apostas para alcançar a meta é a estruturação de fundos que antecipam pagamentos a fornecedores e permitem às empresas compradoras participar do resultado financeiro dessas operações.
A companhia informa ter R$ 200 milhões em FIDCS exclusivos e quer chegar a R$ 800 milhões até o fim de 2027. Essa é uma das frentes de expansão do grupo, que afirma já ter realizado mais de 10 mil operações de crédito, somando R$ 4,6 bilhões, desde a sua fundação, em 2019.
O modelo busca espaço no financiamento do capital de giro, uma necessidade recorrente para empresas que precisam pagar fornecedores antes de receber dos clientes. A proposta é usar as relações comerciais de uma indústria ou distribuidora como ponto de partida para organizar uma operação de crédito.
Funciona assim: um fornecedor vende a prazo, mas precisa do dinheiro antes do vencimento. Em vez de procurar uma linha de crédito por conta própria, pode antecipar o recebimento por meio do fundo ligado à cadeia da compradora. O FIDC adquire o recebível com desconto, paga ao fornecedor e recebe da empresa compradora na data combinada.
Para a compradora, o interesse vai além de assegurar liquidez aos fornecedores. A estrutura pode abrir espaço para negociar prazos maiores de pagamento e, dependendo de sua participação no fundo, receber uma parcela do resultado das antecipações. O ganho depende dos custos de captação e operação, da inadimplência e das condições acertadas entre as partes. “A tendência é que cada vez mais companhias entendam que sua operação comercial também pode ser uma plataforma financeira”, diz Gabriel Padula, CEO da Everblue.
Impacto no caixa
Uma simulação da Everblue ilustra o efeito que a negociação de prazos pode ter sobre o caixa. No exemplo, uma indústria fatura R$ 500 milhões por ano, recebe dos clientes em 75 dias e paga fornecedores em 30 dias. Com R$ 375 milhões em compras anuais, precisa financiar um intervalo de 45 dias, equivalente a cerca de R$ 46,9 milhões.
Se conseguir ampliar o prazo de pagamento aos fornecedores para 45 dias, essa necessidade cairia para R$ 31,25 milhões — uma redução de R$ 15,6 milhões. Considerando um custo de financiamento de 2,3% ao mês, a economia estimada pela Everblue seria de R$ 4,3 milhões por ano. Trata-se de um cenário hipotético: o benefício depende de conseguir renegociar os prazos e das condições de financiamento de cada empresa.
A expansão dos fundos acompanha um plano de crescimento regional. A Everblue pretende destinar aproximadamente R$ 270 milhões em crédito ao primeiro ciclo dessa estratégia, que começa pelo Sul. O projeto inclui contratação de executivos, reforço da diretoria comercial e ampliação da busca por clientes.
Como sinal da demanda, a companhia cita um levantamento de sua própria operação: nos últimos 24 meses, o volume de crédito solicitado por empresas cresceu mais de 40%, enquanto o número de propostas recebidas aumentou 30%. “O mercado já entendeu que existe demanda por crédito, mas o crescimento sustentável dependerá de lastro verificável, dados operacionais confiáveis, governança na originação e disciplina na gestão de risco”, afirma Padula.
'Perguntas frequentes'
Como funciona o FIDC ligado à cadeia de fornecedores? +
O FIDC compra com desconto o recebível de um fornecedor que vendeu a prazo, antecipa o pagamento e recebe da empresa compradora na data combinada. Assim, o fornecedor obtém recursos antes do vencimento sem buscar sozinho uma linha de crédito.
Qual é a meta de financiamento da Everblue para a indústria? +
A Everblue pretende viabilizar R$ 10 bilhões em financiamento para a indústria nos próximos três anos. A empresa também quer ampliar seus FIDCs exclusivos de R$ 200 milhões para R$ 800 milhões até o fim de 2027.
Quais são os benefícios dos fundos para as empresas compradoras? +
As empresas compradoras podem assegurar liquidez aos fornecedores, negociar prazos maiores de pagamento e, conforme sua participação no fundo, receber parte do resultado das antecipações. O ganho depende dos custos de captação e operação, da inadimplência e das condições acertadas entre as partes.
Quanto uma indústria pode economizar ao ampliar o prazo de pagamento? +
Em uma simulação da Everblue, uma indústria com faturamento anual de R$ 500 milhões reduziria sua necessidade de capital de giro em R$ 15,6 milhões ao ampliar o prazo de pagamento de 30 para 45 dias. Com custo de financiamento de 2,3% ao mês, a economia estimada seria de R$ 4,3 milhões por ano, mas o cenário é hipotético e depende das condições de cada empresa.
Qual é o plano de expansão regional da Everblue? +
A Everblue pretende destinar cerca de R$ 270 milhões em crédito ao primeiro ciclo de sua expansão regional, que começa pelo Sul. O projeto prevê contratação de executivos, reforço da diretoria comercial e ampliação da busca por clientes.
Quanto cresceu a demanda por crédito entre os clientes da Everblue? +
Segundo um levantamento da própria Everblue, o volume de crédito solicitado por empresas cresceu mais de 40% nos últimos 24 meses. No mesmo período, o número de propostas recebidas aumentou 30%.
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Jornalista com experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pela redação de Veja, onde foi editor da coluna Radar Econômico. Contato em pedro-b.gil@exame.com
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