Centrão entra na mira da campanha de Lula após aderir a Flávio Bolsonaro


A campanha do presidente Lula (PT) pretende usar a adesão do centrão à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) para tentar resgatar as críticas à "bancada BBB", forma como o PT se refere aos bancos, bets e bilionários.
A estratégia foi desenhada pelo novo time de comunicação da campanha, que passou por mudanças após Lula sair em desvantagem para Flávio no primeiro turno. Segundo um dos membros da equipe, a ideia é vincular o senador do PL e seus novos aliados ao "sistema", passando a imagem de que Lula caminha ao lado do povo enquanto seu adversário se alinha aos defensores das camadas mais privilegiadas da população.
O objetivo é tentar reeditar um dos episódios mais desgastantes para Lula em sua relação com o Congresso, mas que geraram dividendos em sua popularidade. Em outubro do ano passado, a Câmara derrubou uma medida provisória do governo que alterava regras de tributação sobre investimentos e aumentava a taxação das bets.
Numa articulação dos principais partidos de centro, a proposta foi retirada de pauta e perdeu a validade. Em reação, Lula passou a incluir em seu discurso declarações que apontavam para uma articulação do Congresso contra o povo.
Assim, a campanha petista deve reeditar o episódio para mostrar que a aliança entre Flávio e o centrão poderia gerar danos à população, numa estratégia de investir numa "campanha do medo" desenhando um futuro com cortes em benefícios sociais e acenos para "o andar de cima".
Ao mesmo tempo, o presidente deve manter a produção dos vídeos em formato de selfie, outra inovação após o primeiro turno. Nessas peças, Lula tem se dedicado a defender propostas encampadas pelo governo, como o fim da jornada 6x1, e a criticar Flávio Bolsonaro.
Interlocutores do presidente afirmam que o formato aumentou o engajamento do presidente nas redes sociais e ajudou a fragmentar a comunicação da campanha.
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